[Segundo Arco: Legacytale]
Eu peguei a boneca e olhei com cuidado. Pensei em queimá-la, picar ela toda, rasgar, esconder, jogar fora...
Decidi esconder. Não acho que uma boneca iria fazer alguma coisa... Mas se ela fizer, ela já era.
E também é um presente. Acho que todo presente deveria ser guardado.
Precisava dormir. Os meus pais já se aquietaram lá no quarto deles. O dia foi bem agitado...
Realmente o dia foi agitado. Chara mostrou as caras e agora eu fiquei mais com medo dela do que surpresa. O jeito que ela falou... O que ela disse... Tudo que ela disse...
Queria muito que a máquina funcionasse agora... Pra ver o vovô e o papai juntos e felizes...
Mas eu nem sei direito o que ainda falta.
Eu queria que a família ficasse mais próxima.
Me deitei e fiquei revendo as cenas na minha cabeça.
Que bom que nenhuma visão veio pra me torturar...
Senti meus olhos pesados e fechei-os, escutando os barulhos da noite.
Eu realmente preciso dormir... E isso que eu fiz.
Um sonho de novo...
Estava agora num campo de flores amarelas.
E tinha alguém comigo.
"Lembra de mim?" Ele disse. Finalmente eu pude vê-lo. Era um menino cabra, cabrito, sei lá, com um suéter listrado. Mas eu já conhecia ele.
Era o Asriel.
"Eu... Já te vi em algum lugar..."
"Sim. Eu meio que vivo no seu quintal."
"Quintal? Você não era o príncipe?"
"Eu apareci pra você assim num outro dia."
"O... Ok... O que eu tenho que fazer?"
"Fazer? Eu não sei... O que você acha?"
Fiquei confusa e pedi pra que ele explicasse. Ele riu fofinho e falou calmo.
"Me leve pra casa da mamãe quando formos lá denovo. Pode fazer isso pra mim?"
"Mas... Como eu vou saber... Quem é você de verdade?"
"Eu não vou querer ir, aparentemente, mas no fundo da minha essência, é onde eu quero ficar." Ele continuou.
"O-ok... Tudo bem então..."
Acordei e ouvi alguém se escondendo debaixo da cama. Me teletransportei (gente que palavrão) pra lá e era a Flowey denovo.
"Porque você fica me acordando?" Eu disse e ela virou assustada.
"GAAAHHHH!! PÁRA DE FAZER ISSO!!" Ela levantou rápido e bateu a cabeça debaixo da cama.
Eu ri e saí de lá de baixo.
Corri até o quarto do Flink e fechei a porta.
"E-eu sonhei com o Asriel e a Flowey tá debaixo da minha cama!"
Ele só tava brincando com os bonecos dele e tomou um susto.
"Ah, bom dia pra você também, sabe que horas são?" Falou calmamente.
Nove horas! Ainda bem que hoje não temos aula.
"E... Quem é Asriel??"
"Como assim quem é? Você não lembra das histórias da vovó? Ele era..." Falei susurrando "O filho dela que morreu..."
Ele abriu os olhinhos puxados dele.
"Você sonhou com alguém que morreu?"
Mandei ele fazer silêncio. Ele falou quase gritando!
"Xiiiu! Se a mamãe souber, ela vai querer que eu conte tudo pra ela!"
"E o que que tem?"
"O que que tem é que ele pediu um favor."
"O quê?"
"Ele disse pra levá-lo pra casa da mãe dele da próxima vez que formos lá."
"E a gente já viu ele por acaso? Só você que viu!"
"Poisé, mas ele disse que aparentemente iria recusar, mas na verdade, na essência dele, é lá que ele que ficar."
Ele ficou calado processando a informação.
"Ata." [insira monica no pc aki]
"COMO ASSIM ATA?? EU TÔ QUERENDO SABER QUEM VOCÊ ACHA QUE É!!"
"Bem... Ele é... Ele ué."
"Aff, você não ajuda!"
"Claro que ajudo! É só lembrar disso na próxima vez que formos na casa da vovó e quem recusar a ir a gente já sabe."
"Verdade... Você é um gênio!"
"Não é pra tanto..."
"Ah e... Bom dia."
Deixei o quarto dele e desci pra comer alguma coisa.
Depois a mamãe perguntou se a gente gostaria de ir almoçar no parque com nos tios. Claro que dissemos que sim, né? Apesar de depois eu ficar com um frio na espinha por causa de Chara, mas acho que ela não vai aparecer mais por enquanto.
