Asriel e Gaster

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Fechei os olhos por um minuto e quando abri, Asriel estava em pé na minha frente. Estavamos num tipo de caverna iluminada por cima e tinham flores douradas no chão.
"AAH! Mas o quê!?" Eu tomei um susto, claro.
"Ei, calma. Você se lembra de mim não se lembra?"
Levantei devagar.
"S-sim... Você era a flor egocêntrica meu quintal..."  Falei em tom de brincadeira e ele riu.
"É verdade. Mas eu estou aqui pra te falar outra coisa..."
Prestei atenção.

"Você tem visto Chara?"
Um frio na espinha me assustou e eu engoli seco.
Nunca mais a vi então ela pode estar fazendo qualquer tipo de coisa.
"N-não... Você sabe onde ela está?"
Ele fez uma expressão triste. Na verdade ele tem olhos tristonhos mas agora parecia mais preocupado.
"Eu a vejo e vejo tudo o que acontece entre os que amo... Mas Chara deveria estar em casa com a mamãe..."
"Ela não está? Hoje mesmo fomos lá. Eu pensei que ela estivesse no sótão..."
"Ela anda com Frisk no trabalho dela. Sua mãe não lhe contou?"
"O-o quê!? Não, ela não me diz nada!"
"Ah... Frisk é silenciosa quanto aos seus problemas... Fico feliz que ela tem Sans pra conversar..."

Eu estava surpresa e ao mesmo tempo com uma pontada de medo.
"Ela disse algo sobre problemas entre os monstros e os humanos..."
"Sim... É sobre isso que eu quero te falar. Cuidado com os humanos que você conhece. Eu sei que eles são seus amigos... Mas tem alguém fazendo os outros se afastarem de você..."
"Os outros? Sem ser os seis...?"
"As Seis Almas Humanas. Elas vão te ajudar quando precisar de verdade. Já os outros humanos são facilmente manipuláveis... Alguém vai espalhar rumores ruins dos híbridos e monstros... Já estão fazendo isso..."
Então é por isso que os caras do Consulado tão dando tanto trabalho?

"O que eu devo fazer?"
Ele ficou um pouco confuso...
"Eu... Realmente não sei direito... Mas ficar de olho na sua mãe é importante..."
Olhei pra cima e uma luz forte vinha de lá. Parecia que era um buraco no teto... Parecia que eu estava no fundo de um buraco.
Mas estava bem claro... Claro demais...

Eu não vi mais nada, só escutei Asriel falando comigo.
"Helv! Chara está fazendo coisas não muito boas! Você tem que ficar atenta!"

De repente eu acordei.
Ainda eram duas da manhã e eu tinha perdido o sono de vez...

Logo eu fechei os olhos e quando abri denovo, depois de alguns minutos, estava no Void.
Gaster me olhava com um olhar tristonho.
"Por que tem uma arma com seu nome? Eu sei que você criou mas fica até parecendo que ela é pra usar contra o senhor..."
Ele ficou calado.
Olhei por trás dele e tinha outro carinha lá longe [Lááá longe o parque tropical no ártico], junto com o de antes.

"Eles estão me seguindo também?"
"Quem?"
"Seus seguidores."
"Uh... Não, acredito eu... Helvética você tem exigido muito de sua própria força..."
Eu sabia que o negócio era pesado, cansativo e tal, mas eu não estava tão cansada assim. Me levantei do chão.

"Você ouviu o Príncipe, não ouviu?"
"Príncipe? Ah o Asriel... Sim eu ouvi..."
"Eu lhe digo logo que deve conversar com Frisk e dizer à ela sobre seus poderes..."
"O quê?? Tá maluco? Se ela souber ela vai..."
"É o jeito mais seguro? Ela vai o quê? Nunca vi Frisk lhe por castigo nenhum."
Fiquei pensando na desculpa idiota.

