Cap 32

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Capítulo 34 - Cap 32

– Acabei de revisar o seu artigo sobre a Supergirl. – Digo entrando na sala da senhora Bullock, encontrando a mesma bebendo uma taça de champagne.

– Pode começar a me elogiar. – Diz cruzando as pernas.

– Bem, a escrita é... – Fiquei olhando para o papel. – A escrita é linda. Lírica. Como o que se lê na faculdade de jornalismo.

– Eu notei claramente uma leve subida de tom, o que sugere hesitação, vacilação e talvez ambivalência? – Diz séria e um pouco irônica.

– O tom não é um pouco... – Fiz uma careta. – Maldoso? – Senhora Bullock me olha incrédula. – Quero dizer, a manchete. '' Heroína Y, toda geração tem o super-herói que ela merece''.  A Supergirl não te disse sua idade, então como sabe a geração dela?

– Bom, se ela não é dessa geração, quero o nome do cirurgião dela. – Ela bebe mais um gole de champagne.

– E esse trecho? ''Ela incorpora os piores traços de sua geração. À vontade sem propósito, a crença inabalável de que ela deve ser ouvida, mesmo não tendo nada a dizer''.

– Nada a dizer, isso é um argumento magnífico.

– Eu transcrevi a sua entrevista. Ela não é assim. Você a tirou de contexto.

– EU a contextualizei. – Eleva um pouco a voz, mas logo se acalma. – Detesto ter que dizer, mas o mundo é difícil. O que ela fará quando enfrentar uma ameaça real? Já sei, vai chamar o seu primo, igual a todos da Geração Y que ligam para os pais quando as coisas não saem do jeito que eles previam.

– Ela não vai fazer isso.

– Como sabe?

– Acho que... Talvez, o que ela queira dizer é que... – Me sento no sofá de frente para a senhora Bullock. – Quando as pessoas estão com medo, machucados ou em perigo, sempre pensam no Superman. Mas também podem pensar nela, e não apenas como um prêmio de consolação. Ela é tão heroína quanto ele, ela só precisa de uma chance para provar.

– Acho que vamos ter que descobrir.

Ficamos um tempo em silencio, até que batem na porta.

– Desculpem por interromper. – Camila diz e eu levanto do sofá. – Lauren, o florista. – Olho para ela confusa. – Para a festa. – Balança a cintura como se estivesse dançando.

– É mesmo. É melhor eu resolver isso. – Saio da sala e ela me segue.

– Zayn achou o Croller. – Camila sussurra.

– O quê? Como? – Sussurro de volta e ela para de andar, ficando de frente para mim.

– Surgiu um mofo preto em Chernobil, logo após o desastre. Zayn achou o mesmo mofo aqui em Nova York. Em um ferro velho abandonado, a 96 km ao sul. – Ela pega um papel e me entrega.

– Diga para a senhora Bullock que eu estou finalizando a festa. – Digo e começo a andar rápido.

– Lauren, espere. – Camila segura meu pulso, me parando. – Só tire o Clooney de lá, não precisa enfrentar o Croller.

– Croller não é um alienígena louco, ele é um humano que já se machucou o bastante. Mas meu primo não soube disso. Por isso eu conversarei com ele como gostaria que conversasse comigo.

– E se ele não quiser conversar?

– Vou socá-lo até ele cair. Parece sempre funcionar. – Volta a andar.

– Lauren!

Ignoro Camila e saio da empresa.

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