Enfim, fomos logo nos arrumando e levando as coisas pro carro. Como lá nesse parque dá pra fazer churrasco, todo mundo trouxe alguma coisa.
É engraçado que os humanos não frequentam ele e a maioria do povo que vai pra lá são os monstros. Talvez porque nunca tiveram isso no subterrâneo e os humanos tem o tempo todo e não dão valor.
Por isso o nome desse parque é Underground Hill, ou Colina Subterrânea. Mas ele é cheio de árvores diferentes e plantas. O que não é tão comum pros monstros. Nem pra mim. No meu bairro mal tem áreas verdes. O quintal de casa foi eleito o quintal mais verde das redondezas, porque a mamãe cultiva plantas e flores lá.
No parque tem uma área que é cheia de cachoeiras e algumas cavernas pequenas. Ninguém humano vai pra lá porque lembram das lendas do Monte Ebott, da onde quase toda minha família veio. Mas lá é muito lindo, tem Echo Flowers, salsichas d'agua, e as "estrelas do subterrâneo" que são pedras preciosas. A água brilha e é bem relaxante, quando não assustador.
Ok, voltando pro churrasco, eram quase dez horas e a gente não tinha saído de casa. Decidimos levar a Flowey na cadeirinha antiga do Flink, que já foi minha.
O problema é que ela tá na garagem, se não no porão. Eu e o papai fomos buscar.
Ah, a garagem. O lugar que meu pai guarda as coisas menos importantes, o carro obviamente, e a antiga moto dele. Ele e a mamãe passeavam com ela no passado, mas depois que a família ficou grande eles compraram o carro.
Ela é bem bonita e ele fica me dizendo que um dia ela vai ser minha. Por isso ele fica sempre cuidando dela pra não desgastar.
"Quando você aprender a andar nela, vai ser uma raridade andando por aí." Ele apontou pra moto e eu ri.
"Isso se eu crescer o suficiente pra alcançar o negócio de dirigir e o pedal ao mesmo tempo..."
"Guidão..."
"É isso aí... Achou?"
"Ah, tá um pouco empoeirado, mas dá pra usar..."
"Isso não é problema."
"Deixa eu só... Ajeitar o cinto."
Eu fiquei olhando as coisas que ele tem na garagem. A maioria é coisa velha, em caixas de papelão, mas tem muita coisa de quando éramos pequenos. Meu triciclo, a casa de boneca velha, a qual eu destrui brincando, e o meu tropete!
Faz muito tempo, mas eu já toquei instrumentos de sopro. Eu comecei com flauta, que eu acho que ainda lembro de algo, depois eu fui pra trompete, e pro trombone. Esse último foi papai que me ensinou, pra gente fazer música incidental pros outros.
Eu ainda sei tocar. Um pouquinho.
O trompete foi só porque a gente, eu, Luka e Flink, jogamos um jogo que tinham três meninas que tocavam. Uma era piano, o que a Luka sabe tocar muito bem, a outra era o trompete e a outra tocava violino. Mas ninguém sabia tocar violino então o Flink finjia tocar com uma caixa e um lápis.
Mais isso foi à um tempão atrás.
Flink apareceu pra pegar a bike dele.
Mais tarde, no churrasco, enquanto Flink, Luka e Flowey brincavam nas bicicletas deles, eu estava sentada na mesa de piquenique (é assim que escreve?) ouvindo os outros conversarem.
Minha família não é de falar de trabalho na mesa, isso é bom, mas eles conversam de outras coisas mais divertidas e relembram o passado... E caraca, o papai e o tio Papyrus fazem um churrasco delicioso!
Quando a mãe chamou pro almoço, todo mundo sentou e eu tive que chamar o Flink e a Luka.
Eles vieram dizendo que acharam uma amiga da escola por aqui.
"A Emily! A gente viu ela com os pais dela."
"E vocês falaram com ela?" Mamãe perguntou.
"Sim! Ela tem uma irmã mais velha e elas estão com os pais."
"Eu gosto dela! É bem amigável quando não está com medo..." Luka riu.
"É. Ela é bem tímida." Flink ajudou Flowey a subir no banco.
"Irmã... Ela tem uma irmã?"
"Ela faz balé! É bem legal."
"Ok, ok, vamos almoçar agora."
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Legacytale
FanfictionQuando sua mãe Frisk e seu pai começam a se hiperatarefar com o trabalho, Helvética percebe que suas visões ficam cada vez mais cheias de sentido, Asriel e Gaster só parecem mais e mais misteriosamente certos em suas previsões, e Sans cada vez mais...
