Não sei pensar sem o coração. Se a poesia não tem essa palavra citada ao menos uma vez, não é minha.
Se é minha, é porque o próprio dói demais para ser chamado. Ou então porque está descansando um bocadinho.
E, mesmo que tenha coração, não precisamos falar sobre amor. Mas na maioria das vezes falamos.
É um tema longuíquo, distante, recorrente e dolorosamente próximo.
Amor é uma bobagem tão grande que qualquer outra bobagem em forma de metáfora é aceita. Também aceitamos analogias; nunca lidei bem com a nomeação de figuras de linguagem.
Amor e coração são baitas figuras de linguagem: o primeiro é impalpável, e o segundo, na verdade, não tem nada dentro. Quem nunca cometeu a bobagem de abrir um coração de galinha e não encontrar lá nenhum sentimento!
Ah, não se permita a desculpa de que é apenas uma galinha. Se galinhas têm coração, também têm amor.
Ainda que seja um amor de galinha. Quão hipócrita seu coração é para desprezar um amor de galinha?
[Perdoa os desvios. Deve ser culpa do coração, que talvez possa carregar apenas um amor de galinha. Vai saber.]
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Ana Inconsequente
AcakUm conto, uma crônica curtinha ou um poema feito com palavras inconsequentes, muito amor e atualizações constantes. As fotos do início dos capítulos são de minha autoria ❤️ (Não deixe de conferir Ana Aleatória, que concorre ao #TheWattys2016) Feed...
