Catarina corre atrás do restante da tropa, mas a distância entre eles só fica maior. O dever do dia era correr quase 1 km carregando três baldes. Que tipo de lição idiota era aquela? Catarina mal podia conter a raiva. Raiva dessa lição idiota e mais raiva ainda do fato de estar ali há quase quatro meses e não ter evoluído em nada. Todos os outros já tinham melhorado em alguma área e ela estava se tornando pior a cada dia. Não conseguia mais um número grande de flexões, não conseguia alcança-los em uma corrida e começava a duvidar até mesmo de suas habilidades com o arco.
O que estava acontecendo com ela? Catarina estava vendo o momento em que Heitor mandaria aplicarem suplemento nela, todos os que tinham recebido já estavam mais fortes e melhores. Tirando o fato de que nem podia olhar para Heitor, ele pegava tanto no seu pé que ela tinha que lembrar a si mesma que esse era o seu trabalho, porque o ódio que sentia por ele ficava perto de voltar a cada bronca que levava.
Por fim, desistiu e caiu no chão quase derramando um pouco da água dos baldes. O que iria acontecer com ela se não conseguisse completar a prova, afinal? Ficou sentada e então viu Heitor voltando.
– Que desgraçado! – Ela fala mal, baixinho.
Heitor para a sua frente.
– Algum problema, soldado? – Ele pergunta.
– Sim, estou com muitos problemas, senhor. – Responde Catarina, cerrando os dentes.
– Poderia explica-los? – Heitor pergunta com voz calma, mas Catarina sabe que ele está controlando a raiva.
– Bem, para começar: Que prova ridícula é essa? – Ela pergunta. – Carregar baldes? Onde vamos precisar disso?
– Está questionando meus métodos? – Ele pergunta.
– Estou. – Responde sem hesitar. – O senhor não gosta de ser questionado?
– Não tenho problema em ser questionado, soldado. – Ele responde. – Mas não posso deixar de pensar que essa sua reclamação é fruto da sua incapacidade. Você não consegue fazer isso e por isso está questionando meus métodos.
Catarina cerra os dentes e levanta do chão, para pegar os baldes. Ela iria terminar aquela tarefa.
– Não. – Heitor a impede, pega os três baldes dela e junta aos seus. – Vá até seu dormitório, tome um banho e arrume suas coisas. Mandarei alguém chama-lo para termos uma conversa. – Ordena e volta a caminhar, carregando seis baldes cheios de água e nem parece ter dificuldades com isso.
– Exibido! – Ela diz, revirando os olhos.
• • •
Catarina caminhava de um lado para o outro. Tinha feito exatamente o que Heitor mandou: Tomou banho e arrumou suas coisas. O que iria acontecer com ela? Seria mandada embora? Achava que sim. E se fosse, não era isso que ela queria? Então por que estava se sentindo tão derrotada?
Esperou no dormitório até que alguém fosse chama-la, o que pareceu demorar uma eternidade.
– Soldado Dorkein? – Alguém chama. – O comandante quer encontra-lo.
– Tudo bem! – Diz com um suspiro e caminha até a sala de Heitor.
Ele também está de banho tomado, usa uma blusa amarela, seu cabelo está molhado e desgrenhado. Se Catarina não estivesse com tanta raiva dele, poderia até dizer que estava bem bonito.
– Queria me ver, comandante? – Ela pergunta, provocando.
– Sente-se. – Ordena, claramente controlando a raiva, e Catarina obedece. – Vou fazer uma pergunta e quero que seja sincero.
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2 - Sobre Meninas e Desejos
Teen FictionLIVRO 2 Sinopse: "O tempo no Vale dos Lobos acabou, agora cada um precisará seguir seu próprio caminho. Enquanto alguns continuarão lutando para se manterem vivos, outros devem enfrentar diferentes tipos de batalhas. E todos terão que fazer isso p...
