- Noah. - Murmurei com os olhos marejados.
- Angel! - Ouvi a voz de Justin.
Senti suas mãos em meu rosto e o olhei.
- Ei, está tudo bem? - Ele perguntou com a testa franzida exalando preocupação.
- O Noah.. Ele está aqui.. - Falei baixo, sentindo meus olhos marejarem.
E se ele voltou para tirar minha filha de mim? E se ele fizer algum mal á ela?
- Onde? Não chora, Anjo. - Ele me abraçou.
Deitei minha cabeça em seu peito enquanto ele acariciava minhas costas.
- Está tudo bem, eu não vou deixar ele machucar vocês.
- Angel? - Era aquela voz, que eu tanto amava, mas agora tinha medo.
Justin me soltou e me empurrou delicadamente para trás dele.
- O que você quer com ela? - Perguntou para Noah.
- Eu só queria conversar. - Ele disse me olhando.
- Eu não quero conversar com você. - Falei me recompondo do choque e ficando ao lado de Justin.
- Angel, por favor, nós..
- Mamãe? - Caity apareceu com seu ursinho nos braços.
A peguei no colo rapidamente e ela olhou curiosa para Noah.
- A tia Betty disse que é pra você ir comer. - Ela disse depois de alguns segundos.
- A mamãe já vai, Caity. - Beijei sua bochecha corada por conta do frio.
- Ela é.. - Noah gaguejou.
- Sim, sua filha. A filha que você negou quando ainda era um feto. - Justin disse.
O observei e ele estava com as mãos fechadas em punho, fiquei em alerta.
- Pare de se meter, Cara. - Ele bufou. - Eu só quero conversar.
Por um lado seria bom escutar o que ele tinha pra falar, sempre quis saber o por que dele ter ido embora.
- Tudo bem. - Falei surpreendendo os dois que se encaravam mortalmente.
- Angel.. - Justin me olhou.
- Está tudo bem, eu só vou conversar com ele e daqui a pouco eu volto. - Lhe dei um selinho.
Homens tem um ego muito grande, o beijei em frente á Noah para ajudar no dele.
- Já acabou, Ryan? - Perguntei e ele assentiu.
- Pode ir se trocar. - Ele disse.
- Vou me trocar e já volto. - Dei Caity para Justin, que me olhava com o maxilar travado.
- Eu espero. - Noah disse.
Assenti e saí dali, o ar estava pesado e eu estava tentando me preparar psicologicamente para a conversa que está por vir.
- Você vai lá mesmo? - Betty apareceu, não faço ideia de onde.
- Vou. - Tirei minha roupa devagar.
- Tem certeza? - Perguntou depois de um longo suspiro.
- Tenho. - Falei simples.
Será que eu tenho certeza mesmo? Na verdade, é só curiosidade para saber o que ele quer falar. Admito.
- Cuidado com ele. - Ela alertou.
- Eu sei, Bettany, não sou mais aquela garota fraca de antes, você sabe disso. - Falei comecando a vestir minha calça jeans.
- Eu sei, mas eu tenho medo de te ver sofrendo de novo.
- Ei, eu vou ficar bem. - Sorri fraco e coloquei minha camisa.
Ela assentiu, vesti meu sobretudo e calcei minhas botas, deixei o cabelo preso como estava e beijei sua bochecha.
- Eu vou ficar bem. - Repeti. - Cuida da Caity pra mim, Justin está muito estressado.
- Não é pra menos. O ex namorado da garota que ele está pegando voltou de repente. - Ela retrucou.
- Seja menos naja, por favor. - Ri e ela me mostrou a língua.
Peguei minha bolsa, me despedi dela e saí do camarim, encontrando Caity conversando animadamente com Noah, Justin apenas travava o maxilar os observando.
- Vamos? - Noah sorriu ao me ver.
- Amor, cuidado. - Justin disse e eu quase me derreti ao escutar ele me chamar de "Amor", pena que era apenas para provocar Noah.
- Tá bom. - Lhe dei um selinho e beijei a bochecha de Caity. - Comporte-se.
Ela assentiu e sorriu.
- Não demora, Mamãe. - Ela disse.
- Pode deixar, meu amor. - Sorri com a sua fofura.
- Uh.. - Noah pigarreou.
Me virei para ele e logo saímos andando.
- Bem, nós podemos tomar um café, pode ser? - Assenti em silêncio.
Ficamos quietos o resto do caminho e logo estramos em uma cafeteria, pedi um sanduíche e um café com leite médio, Noah pediu um pedaço de torta de morango e um cappuccino, nos sentamos em uma mesa, para esperar o pedido.
