Aprendendo a se defender

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Quando voltamos pra casa, mamãe ainda não tinha chegado e só tava o papai em casa com o Tio Papyrus.
O Flink ficou um pouco feliz e um pouco nervoso... Eles queriam ensinar magia pra ele! Pra mim também mas eu disse que precisava fazer meus deveres primeiro... Tipo levar o lixo pra fora, lavar a louça, etc.

Foi aí que eu nem vi mais, se não eu ia ficar rindo muito. Eles foram lá pro quintal "treinar" mágica de esqueleto/monstro.
O Flink foi super bem quando eu fui olhar e aparentemente ninguém notou que ele já sabia umas coisas.
Os dois estavam muito empolgados. Isso é muito fofo.

Quando o Tio terminou de "brincar" de batalha com ele, com poder azul e tudo, os dois cansaram. Flink foi jogar videogame e Papyrus foi fazer... Adivinha o quê? Espaguete? Errou!
Lasanha! Que é quase a mesma coisa, só que não é.

Eu e o papai ficamos lá fora tirando os matinhos das plantas da mamãe e sentamos na varanda tomando suquinho de caixa.
"...A parte ruim de ser esqueleto é que você não pode sugar as coisas direito..." Ele comentava.
"Não que nao dê pra sugar, mas não é a mesma coisa. Por exemplo, se eu e sua mãe competíssemos de quem tomava o suco de caixa mais rápido, ela venceria."
"Ela sempre vence. Você deixa ela vencer!"
"Tá ok. Mas tenta fazer isso com o seu irmão. Ele vence."
"Verdade. Ele vence em encher balão, e apagava minhas velas de aniversário!"
Rimos.
"Eu lembro disso... Heh... O seu irmão é precioso. Cuide bem dele."
"Você diz isso todas as vezes.. Toda vez!"
"Por que é importante. Quando você crescer, ele pode ser seu único amigo."
Ele é meu único amigo.
"Ah pai..."

Ficamos olhando pro céu da tarde.
"O céu muda de cor todo dia... Quase toda hora... E eu que pensei que ele era só azul."
Fiquei calada. Eu cresci vendo o céu, ele não.

Do nada ele levantou e deixou a caixinha no chão.
"Vamos lá, mostre o que sabe!"
"Sabe o quê?"
"Mágica! Você ainda não aprendeu?"
"Bem..."
"Ah é fácil. Vem aqui!"
Levantei e fui até ele.

"Faça um ataque... Naquela flor ali..." Apontou pra uma florzinha silvestre que nasceu no mato, perto da cerca.
"Mas... Pode quebrar a cerca, sei lá!"
"Ah Helv, você tem que pelo menos saber lançar um ataque quando precisar."

Fiquei com um pouco de vergonha. Eu nunca joguei um osso em ninguém e em nada! Não quero começar assim, jogando numa flor!
"Por que não treinar mais tarde? Vamos olhar o que nossos irmãos estão fazendo!"
"Procrastinação, einh mocinha? Azar seu. Sou especialista."

Eu fiz uma careta e olhei ao redor.
Coloquei a mão à frente e apontei pro chão.
Fechei os olhos.
"Concentre-se no padrão que quer usar. Pode ser no todo ou um de cada vez..."
Eu estava tentando... Mas não o máximo.
"Determinação Helvética."

Essas palavras soaram como um incentivo. Respirei fundo e dessa vez quis com vontade.

Ele começou a rir e ficar eufórico do nada.
"Isso!! Você tá conseguindo!"
Abri meus olhos e tinha uns quatro ossos do tamanho da minha mão girando no chão em pé.
Eu me assustei, mas comecei a rir também.
"Pense num ataque diferente!"
"O-ok..."
Olhei pra coisinha que eu tinha criado e os ossinhos dobraram de tamanho, enfileirando-se, subindo e descendo.
"Isso! Parabéns amorinha!"
Ele parecia tão orgulhoso.

Eu tentei mais umas duas vezes, refazer o primeiro, de um jeito mais legal e ele foi pra minha frente.
"Olha só um pra você aprender."
Ele conjurou uma coluna de ossinhos que subiam, uma outra que descia e outra que subia denovo. No meio tinha um negócio diferente, parece uma plataforma que ia de um lado ao outro. No chão, na mesma direção, tinham ossos menores pra dificultar ainda mais.
"Pai! São... Muitos!!"
"Você consegue muito mais com a prática." Ele sorriu.
"Claro que não é desse tamanho numa batalha real.
É bem maior, mas por enquanto você não vai usar seriamente, espero."
"Ok... Também espero..."

Ele desfez o ataque e olhou pra mim ainda tentando fazer uma coluna. Parecia tão feliz.
"Muito em baixo."
"Ok..."

"Como você fez aquela plataforma?"
"Eu pensei nela."
"Mas... É só pensar e pronto? Parece difícil."
Papai riu.
"Nada é tão difícil quando você tem magia."
"Falando assim né... Parece até fácil."

Ele me olhou pensativo. Eu desfiz a coluna que fiz no ar e minha mão ficou cansada de ficar esticada.
"Você não precisa ficar com o braço estendido se já souber o ataque."
"Agora me diz?? Eu não sei nada!"

Olhou em volta e pra dentro de casa sorrateiramente.
"Então... Se você herdou o teletransporte... Quer dizer..."
"Quer dizer...?"
"Que pode ter herdado outras coisas também..."
Eu fiquei quieta.
"... E se... Você aprendesse... Um outro..."
Parou subitamente.
"Não, não... É muito perigoso."

"O que é?"
"Nada... Nada." Ele foi saindo sem me contar nada como sempre.
"Pai! Deixa eu só saber o nome! É um ataque especial?"
"Não é nada..."

"Ah que saco! Quando eu achei que a gente já tava próximo! "
Eu gritei mas ele nem virou pra mim.
"Droga..."

Sentei no chão e vi um lagarto. Tentei prendê-lo com um cerco de ossos. Pensei que ele ia subir nos ossos, mas ele bateu e voltou um pouco atordoado.
Eu fiquei atirando ossos nas ervas daninhas e vendo eles sumirem...

Eu não sei porque tô tão brava com o meu pai. Eu sei que ele é assim... Misterioso pra caramba. Porquê eu tô surpresa?
Nunca fala nada pra mim, eu tenho que esperar ele ficar com sono pra ganhar alguma informação.

... Pra ganhar do Sans, você tem que fazê-lo ficar cansado...

Porque essa ideia veio assim do nada na minha cabeça?

LegacytaleWhere stories live. Discover now