Hoje tem aula... Que coisa... Mas eu não estou triste como na semana passada. Tudo está bem... Eu conheci meu avô, que por algum motivo que desconheço está no Void; meus pais estão bem, aparentemente, exeto pelo papai que parece exausto e mamãe um pouco estressada; o maninho tá bem... Eu acho.
Caramba... Nada está cem porcento... Mas acho que é assim que é a vida real.
Sério, eu tenho que conversar com o Flink sobre o que aconteceu semana passada... E tenho que perguntar se ele está bem...
Mas agora é hora da escola. E com isso eu quero dizer: Hora do sofrimento e tédio matinal.
No recreio, eu pedi licença pra Luka, Ruby e Sophie, e fui com o Flink pra um lugar mais calmo.
"O que foi? Fiz alguma coisa errada?"
"Não, claro que não! Fez?"
"Não, eu acho..."
Rimos.
"Flink... Sabe... Eu ainda não conversei com você essa semana."
"Verdade... E o que foi?"
"Bem..." Eu fiquei com receio de contar as coisas pra ele. É como se as palavras não quisessem sair. Eu tentei umas duas vezes mas decidi não falar.
Primeiro, ele vai falar pra Luka com certeza, e da Luka pode ir pra diretoria o que não vai ser legal. Pode ser que os caras lá inventem de ir pra cima dela ou do Flink... Não mesmo.
Segundo, eu não me sinto bem pra falar essas coisas com ele. Ele não vai entender nada e pode chorar...
Ele virou pro lado e deu oi pra uma menininha de longe. Beleza, um bom assunto pra disfarçar.
"Quem é ela?"
"Emily"
"Sua amiga?"
"Ela na verdade é uma conhecida. A gente fez grupo semana passada e nos falamos agora."
"Hm... Sei..."
"Ela disse que fica aqui na escola até tarde porque os país dela moram longe e demoram pra vir."
"Sério? Que estranho."
"Ela só é meio medrosa."
"Sobre o que que você queria falar?" Ele virou pra mim denovo. Droga.
"Era só pra te perguntar... Se... A tia Chara tá falando com você!" Foi a primeira coisa que me veio na cabeça.
"Sim... O que que tem?"
O quê!?
"Você... Tá falando com ela? Por quê?"
"Porque sim ora. Ela é minha tia. Apesar de ser.muitas vezes uma corujona..."
Eu fiquei mais curiosa...
"O que ela fala com você? Sobre o quê vocês conversam?"
"Uns negócios estranhos sobre alma..."
"A-alma?"
"É. Ela fica dizendo que tem gente que não respeita hibridismo e que essa gente tem que pagar e tal..." Eu gelei.
"E o que você diz?"
"Nada. As vezes eu ignoro ela ou respondo um ok... Alguma vez eu já fiquei querendo saber mais, mas depois eu achei suspeito e bloqueei ela."
"Quando foi isso?!"
"Ontem eu acho..."
Eu não sabia se ria ou ficava com medo. Ele bloqueou ela! Caraca eu amo meu irmão.
"E... O que ela disse que você achou... Suspeito?"
Ele se aproximou.
"Ela falou alguma coisa com você sobre uma 'ajuda'? Ela me disse que você precisava de ajuda e ela se dispôs a isso mas você negou... Você... Precisa de ajuda?"
Eu acho que sim...
"Não! Ela me disse isso, é verdade, mas eu não preciso de ajuda. Não tô em apuros!"
"E aquele dia... Que ela veio lá em casa de noite. Foi naquele dia?"
"Como... Como você soube...?"
"Eu tava acordado."
...
"Foi."
"Foi nesse mesmo dia que você ficou presa no quarto, papai mandou umas indiretas hiper diretas, assustadoramente estranhas pra ela?"
"Você ouviu tudo isso?!"
"Eu vi eles dois. Foi na direção da escada, quase do lado do meu quarto. Como eu não ia ouvir!?"
"Acho que todo mundo ouviu... "
"Menos a mamãe..."
"Ela ouviu sim. Só que ela ignora a rivalidade deles."
"Você acha que deveríamos nos preocupar?"
"Você não. Eu sim."
"Porquê?"
"Sou a mais velha. E coisas estranhas aconteceram naquele quarto quando eu fiquei presa..."
"Tipo o quê?"
"Coisas... Estranhas..."
"Hunf, você não sabe nem explicar!"
Ouvimos a campainha tocar ao longe e voltamos pra aula. Eu não sei se só essa conversa vai ser o suficiente. Claro que não.
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Legacytale
Fiksi PenggemarQuando sua mãe Frisk e seu pai começam a se hiperatarefar com o trabalho, Helvética percebe que suas visões ficam cada vez mais cheias de sentido, Asriel e Gaster só parecem mais e mais misteriosamente certos em suas previsões, e Sans cada vez mais...
