Novos Horizontes

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Eu estava no meu quarto jogando videogame, junto com a minha irmã e ouço gritos. Era o meu pai me chamando e fazendo escândalo.

— Rebecca? Venha aqui, por favor! — disse aos berros.

— Não precisa gritar alto desse jeito! Já estou indo. — digo me levantando e pausando o jogo. — O que será dessa vez?

— E sou eu quem vou saber? Você vive fazendo besteira. — disse Ariel.

— Mas eu não fiz nada desta vez, Ariel. — digo. 

— Só vai descobrir o que aconteceu se for logo lá. — disse Ariel.

Não digo nada, apenas saio e sigo em direção as escadas. Ao descer, vejo que o meu pai está na sala, ao lado de minha mãe e que haviam várias caixas perto da televisão. 

Beleza, o que é isso?

— Então, qual é do babado? — perguntei.

— Nós temos uma notícia para dar à você. — minha mãe respondeu.

— Pois então me digam logo, eu estou curiosa! — digo impaciente.

— Você e Ariel foram matriculadas no colégio interno de Ottawa. — disse minha mãe.

— E por qual motivo só chamaram a mim para dar a notícia? — perguntei.

— Porque a Ariel se conforma mais rápido. — respondeu a minha mãe.

— Não, nem pensar! Eu passei a minha vida inteira estudando aqui, por qual motivo terei que ir embora? — perguntei.

— Lá não é um colégio ruim, você irá se adaptar. — disse meu pai.

— Não é ruim? Bem, já começa sendo ruim porque eu vou passar a viver do outro lado da cidade, irei ficar presa dentro de um colégio com um monte de gente desconhecida. — digo com raiva. — Qual o problema? Por que não posso ficar aqui em Toronto?

— Porque você só faz besteira e queremos que você se afaste dessas más influências. — meu pai respondeu.

— Más influências? Sério?! — digo sendo irônica.

— Rebecca, você já foi expulsa de duas escolas. Não podemos correr o risco, isso pode afetar sua formação. — disse meu pai.

— Uma foi porque eu estava me defendendo e a outra foi por defesa também. — digo.

— Desde quando agredir aluno porque ele falou mal do seu ídolo é defesa? — perguntou, furioso.

— Pai, eu estava defendendo a Lady Gaga, eu tenho direito. E por favor, não use o termo "agredir", é muito pesado e eu só dei um soco no rosto do menino. — debochei. — Eu estava tendo um dia ruim.

— Não sei mais o que eu faço com você! — bufou. — Espero que esse colégio te dê um jeito.

— Gente, o que está acontecendo aqui? — perguntou Ariel, descendo as escadas.

— Adivinha quem vai para um internato? — perguntei retoricamente.

— Se ferrou, otária. — Ariel começou a rir.

— Do quê você está rindo? Você também vai. — digo rindo.

— O quê? — parou de rir. — Não vou coisa nenhuma! A única que precisa de um colégio interno para tomar juízo é você.

— Você também está no meio das besteiras que ela arruma, Ariel. — disse minha mãe. — Nós precisamos ter controle das duas.

— Não, não vou. — disse Ariel.

— Você vai porque eu quero e eu não vou ouvir mais nenhuma reclamação. — disse minha mãe.

— Mas que inferno! — resmungou Ariel.

— Estamos resolvidos. Partiremos amanhã bem cedo. — disse meu pai.

— Pera aí, vamos para qual colégio? — perguntou Ariel.

— O colégio interno de Ottawa. — respondi sem ânimo.

— O quê eu vou fazer na capital do Canadá? É óbvio que ninguém aqui planejou isso. — disse Ariel.

— Não é tão longe daqui de Toronto, Ariel, não comece com o drama. — disse nossa mãe.

— Pelo menos o seu namorado estuda lá, é uma vantagem. — digo.

— Verdade, tinha esquecido. — disse Ariel.

— A propósito, essas caixas são malas novas para vocês colocarem suas coisas. — disse nosso pai.

Segui para o meu quarto e Ariel para o dela. Abri meu guarda-roupa e comecei a pegar uns casacos, blusas, calças, shorts, meias, por fim meu chinelo e meus tênis.
Vou até o quarto de Ariel para saber se já havia terminado.

— Já terminou? — digo entrando em seu quarto.

— Não sabe bater não? — perguntou irritada.

— Não. — respondi. — Você terminou ou não?

— Ainda não, me ajuda. — pediu.

— O quer que eu faça aqui? — perguntei.

— Pegue algumas roupas, bonitas de preferência e coloque nas malas. — disse Ariel.

— Senta o rabo aí na cama e deixa que eu arrumo. — digo empurrando-a para cima da cama.

— Eu não quero que você arrume as minhas malas! — reclamou Ariel.

— Problema é seu. — digo.

Depois de um tempão, termino de arrumar as malas e desço com todas elas.

— Pronto, está tudo aqui. — digo. 

— Quanta mala, Ariel! — disse minha mãe, reclamando.

— Ué, já que eu estou indo "morar" lá, tenho que levar as minhas roupas. — disse Ariel.

— Não precisava disso tudo também, né. — digo.

— Cala a boca, Rebecca! — disse Ariel.

— Não sou obrigada. — digo.

— Chega vocês duas! — disse meu pai, caminhando até nós. — Deixarei as malas no carro. Lembrando-as que sairemos de manhã cedo.

— Sim, senhor. — digo.

— Gente, eu estou com fome. — disse Ariel.

— Tem aquelas besteiras lá que vocês compraram. — disse minha mãe.

— É mesmo, a gente comprou um monte de chocolate, dá para fazer brigadeiro. — disse Ariel.

— Indiretas para eu fazer o brigadeiro? — perguntei.

— O que você acha? — respondeu Ariel, rindo.

— Sobe, coloca um filme que eu já estou indo. — digo.

— Oba! Mas qual filme? Pode ser Frozen? — perguntou.

— Tá bom, pode. — digo indo para a cozinha.

Ariel sobe para o quarto, e eu vou fazer o brigadeiro. Assistimos o filme todo, e fomos dormir.



• Publicado em 2016, com revisão feita em 2021.

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