"Gaster, você não sabe como é lá em casa! Se eu disser que vejo outras linhas do tempo... Papai vai querer que eu explique... Mamãe pode até pensar em me levar ao médico... E se eu for começar a falar, vou chorar e..."
"Helv... Você não precisa ficar com medo." Ele pôs uma mão flutuante no meu ombro.
"Você é híbrida. Seus pais sabem que você poderia adquirir alguma habilidade única com a mistura das habilidades deles... Não precisa ter vergonha..."
"Eu... Eu não tenho vergonha! Só... Fico insegura..."
Vovô sorriu pra mim.
"Você... Tem habilidades incríveis..."
"Mas todas elas só me deixam mal... Eu só vejo tristeza..."
Ele ficou calado e se afastou.

"É um preço alto eu sei... Mas é muito melhor do que ficar cega, sem ver qualquer possibilidade. Ver outras linhas do tempo dá uma noção de como a sua linha está. Serve de espelho. Um espelho diferente, como aqueles de circo, um todo embaçado, ou trincado... Mas você sempre verá alguém de sua linha nele."

"Eu só tenho à você e Asriel pra falar sobre isso... Me sinto tão... Isolada [ISOLAAADOOOSS]
... É como se eu estivesse fala do comigo mesma...Mas... Não estou né, vovô? Não estou ficando maluca, estou?"

Sem saber muito o que fazer, só o abracei e encostei o rosto naquela coisa negra. Não era gosmento, nem frio, nem quente... Era como se fosse um pano envolto sombras, neblina. Ele me abraçou devolta encostando sua cabeça na minha.

"Não minha neta... Você não está sozinha... Nem louca."

"O que eu faço? Quero ajudar... Mas não sei por onde..."
"Você poderia fazer uma coisa que sempre faz... Ou fazia antes de parar..."
"O quê?"
"Lembra quando você tentava impedir seu pai de ir ao trabalho, por medo dele se machucar na máquina?"
"... Eu... Me lembro..."
"Eu posso te pedir uma coisa, se já não estiver sobrecarregada?"
"Não, relaxa, pode falar..."
"Faça isso denovo."

"O-o quê??"
Eu realmente não queria impedi-lo de fazer o trabalho dele, eu só queria que ele não fosse mexer na máquina de FUN. É perigoso quando se testa os números e eu fazia isso quando sabia, por um ou outro comentário que ele estava fazendo isso.
"Mas..."

Se Gaster pediu é porque algo não está certo. E eu também sei disso. Ele fica 24h trabalhando nisso e passa noites em claro...

Além disso, Chara está, aparentemente, ajudando-o por algum motivo. Será que ela também quer o vovô de volta? Ou ela quer mantê-lo ocupado assim...

CASSETE ACHO QUE ACHEI A RESPOSTA!

"Gaster, eu tenho uma pergunta antes... Você sabe onde Chara tem ficado? Ela não está na casa da vovó Toriel, no sótão, Asriel me disse..."
"Bem... Durante a noite eu não à vejo. Ela se esconde na escuridão. Mas pelo dia, ela anda passando muito tempo no Laboratório e no Consulado... Não sei bem o que ela faz... Fica oculta."
"Droga, como eu pensei!"
"Pensou o quê?"
"Ah, eu vou te dizer, mas não se preocupe! Vou vigiar mamãe e papai como se eles fossem meus filhos!"

Eu saí de perto dele e corri sem motivo nenhum, acho que só na intenção de sair do Void. Mas eu esqueço que pra sair é muito mais complicado que pra entrar...

"Helvética! Espere!"
Eu não o escutei e continuei correndo.

Sabe, acho que realmente entendi o porque de Chara estar no CeLR. Mamãe está sob pressão e papai determinado com a FUN.
Ela está vulnerável à qualquer ataque de manipulação dela e com papai ocupado, não tem como ele vir salvá-la.
E como lá tem vários monstros e humanos... Se Chara conseguir o que quer... Tem muitos LVs pra pegar...

"Se você quer sair assim de repente avise!" Ele apareceu na minha frente e eu tropecei no meu próprio pé, caindo pra frente.
Nesse cair pra frente, eu saí dali.
Apagando de vez, nem lembro o que sonhei. Na verdade eu nem quero lembrar mesmo...

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