Teletransporte e primeiros contatos com a alma azul claro.

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Fomos liberados mais cedo da aula porque um professor nao veio.
Luka e Flink estavam conversando com uma menina diferente. A tal da Emily. Ela me notou e ficou nervosa aparentemente.
Eu dei um oi.
"Heya, você é a Emily?"
"Sim... Você é a Helvética?"
"Sim. Me conhece?"
"Seu irmão falou sobre você..."
"Ah sim. Ele falou de você também."

Ela tinha um lacinho no cabelo curto e usava um vestidinho azul claro.
Na nossa escola não tem uniforme.

Eu conversei com ela um pouco e ela parece aquele tipo de menina calada e que fica insegura por tudo, ou tímida.
Mas ela é legal.

Fomos pra casa e eu já sabia que ia ser bombardiada com perguntas da mãe e do pai.
Na verdade nem foi muito assim.

"Tudo bem, mocinha, o que você ia mostrar pra gente mesmo?" Papai parecia empolgado.
Eu ri sem graça. Mamãe desceu e foi pra cozinha.
"O quê? Você já vai mostrar? Ah pera aí!"
"Eu vou até ai mãe!"
"Ok então."

Fechei os olhos e ouvi o Flink perguntando
"O que ela vai fazer mesmo?"

Mentalizei a cozinha.
Abri os olhos.

"Woah! Parabéns minha querida!" Mamãe me abraçou e eu ouvi um grito de comemoração da sala.
Do nada o papai me abraçou também.
"Cuidado pra não deixar os ossos da próxima vez!"
"O quê?!"
"Sans! Não assusta ela!"
Eles riram.
"Tô zoando moleca! Você foi demais!"
"Valeu..."

"Ela sumiu!! Ela sumiu e apareceu aqui!! Como você fez isso?!!" Flink apareceu gritando da sala.
Papai pegou ele no colo.

"Mágica!"
"Wowie!" Os olhos dele brilharam. "Minha irmã é mágica!!?"
"É sim!"
"Sou?" Eu perguntei meio confusa.
"É sim!" Ele piscou pra mim. Ok, é mais complexo que isso.

Eu fechei os olhos e pensei no quintal. Fui lá e peguei a Flowey comendo outra florzinha no mato. Ela me olhou assustada.
"Te peguei."
"C-Como cê veio do nada?... A não pera... NÃO É POSSÍVEL!"
Eu tirei ela do lugar, carregando.
"EI ME LARGA SEU PROJETO DE SANS!"

Voltei pra cozinha e ela gritava alto.
Dei a flor pro Flink e ele fez um gesto de silêncio.
"Shh... Minha irmã é mágica!"
"Quê mágica o quê! ISSO NÃO É-"
"É mágica sim." Papai borrifou água nela e ela fez um barulho de gato bravo.
Flink riu da cara dela e foi pra sala desenhar.

Eu fiquei na cozinha arrumando o jantar com o papai. Mamãe tava tirando a roupa seca da secadora.

"Sabe, eu pensei que ia demorar, ou você nem ia ter isso..." Ele tava fazendo alguma coisa na panela.
"Teletransporte?" Eu enchugava os pratos.
"É. Na realidade eu não nasci com isso... Mas se você tem, então o meu caso... Foi mais sério do que imaginei..." Ele riu.
"Seu caso?"
"Seu pai quer dizer que o que aconteceu pra ele ter esse poder foi sério a ponto de afetar o DNA. Mas não tão grave matando ele."
Mamãe dobrava as roupas. A lavanderia ficava perto da cozinha. Na verdade, o armário da cozinha com itens como panelas e tijelas que não se usam todo o dia, fica do lado da máquina de lavar e da  secadora, que ficam uma em cima da outra.
"E o que aconteceu?"
"Um dia eu te conto."
"Ah pai!"
"Heh..."

"Mas é sério, como você descobriu? Na escola? Aqui?"
"Aqui em casa. Eu... Acordei de noite e quis beber água. Eu tava com sono e fechei os olhos um segundo. Quando eu abri, tava aqui em baixo." Inventei uma história boba na hora.
"Ah bom. Porque não nos disse de manhã?" Mamãe perguntou.
"De manhã foi aquela correria, né mãe?"
"Ah... Sim." Ela ainda tava um pouco triste com o acontecido e foi lá pra cima com a roupa.

"Como você soube mesmo?"
"De vocês? Eu... Li as mensagens... Fui escondida ontem lá..."
"Você é mais sorrateira que eu pensei... E engenhosa."
"Pára com isso pai. Sou nada."
Ele pegou a minha cabeça e fez um carinho no meu cabelo branco.
"Você é tudo. Tudo que eu e sua mãe sempre quisemos. Você e seu irmão..."
Fiquei calada.
"Não fique se achando menor por isso ou aquilo outro. Eu acredito em você."
Eu sorri e ele sorriu de volta.
"Agora vai ajeitar a mesa pra jantar."

Durante o jantar, eu tentei explicar pro Flink que eu não posso transformar carne moída em salsicha e nem salsicha em carne de hamburger. Papai e mamãe riam. Eles pareciam felizes, mesmo com tudo aquilo que aconteceu de manhã. Pareciam unidos. Muito mais do que antes.
Eu achei bonitinho mas sei que as coisas nunca ficam assim muito tempo.

Quando todo mundo foi se aquietar pra deitar, eu finalmente fui abrir minha mochila. Eu já tava de pijama mas ainda não tava com sono.

No fundo da mochila tinha uma coisa que não era minha...

Uma boneca. Pequena, com os braços longos e pezinhos curtos, um cabeção e ela era toda de pano, meia, sei lá. Tinha uma aparência estranha e familiar. Sorria e tinha bochechas rosadas e usava verde. O corpinho todo era verde com uma única faixa amarela na barriga.
Eu achei isso hiper estranho porque a Chara tem algumas roupas parecidas.
O cabelinho arrumadinho da boneca era parecido também.
Eu olhei mais na bolsa e achei um bilhete.

Helv,
Fiz pra você! Perdoe-me se fui muito rude ou direta com aquela história toda. Se eu tiver tempo, eu lhe dou as outras que fiz, como um pedido de desculpas.
Com amor
Tia Chara❤

Isso não me parece bom... Vou esconder isso no meu armário, só por precaução.
Olhei ela um pouco mais e vinha um lacinho azul claro no cabelo dela. E uma... Faquinha pequeninhinha de brinquedo debaixo do vestido??
Ah não, Chara, isso já tá ficando demais...

Mas eu vou guardar ela...
Ou eu mostro pro papai e ele faz ela brincar na picadora de papel ou no fogo?
Eu nem sei. Só sei que ela me dá medo.
Parece um tipo estranho de boneco de voodoo...
Acho melhor mostrar pro papai...
Sei não...

LegacytaleWhere stories live. Discover now