DIA XI - Então é isso. (Parte 2)

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O Príncipe de Fogo havia sido convidado para o jantar aquela noite e somente suas palavras e os risos de Gumball puderam ser ouvidos por um tempo desconfortavelmente grande. Marshall, os cozinheiros e os serventes doces permaneceram em silêncio, apenas escutando as intermináveis aventuras do convidado. Gumball simplesmente ignorara a existência de Marshall, fingindo não escutar seus comentários, e ninguém comentou, ninguém riu, ninguém sequer olhou assustado quando Marshall parou de chamar atenção de vez, concentrando-se em uma coxa de javali fria em seu prato. Talvez estivessem todos condescendentes com a situação do vampiro, talvez estivessem sentindo um iminente desastre, mas Marshall achava aquele silêncio parcial um inferno.

Mas não sabia o que fazer ou o que falar, não sabia sequer se deveria mesmo estar ali. Parecia um mero comensal ou um figurante ante aquele cenário grandioso. Estava genuinamente triste.

- To indo. - Disse simples ao se retirar da mesa, sem qualquer cerimônia que dele fosse esperada.

Foi, intuitivamente, para a escada que levaria ao quarto de Gumball, mas quando saiu efetivamente do salão sentiu uma mãozinha segurar-lhe pela panturrilha.

De pé, quase sendo levado por um Marshall flutuante, estava o Mordomo Menta, com uma olhar triste nada habitual. O vampiro sorriu fraco diante do gesto amigável e curvou-se para falar com o docinho. Realmente, todos estavam sabiam que uma tragédia estava prestes a acontecer.

- Comece a contar as horas a partir do momento que esse jantar bobo acabar. Se eu não der as caras em duas horas, chame os guardas, a polícia, os médicos e um detetive. - Marshall brincou e continuou seu caminho. Poderia ter saído pela janela do corredor e entrado pela janela do quarto do príncipe, mas a possibilidade de perder-se no castelo e prolongar sua estadia lá era tentadora.

Chegando ao quarto, não hesitou frente a porta. Sentia que já havia estado por lá o suficiente para sentir-se em casa. Pegou o Crepúsculo, que há tanto Gamball havia recomendado, e sobrevoou a cama, na espera de evitar qualquer pensamento que envolvesse príncipe.

Mas era impossível. Lembrou-se de quando os dois assistiram àquele filme. "Isso não está ajudando a parar de pensar nele", concluiu. Edward, aparentemente, também havia passado por essa coisa de se apaixonar e mostrou que realmente não dá para fugir do amor.

"Malditos vampiros romantizados", Marshall pensou, referindo-se a si mesmo. Jogou o livro na cama e pegou aquele de Química que não havia terminado ainda.

- Você não pode fugir dos seus problemas para sempre. - Ouviu quando estava prestes a começar o capítulo de aprofundamento em Química Orgânica.

- Eu poderia dizer algo como "e como é que você acha que eu conseguiria resolver algo se você sequer fala comigo qual é o problema?", mas, realmente, prefiro ficar calado nesse momento. - Marshall respondeu, surpreendendo a si mesmo com a sinceridade de suas palavras.

- Pois vai falar sim porque agora quero perguntar algo e exijo uma resposta minimamente razoável. - Gumball tirou o livro da mão de Marshall.

- Pergunte, Vossa Majestade. Mas antes, - Marshall levantou o indicador na altura do próprio rosto e continuou. - me responda o porquê de ter ficado com raiva de mim.

- Por que não me mordeu até hoje? - A expressão de Gumball ficou séria a ponto de apresentar rugas de expressão nada comuns à sua face.

- Como? - Marshall perguntou para confirmar se ouvira corretamente.

- Não se finja de idiota, Marshall Lee! - Gumball aumentou um pouco a voz. - Sabe muito bem que poderia bem ter me mordido e concedido a dádiva da vida eterna. - Levantou-se da cadeira e foi em direção a Marshall enquanto continuava a falação. - Empenha-se em esconder esses furos no seu pescoço, pensando que sou cego?!

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