No começo do ano letivo, assim que entramos na sala do 1º ano, vi o olhar de Gabriel fixados em Nicolas, eu o conhecia e sabia quando ele estava interessado em alguém. Ele nunca tinha olhado para outro garoto daquela forma, era a primeira vez.
- Nossa! "G"
- O que foi Glória?
- Nada de mais, percebi essa sua olhada para o Nic.
- Nic? Então o nome dele é Nic.
- Não exatamente, Nicolas pra ser mais preciso.
- O que trama dessa vez?
- Dessa vez nada.Pronto, naquele ponto estava mais fácil pra mim me movimentar, me chegar em Nic era questão de tempo apenas, tinha todas a minha cartas na manga, não queria dar uma de precipitada, nem conhecia o garoto direito, já que Gabriel estava interessado, eu também estava, não pra ficar com ele. Pelo o que eu ouvia nos corredores da escola, ele não parecia ser um garoto certinho. Ele tinha vindo de uma escola no Texas, sempre andava rodeado de garotas, fazia amizade muito fácil com as outras pessoas, pega todas as garotas que quisesse, eu não seria mais uma, não curto garotos assim. Gabriel não sabe disso, ele nem vai ligar, é normal pra ele, isso se torna até mais legal, por que se tem uma pessoa que gosta de aventuras, essa pessoa se chama G A B R I E L.
Perguntei se se ele estava gostando da escola nova, sem hesitar ele me respondeu que sim, disse que as pessoas eram legais, e que já tinha pesquisado na internet pelo corpo docente, as boas referencias que a escola trazia. Ele estudava muito, quase não tinha tempo pra sair, mais quando saia, extravasava, curtia mesmo e não estava nem ai para o que os outros pensavam sobre ele, aprendi um pouco com isso, ele sempre era atencioso comigo, me tinha como uma irmã que nunca teve. Me ajudava nas coisa que eu tinha dificuldade, dormia na casa dele as vezes. Também era muito presente na vida dele, éramos confidentes, tínhamos vários segredos, guardávamos coisas sórdidas, e aprontávamos bastante juntos. No começo, assim que nos conhecemos na 5ª série ele foi o primeiro a falar comigo, elogiar meus cabelos ruivos e meus olhos azuis. Diferente dos outros garotos é claro, ele nunca deu encima de mim, foi ai que eu percebi que ele ia ser meu grande amigo.
Ele nunca me escondia nada, como era de costume, sempre que começava um ano letivo eu ia para a casa dele ou saiamos para conversar, dessa vez não foi diferente, mais não saímos, fui para a casa dele. O primeiro assunto da conversa foi Nicolas, como era de se esperar. Me fez várias perguntas sobre ele, como não sabia muito, só disse o que tinha certeza. Mais estava claro que Gabriel estava afim, muito afim, só não sabia como chegar, o que fazer e o que falar.
- Posso te ajudar. – Eu disse
- Não Glória, não precisa, isso não vai dar certo.Estava disposta a fazer tudo para o vê-lo feliz, faria qualquer coisa, o orgulho dele sempre vinha á frente de tudo, já tinha até me acostumado com suas frases "O que eu quero eu vou atrás" ou "Eu posso conseguir tudo o que quero". E realmente conseguia, mais só depois de complicar tudo. Ele nunca me ouvia, nem sempre pedia minha opinião, me chateava com isso, mais era ele, não podia fazer nada.
As semanas iam se passando e o amor de Gabriel por Nicolas só aumentava, e eu que não desencanava nunca, nem namorado eu tinha, sozinha, jogada feito um nada, já ia fazer 20 anos e só tinha dado uns pegas nuns garotos, não vou achar ninguém pra mim, nem sei se esse garoto existe, sem contar que eu sou muito exigente em relação a sentimento. Posso parecer contraditória nesse sentindo, pois estava sujeita a machucar meu melhor amigo.
Nicolas era minha meta, era o meu alvo naquele momento, fui estudando ele, seguindo-o pela escola, fiz amizade, mais sem que Gabriel desconfiasse, fui mantendo segredo até onde podia, achando que ia fazer a coisa certa. Conversas com o Nicolas foram me deixando mais a vontade para conversar sobre certos assuntos, rolava de tudo nas nossas conversas, ele quis ficar comigo no principio, até conseguiu por algumas vezes, Gabriel nunca soube disso, e nem vai saber, é só você não contar. Os meus ficas com Nicolas eram pra conseguir mais atenção dele, não era por mau o que fazia, eu sei que o Gabriel gostava dele, mais eu tinha mais chance de conquista-lo do que ele, eu sou mulher, a diferença é muito grande. O que eu podia fazer pra ajudar eu fazia.
Numa conversa, o nome de Gabriel surgiu, Nicolas não sabia que ele era meu amigo, falou coisas sem sentido, um delas foi a que me machucou, mais não disse nada a respeito, não queria defende-lo.
- Já viram aquele garoto novo da nossa sala? – Ele perguntou pras pessoas que estão na rodinha de conversa. Uns responderam que sim, outros disseram que não tinha percebido, mais eu sabia de quem ele estava falando.
- Aposto que é mais um desses gayzinhos, já viram o jeito que ele se veste, que ridículo, parece uma mulherzinha. – Sorrio.Aquilo me desceu rasgando na garganta, pois ele não era nada do que ele falava, ele era incrível, me senti humilhada, pois ele não só falava sem pensar, como falava sem conhecer. O que eu fazia era sorrir com outros, o que podia fazer, era só eu a favor de Gabriel, acreditava que tinha a oportunidade de defende-lo em um momento propício, mais ali não era o momento, nem o local.
Fui à casa de Gabriel naquele noite jogar conversa fora. Falamos de tudo como sempre, ele me convidou pra irmos no Hollyt Café. Eu sabia dos lugares prediletos dele, do que gostava de fazer, uma boa oportunidade de aproximar os dois. Como chegar em Nicolas e falar que o Gabriel gosta dele, ele pode ter todas as reações contrárias a que eu esperava, não vai ser tão fácil mudar a cabeça de uma pessoa, logo a dele. Anda sempre com pose de machão, cercado de parasitas, é o coração do meu amigo que está em jogo, e eu sou a única que posso dá uma força.
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