- Eu vi em um site que você estava e em Nova York, e como eu estou morando aqui, tive que vir te ver.
- Está morando aqui? - Perguntei confusa.
- Sim, logo depois que você sumiu, minha mãe morreu e eu vim morar com a minha vó.
- Sua mãe morreu? - Arregalei meus olhos.
- Sim. - Ele suspirou. - Teve um ataque cardíaco, seguido de uma parada respiratória, infelizmente não resistiu.
- Eu sinto muito. - Falei realmente triste, Eleanor era uma mulher maravilhosa.
- Eu superei. - Ele sorriu fraco.
Nos calamos quando a garçonete trouxe nossos lanches. Noah não parava de me olhar e eu estava começando a ficar constrangida.
- Como você se transformou em uma modelo internacional? - Perguntou bebericando sua bebida.
- Bom, eu comecei a trabalhar para Justin, acharam que eu tinha potencial e hoje estou aqui. - Resumi a história.
- Justin é seu namorado?
- Não. - Falei simples.
- Olha, eu sinto muito por ter te tratado daquele jeito quando você me contou sobre a gravidez, mas eu não sabia como reagir, Angel. - Ele disse apoiando os cotovelos na mesa e me encarando.
- Eu briguei com a minha família toda pela Caity, você me propôs até um aborto, Noah. - Rebati.
- Eu sei, e me arrependo por isso, mas infelizmente eu não posso mudar o passado.
- Ainda bem que sabe. - Mordi meu sanduíche.
- Eu quero tentar reparar os meus erros, por favor, me deixa fazer isso.
- Noah, eu não tinha contato com você até hoje, então prefiro manter assim.
- Você não pode fazer isso, nós temos uma filha juntos. - Disse com o maxilar travado.
- Ela é minha filha, você não é o pai dela.
- Não é o que um exame de DNA diria. - Ele sorriu.
- Você não pode tirar ela de mim.
- Digamos que eu me formei em direito e meu avô foi juíz. - Ele ficou sério de repente.
Eu não poderia acreditar no que estava ouvindo, pense em uma resposta rápida, Angel!
- Não esqueça de que sou modelo internacional de uma das agências mais conhecidas do Estados Unidos, Justin tem contatos e tenho certeza que ele vai me ajudar.
- Vamos ver quem ganha essa causa? - Ele arqueou a sobrancelha com um sorriso cínico nos lábios.
- Noah, você voltou pra isso? - Tentei me acalmar.
- Eu voltei pra te ter de volta.
- Mas se continuar assim, não vai conseguir. - Rebati.
- Eu não vi outra escolha. - Deu de ombros.
- Não adianta você envolver a Caity em um problema nosso, ela não tem culpa.
- Eu estou pouco me fodendo pra ela, eu só quero você. - Ele elevou a voz.
Como ele podia falar assim de uma criança? Que infelizmente, ele era o pai.
- Não fale assim dela! - Me levantei.
- Angel, se você não for minha, não será de mais ninguém. - Disse calmo.
- Não ouse se aproximar de nós novamente, ou eu acabo com você.
- Acaba, é? Ainda lembro de quando eu te comi por trás, nossa, tão apertado. Será que ainda é ou o seu namoradinho já arrombou? - Abri a boca estupefata com suas palavras.
- Você é nojento! - Joguei o restante de meu café nele, mas infelizmente já estava frio.
- Nos veremos em breve. - Ele tirou uma nota de 20 dólares do bolso da calça jeans e bateu com a mão na mesa.
- Não ouse se aproximar. - Falei segurando minhas lágrimas de raiva.
- Eu não, mas meu advogado, sim. - Depositou um leve beijo em minha bochecha.
Senti uma lágrima escorrendo por ela, limpei rapidamente e peguei minha bolsa, saindo apressada da cafeteria.
Ainda não entendo o por que dele ter voltado e ainda por cima, me ameaçando. Minha vida estava indo tão bem, mas como sempre, tudo que é bom, dura pouco.
Fui fazendo o mesmo trajeto que percorremos para chegar á cafeteria, ao chegar no camarim, encontrei Justin sentado em uma cadeira com Caity dormindo em seu colo, sorri ao ver a cena e caminhei até eles.
- E então? - Perguntou baixo para não acordar minha bebê.
- Depois a gente conversa. - Ele assentiu contrariado.
- O táxi já está vindo nos buscar para irmos ao hotel pegar nossas malas.
- Caity comeu? - Acariciei seus cabelos loiros.
