Parte III

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Segunda-Feira, o dia mais chato que existe, por um lado é legal e por outro nem tanto. Já podia imaginar a curiosidade de Glória em saber onde tinha me socado naquela noite, e por que eu tinha demorado tanto, mais eu não queria me precipitar em dizer que eu e o Nicolas conversamos, e que ele tinha curiosidade em me conhecer. Mais Glória é minha melhor amiga, me sinto meio mal em não contar pra ela, ficaria chateada comigo se escondesse isso, acho que ela esperava isso á muito tempo, ela sabe do que sinto, de como eu fico quando chego perto dele.

Aí! Calma. Lá vem Glória. Minha nossa, ela vem quase correndo com um sorriso de uma orelha a outra, será que ela soube? Mais quem contou? Não havia ninguém naquela sala além de nós, eu não contei pra ninguém. Ai meu Deus, ela vem sorrindo, mais quando chegar aqui ela vai me matar, me estrangular por eu não ter contado nada pra ela, só eu sei o quanto ela fica brava quando sabe das minhas coisas pelas outras pessoas. Pode não ser e, eu estou aqui feito um louco pensando mil bobeiras.

Ela chega e segura logo no meu braço e me acompanha até a sala de aula, no caminho me faz mil perguntas, o que eu estava fazendo, o por que não avisei que ia sair, o por que tinha deixado ela feito uma louca atrás de mim. Perguntei então o que ela tinha feito no tempo que dei uma sumida, se ela tinha pego alguém na festa.

- Ai! "G", ontem a noite foi incrível pra mim, não peguei ninguém não. Mais você sabe aquele garotinho do 2º ano ...
- O Brendow?
- Sim, ele ficou só me encarando, e eu que não sou boba nem nada fiquei encarando ele também. Mais não sei, não quero me precipitar ainda. Mais que ele é fofo ele é.
- Disso eu tenho certeza amiga. – Sorrimos até chegar na sala de aula.

Fiquei mais aliviado, pois não era nada a meu respeito, mais eu queria contar pra ela, só não tinha coragem pra isso. Por quanto tempo vou guardar isso comigo, ela vai ter que saber, e é por que ela é minha melhor amiga, deixa o tempo passar um pouco, quando eu me sentir seguro ou quando o que eu quero dê certo ai eu conto.

"Mais se não da certo? Ai cabeça, para dessas loucuras, o que eu faço, o que?"

As horas se passaram lentamente, nunca um dia foi tão longo. Na hora do intervalo fui pra um canto sem Glória, pensar um pouco em tudo o que estava acontecendo, pensar nele também. Tenho medo de tudo isso, pois falta dois meses para acabar o ano, se eu me apaixonar ou tiver algo com o Nic eu vou me machucar muito, nós vamos tomar rumos diferentes, me apaixonar agora não seria o certo. Só penso no pior, se eu não aproveitar essa oportunidade de ser dele pelo menos dois meses, não serei dele nunca, nunca. Mais como dizer que eu gosto, que eu sinto algo, que eu sou louco por ele, ninguém pode me ajudar agora, ninguém. Tudo está se complicando, o que eu pensava que era fácil não é nada o que eu pensava.

O intervalo acaba, me dirijo para o bebedouro, vou ainda pensativo, de cabeça baixa, não vejo nada a minha frente, parece que as pessoas que estavam ali sumiram, não ouço vozes, só os meus pensamentos altos. Quando me bato contra uma pessoa, não olho para o rosto e só peço desculpas, quando ouço a voz me dizendo: - Não é nada, imagina. Você está bem? – Era ele, não soube mais o que fazer, minha cabeça que estava baixa foi praticamente ao chão, naquela sensação de que você não está mais ali, o meu corpo ficou gélido, minhas mãos tremiam, só não entendia por que ficava assim sempre que ele falava ou chegava perto de mim. Ele tem uma espécie de energia diferente das outras pessoas, e eu que não me controlava, não tinha domínio sobre minhas ações. Resolvi olha-lo nos olhos, reponde que estava bem, mais um pouco atordoado, mais não lhe contei o motivo, deixei ele pensar que era por causa das últimas provas. Ele simplesmente saiu e sorrio pra mim.

Glória estava mais na frente olhando para mim, não acreditando no que tinha acontecido, mais não tinha acontecido mesmo nada de mais. Mas mesmo assim ela veio me perguntar, perguntas que eu já estava acostumado a responder, pois eram sempre as mesmas, ela nunca mudava aquilo, gesticulava com a boca todas as palavras que ela iria falar. Fomos para a sala de aula, assistimos as quatro últimas cansativas aulas de Literatura. O professor até que era bonitinho, nós praticamente nem prestávamos atenção na aula, mais sim no professor. Quem nunca fez isso. (Risos)

GabrielWhere stories live. Discover now