(Casa)
Pode entrar
Só não esquece
De fechar
Limpar o pé
Para não sujar
Pode deixar
As mágoas no cabideiro
Logo lá, na entrada de onde veio
Não esquece de fechar
A janela da sala
Para não secar
As nuvens do lado de lá
Passa na cozinha
E me traz o amor
De caneca de porcelana
Que há tanto esqueci
E começa a subir
A escada gasta
Por tanto que passa
Não precisa nem bater
Só não esquece
De nunca mais sair
***
(Resposta)
Eu entro
Hesito e paro
Nada nessa casa
Nada me acolhe
E o silêncio pesado
Sussurra calado
O segredo das louças
A história dos armários
Vim do céu de ardósia
Em solilóquios gentis
Pulo o degrau quebrado
Nas mãos, a chávena magoada
De sentimentos pueris
A borda lascada
Tropeço, sem amparo
Espalha-se pelo piso
Em cacos a constelação
Suspiro
Da porta à frente
Igual suspiro sofrido
Sorrio
Almas de poetas que se encontram
Imaginam melhor
[Por trás da porta, um céu azul]
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Ana Inconsequente
RandomUm conto, uma crônica curtinha ou um poema feito com palavras inconsequentes, muito amor e atualizações constantes. As fotos do início dos capítulos são de minha autoria ❤️ (Não deixe de conferir Ana Aleatória, que concorre ao #TheWattys2016) Feed...
