Sexta com papai Sans (e Tia Chara)

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Acordei com uma luz forte no meu rosto...
Eu ouvi uma voz...
Juro que ouvi... Ela era tão familiar...

Ah que droga! Porque é tudo familiar?!

Minha cabeça latejava e minha barriga tinha parado de doer. Levantei devagar e pus uma mão na testa. Tinha um curativo lá. Que estranho. Eu estava na enfermaria? Acho que sim. Não tinha ninguém comigo.
Minha mochila estava no pé da cama e aparentemente minhas coisas todas estavam lá também...
Ok, isso foi estranho...

Eu percebi que a minha camisa tinha uma mancha de sangue discreta...
Ok, ok.
Saí daquele lugar e do lado de fora, a enfermeira trazia umas caixas com o estoque do mês... Ela ficou surpresa de me ver saindo.
"Uhn? Você estava lá dentro querida? Mas... Estava trancado. Tudo bem?"
"Anh?? Ah, sim. Eu... Eu tô bem."

Corri pra fora. Era hora da saída!
Luka e Flink esperavam lá fora impacientes. Eles não sabem de nada. Não vão saber...

"Helv!" Ouvi alguém me chamar. Era a Sophie e a Ruby.
"Obrigada mesmo por ontem! Desculpe, mas não vimos você mais cedo. Você... Está bem? Tem um curativo na sua testa..."
Eu lembrei disso e escondi com a minha franja.
"Ah, eu me cortei."
"Ah bom..."
"E o que é isso na sua camisa?" Ruby segurava a mão esquerda de Sophie com sua mão direita.
"É ketchup."
Elas riram.
"Ok, então até semana que vem!"

"QUE DEMORA!" Luka foi andando na frente. "Vamos logo!"
Flink não reparou no meu curativo na testa. Eu escondi ele debaixo da franja.
"Não sabia que você trazia ketchup pra escola..."
"Heh, heh... Deu vontade..." Eu pisquei.
Ele fez uma cara de repreensão.
"Esses seus péssimos hábitos alimentares..."
Rimos... Ele não desconfiou...

Em casa, o que eu mais me assustei e fiquei surpresa foi que o papai estava lá e a mamãe não.
"Papai!!" Flink chegou correndo. Eu tentei me esquivar. Queria ir no banheiro... Precisava.
"Cadê a mamãe?"
"Ela tinha umas coisas pra fazer agora.... Mas logo ela está voltando!" Ele tentou carregar o mano.
"Eita, você tá ficando pesado, kiddo... Heh he."
"É que eu quero ficar forte!"
"Que nem o papai?"
"Nah. Que nem o Tio Papyrus!"
"É... Realmente é melhor..."
Eles riram alto e eu já estava no banheiro.
Hunh! Me sinto suja. Eu fui logo tomar um banho...

Durante o banho, fiquei relembrando as visões que tive e tentando lembrar o que a voz que ouvi tinha dito...
Ela me lembrava a voz da Tia Chara, por algum motivo.
A água estava muito fria... Ou o tempo que estava começando a ficar frio?

Desci depois de pronta e nem pude ver televisão. Já estava ocupada. Apesar de que eu e o papai vemos quase os mesmos canais. Mas ele só estava sentado no sofá mesmo. Tinha um tipo de caderno de anotações e ficava rabiscando umas coisas nele.
"Oi..." Me aproximei.
"Heyo..."
"... O que tá fazendo?"
"Coisas..."
"Que tipo de coisa?"
"Bem... Tentando achar alguma variável que me deixe mudar o FUN sem mexer em outros eventos importantes..."
AH PAI EU ODEIO ISSO! Ele fala tudo o que vai fazer de um jeito que não dá pra entender, pra a gente não perguntar mais nada...

"E você? Como foi hoje?"

As imagens das coisas que aconteceram passaram pela minha mente como flashes... Minha cabeça doeu denovo.

"Foi... Comum..."
"Uh... Sei..."
Silêncio. A tevê estava baixa e dava pra ouvir Flink e Flowey conversando lá fora.
"Pai... Você ficaria bravo se eu fizesse uma pergunta?"
Ele me olhou surpreso.
"Claro que não! "
"Então posso?"
"Vá em frente..."
"Porque você odeia a Tia Chara?"

Ele ficou em silêncio uns segundos e me olhou com uma expressão séria e ao mesmo tempo espantada com a pergunta.
"Como... Você sabe disso?"
"Cara, tá na cara! É óbvio! E você tá fugindo..."
Ele soltou uma risada fraca.
"Não confio nela."
"Porquê?"
"Ela me enganou. Ela enganou todo mundo."
"Como você soube? O que ela disse?"
"Ok, chega de perguntas..."
"Ah não pai! Responde! O que ela fez?! Você já viu ela fazendo algo errado?"
"Sim, claro... Mas agora chega ok?"
"Pai! Porquê o senhor não me conta?"
"Você ainda é muito nova."
Ele tentou levantar mas eu o segurei pelo braço.
"Papai! Eu não conto pra ninguém! Me fala!"
"Helv, chega..."
"Pai!"
"Helvética!"
"Sans!"

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