Capítulo XX - Elizabeth - "Talvez nem tudo esteja perdido"

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Não podia dizer que havia dormido, porque estaria mentindo. Podia dizer que havia cochilado em alguns momentos. Num desses cochilos, a porta do quarto foi aberta, despertando-me de súbito. A luz do sol já chegava aos pés da cama, mostrando os contornos das árvores do jardim. Observei Jean entrar logo atrás de Diane, e ambas pareceram esperar que eu despertasse completamente.

Como minha cabeça ainda girava, demorei um pouco para me sentar na cama e arrumar aquelas faixas irritantes em meus braços. Então, olhei para as duas enfermeiras á minha frente.

- Bom dia. – Jean disse em um tom que eu estranhei. Não era o habitual. Ela parecia mais pálida, e falava com receio.

- Bom... Dia? – disse confusa.

Então, um silêncio abateu o local por alguns estranhos segundos.

- Você não vai poder sair desse quarto. – Diane quebrou o silêncio abruptamente. Ela erguia o queixo, numa expressão dura, embora sua voz houvesse falhado.

Jean olhou para ela com choque.

- Eu pensei que iríamos mais devagar! – ela sussurrou, mas eu estava ao seu lado, sendo impossível não ouvir. Ergui minha postura na cama, confusa.

- O que quer dizer? – perguntei.

Jean e Diane trocaram olhares nada discretos.

- Você já deve ser perita em saber que, quando algo bom acontece, algo ruim vai acontecer logo após, certo? – Diane me atingiu com sua pergunta.

- Bem... Talvez. O que quer dizer? – repeti.

Diane suspirou e parou por alguns segundos.

- Será que dá pra vocês me falarem o que está acontecendo!? – perguntei mais alto.

- Eleanor ouviu você ontem. – ela pareceu soltar suas palavras rapidamente.

Eu não sabia se franzia a testa pelo nome estranho ou por não saber por que aquilo era tão ruim.

- Quem...? – eu comecei.

- A mesma pessoa que fez isso com você. – Diane disse antes que eu terminasse e tocou o arranhado em meu rosto, fazendo-me estremecer. Meu corpo reagiu á suas palavras, deixando-me tensa – Não pudemos abafar seus gritos. E... Uma confusão se instalou na porta. – ela suspirou brevemente – Não importa os detalhes. Só... Eleanor veio colocar ordem, e... Ela viu sua amiga, e aquela coisa toda. Mas estava tudo tão confuso na hora que... Ela não conseguiu fazer nada além de tirar os pacientes da porta e nos deixar cuidar de você.

- O que ela vai fazer comigo? – perguntei, procurando conforto nos olhos de Jean, de pé a meu lado.

- Nós não sabemos, Eliza. – a voz de Jean estava bem mais baixa e temerosa do que a de Diane – Ela só deu ordens de que não deixássemos você sair, nem ninguém entrar.

- E não podemos trazer nada pra você, também. – Diane completou – Nem mesmo uma refeição.

Parecia uma ideia bem idiota, mas eu pude entender o raciocínio. Tirar a única gota de liberdade que eu tinha era o melhor jeito de me atingir.

- Perdão, Eliza. – Jean parecia realmente abalada. Diane, porém, somente ficou em silêncio, e a outra enfermeira lançou-lhe um olhar de reprovação.

Eu abri a boca, tentando dizer algo que parecesse inteligente, mas tudo o que consegui dizer se resumiu em três palavras:

- Estou com medo. – sussurrei ás duas.

Faces Sob MáscarasOnde histórias criam vida. Descubra agora