Canário
E lá vem de novo o mar:
Sujo, triste, ordinário
Com sua oração que não quer calar
"Pobre canário, pobre canário..."
Que no ensolarado da madrugada
Veio o marinheiro pelo píer andar
No braço, a gaiola dependurada
E o canário a dormitar
Era seu aniversário:
Dentro da gaiola presenteada
Estava, irreal tão perto da praia
o canário
Mas que presente-disparate!
Nas tábuas do píer, desgastadas
Repousava a gaiola e o canário
Malfadado presente de aniversário
As águas ordinárias lavam
Os pés do cansado marinheiro
E os ventos da maresia cavam
Rugas na face do marinheiro
E o canário?
Num impulso ébrio,
Amargurado
Cai com gaiola e tudo
No mar ordinário.
***
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Ana Inconsequente
RandomUm conto, uma crônica curtinha ou um poema feito com palavras inconsequentes, muito amor e atualizações constantes. As fotos do início dos capítulos são de minha autoria ❤️ (Não deixe de conferir Ana Aleatória, que concorre ao #TheWattys2016) Feed...
