Sinto a vibração do chão acarpetado sob meus pés e por um instante sinto o abismo gasoso que há entre eles e o verdadeiro solo, fato irrefutável comprovado pela paisagem da janela. O céu mostra-se assustadoramente belo em tons cinzentos de azul e uma transição verde fugaz entre estes e o laranja impiedoso do pôr do sol, ofuscando qualquer fonte de luz produzida pelo homem muitos metros abaixo. Cogito desenvolver um medo de altura gratuito após constatação tão assustadora, mas mudo de ideia. Perda de energia desnecessária, afinal, pois só me permito descer desse ave metálica monstruosa quando tiver certeza da estabilidade do chão.
(O primeiro de 2018, ano no qual pretendo estar menos sumida, com um título bem referência à música do Belchior mesmo)
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Ana Inconsequente
AcakUm conto, uma crônica curtinha ou um poema feito com palavras inconsequentes, muito amor e atualizações constantes. As fotos do início dos capítulos são de minha autoria ❤️ (Não deixe de conferir Ana Aleatória, que concorre ao #TheWattys2016) Feed...
