Seus pais

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  Mais um capítulo. Divirtam-se!  

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Depois do almoço, Letícia teve um início de tarde cansativo.

Primeiro, foi transferida para um quarto maior e mais arejado, onde não precisava mais do aparelho que lhe media os batimentos cardíacos. Transportaram-na numa cadeira de rodas; Letícia podia caminhar, mas ainda sentia dores no corpo.

Depois, foi examinada mais uma vez por Rafael e outra enfermeira, uma tal de Vânia, que substituiu Solange quando o plantão desta havia acabado. Letícia aproveitou para perguntar que tipo de acidente havia sofrido, informação que se esqueceu preocupada com sua amnésia.

- Você foi atropelada por um carro e jogada a uma boa distância – informou Rafael – Sofreu várias contusões no corpo, mas a cabeça foi a parte mais atingida. Ficou internada na UTI por quase cinco dias entre a vida e a morte. Felizmente, você reagiu e ficou estável, mas a levamos para o quarto da outra ala para registrar sua atividade cardíaca e ficar em observação. Você permaneceu num estado de coma, embora não tão profundo.

- Então... estou aqui há quanto tempo? – indagou ela

- Há quase dois meses.

- Nossa!

- Você teve sorte. Há pessoas que entram num coma profundo e nunca mais acordam e outras que retornam depois de vários anos e, geralmente, com sequelas.

Letícia não perguntou mais nada, nem os detalhes de como foi seu acidente, fá-lo-ia depois com Ricardo.

Em seguida, Rafael a encaminhou a um neurologista, doutor Tiago, para realizar um eletroencefalograma e fazer alguns testes a fim de reaver sua memória temporariamente perdida. Como nenhuma imagem ou lembrança lhe ocorresse, frustrou-se

- Não desanime – disse Tiago, para animá-la – Estamos começando hoje. Só de você estar em pleno uso de suas faculdades mentais é um bom sinal. Se sua memória não voltar hoje, pode acontecer amanhã, depois... ou em questão de dias. Há casos que duram semanas... mas é muito improvável que fique ausente por muito tempo.

- Não corro o risco de ficar assim por muitos anos... ou para sempre?

- Relaxe – ele sorriu – Essas novelas ou filmes exageram o quadro de amnésia.

- Mas existe a possibilidade?

- Não digo que não. Seria um caso em cem... e mesmo assim, o paciente recobra uma boa parte das lembranças com o passar dos anos.

- Espero que eu não seja esse um desses casos.

Logo que terminou o procedimento, finalmente, voltou ao novo quarto. Estava ansiosa por rever seus pais, embora não fizesse a menor ideia de como eram; também queria saber quantos e quais eram seus amigos. Ao mesmo tempo, estava aflita por lidar com tantos rostos desconhecidos e ser vista com certa pena por seu estado.

Odiava ser objeto de piedade das pessoas. Surpreendeu-se ao constatar como se sentia a respeito. Seria uma marca de sua personalidade?

Outra característica que havia notado em si mesma era certa percepção no tocante às emoções das pessoas em relação a ela. Por exemplo, descobriu que a tal enfermeira Vânia por alguma razão não simpatizava com ela; a mulher não fez ou disse nada que demonstrasse o contrário, até tentava sorrir, mas Letícia captou a atmosfera.

 Por exemplo, descobriu que a tal enfermeira Vânia por alguma razão não simpatizava com ela; a mulher não fez ou disse nada que demonstrasse o contrário, até tentava sorrir, mas Letícia captou a atmosfera

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