Meus olhos estavam pesados com as lágrimas que eu segurava, eu não suportaria perder minha filha.
- Betty comprou um torta pra ela e depois ela se empanturrou de salgadinho. - Sorri.
- Tudo bem. - Lhe dei um selinho.
Ouvi uma buzina, olhei para trás vendo o táxi, logo Betty saiu do camarim com o cabelo todo bagunçado e Ryan fechando o zíper da calça, corei ao imaginar o que eles estavam fazendo, ou melhor, o que minha amiga estava fazendo nele.
- Vamos. - Justin se levantou.
Fomos para o táxi, ficamos em silêncio a viagem toda, chegamos ao hotel e já não haviam tantos paparazzis ali, entramos quase correndo na recepção e Caity acordou chorando com o susto.
- Está tudo bem. - A peguei no colo.
- Agora vamos para o quarto apenas para ajeitar as malas, podemos tomar banho no jatinho. - Justin disse.
- Tudo bem, não demoro. - Ele assentiu e me deu um selinho.
Saímos do elevador e fomos cada um para o seu quarto, coloquei Caity na cama e ela virou de bruços logo adormecendo, fui para o banheiro e peguei nossas escovas de dente e de cabelo, ajeitei tudo em um estojo junto com a maquiagem e coloquei na mala. Dobrei algumas roupas que estavam jogadas na poltrona e logo já estava tudo terminado.
- Filha, acorda. - Falei beijando sua bochecha.
- Não, Mamãe. - Ela resmungou.
- Mas você já está acordada.
- Não estou, não.
- Caity, deixa de preguiça. - Sorri e comecei a fazer cócegas nela.
Até que o odor se apossou de minhas narinas, ela havia soltado um pum.
- Opa! - Disse e riu corada.
- Porquinha. - Dei risada e me levantei.
- Amiga, já estamos descendo. - Ouvi a voz de Betty no outro lado da porta e fui atende-la rindo.
- Já estamos indo.
- O que foi? - Perguntou.
- Nada não. - Respirei fundo controlando o riso.
- Tudo bem, vamos?
- Uhum. - Olhei para Caity que se espreguiçava sentada na cama.
- Vamos logo, gorda. - Ryan disse para Caity, atrás de Betty.
- Gordo é você. - Ela mostrou a língua pra ele, que riu.
- Você consegue ser mais infantil que ela. - Betty revirou os olhos.
- Uh! Ok, Ryan, pode me ajudar a levar as malas? - Cortei a discussão.
- Claro, sou o burro de carga. - Ri.
- Você só é um bom amigo. - Sorri e ele sorriu irônico.
Entreguei minha bolsa para Betty e peguei a mala pequena de Caity, Ryan pegou a minha e saímos do quarto, fomos para o elevador e deixamos Caity apertar o botão do térreo, ao chegarmos, deixei a chave do quarto na recepção e os seguranças levaram nossas malas para o táxi, Justin logo apareceu e fomos para o carro. Minutos depois estávamos chegando no jatinho, subimos com nossas malas e cada um sentou em sua poltrona.
Caity, como sempre, se sentou com Ryan, esses dois se amavam.
- Eles brigam, mas se amam. - Comentei com Justin.
- É mesmo. - Ele riu quando Caity mordeu a bochecha de Ryan e ele fez uma cara de bravo.
- Justin, quero conversar com você e com seu pai, quando chegarmos.
- Com meu pai? - Ele perguntou surpreso.
- Sim.
Nossa conversa foi interrompida pela aeromoça nos instruindo á colocar os cintos, logo estávamos decolando e deitei minha cabeça no ombro de Justin.
- Me fala o que aconteceu. - Ele disse calmo.
- Ele quer tirar ela de mim. - Solucei sem querer.
Ele tirou seu cinto e logo tirou o meu.
- Vem. - Se levantou.
Me levantei também e fomos para o quarto do avião, me sentei na cama e coloquei as mãos no rosto, chorando todas as lágrimas que eu havia segurado.
- Ele não vai conseguir. - Justin disse me abraçando.
- Justin, ele é advogado e o avô dele foi juíz, ele mesmo me disse isso.
- Você não sabe se é verdade.
- Estou com tanto medo.
- Vai dar tudo certo, eu vou estar ao seu lado.
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Angel
FanfictionSurpresa! Algo inevitável aconteceu, duas almas carentes se encontram, mas não sabem que se completam. Angel luta para criar a filha, Justin luta para conquistar a confiança de seu pai, ambos buscam o sucesso, mas de modos diferentes. Viva a moda! Q...
