Cheguei em casa exausta. Parece q tinha mais coisa na minha mochila quando voltei do que quando fui.
Abri pra tirar as coisas e me deparei com outra coisa que não era minha.
Outra boneca. Parecida com a anterior, só que com uma faixa na cabeça laranja e luvas laranjas.
Olhei bem pra não ter nenhuma surpresa, mas ela parece mais inofensiva do que a do lacinho.
Guardei junto da outra. Será que a Chara vai me dar mais? Tipo uma coleção? Ela que faz essas coisas? Parece de pano, mas eu nunca vi nenhum pano parecido com esses. Mas eu não sou costureira então pode ser isso.
Fui pro Void rapidinho pra encontrar com o Gaster.
"Vejo que você já teve contatos com o príncipe do subterrâneo."
"Asriel? Sim, eu acho."
Sentei no chão do lado dele.
"Como soube que ele é Flowey agora?"
"Eu... Fui por chute? Ah... Eu ainda não entendi como ela pode ser ele... É uma flor! E um cabrito!"
Ele sentou a mão na minha cabeça devagar fazendo cafuné.
"Quando Asriel morreu, seu pó caiu sobre as flores. Tempos depois, um experimento com a Determinação deu vida à uma dessas flores. Essa é Flowey."
"Ela... Tem a mente dele agora?"
"Flowey possui todas as lembranças dele, mas ela não tem sua alma. Então, não pode ter sentimentos como empatia, amor, amizade... Ela não consegue ser gentil, paciente ou ter nenhum sentimento bom..."
"Hm... Então... A Determinação sem uma alma cria isso? Um ser mau?"
"Não exatamente. Mau é uma palavra muito... Relativa. Digamos que muita Determinação sem uma alma, que filtra os pensamentos, ações e sentimentos daquele monstro ou humano, faz qualquer um ficar viciado, egoísta, e encegueirado. É realmente muito perigoso."
Eu fiquei calada. Encostei minha cabeça no corpo amorfo dele e fechei os olhos.
"Eu... Tenho muita coisa pra te perguntar... Mas eu não consigo falar tudo..."
"Fale o que mais quer saber primeiro. Mas saiba que eu não sei de tudo que existe e está acontecendo. Nem tudo é o que parece."
"Eu... Queria saber mais sobre... A máquina do papai."
Ele ficou calado.
"Ele não anda falando mais sobre, mas eu sei que é perigoso. Eu tenho um relatório, mas não entendo as planilhas... Queria que eles fossem francos comigo. Eu queria... Que o papai falasse comigo sobre, sabe? Eu nem sei o que 'eventos importantes' são pra que ele tenha tanto cuidado com isso. Porquê ele não me explica?!"
"Talvez ele queira te manter longe do laboratório e seus experimentos para te manter segura. Ele não quer que você seja afetada com as coisas que ela pode fazer... O FUN é perigoso."
"Eu... Sei disso. Mas... E se ele estiver... Esquecendo o mais importante? E se ele estiver se perdendo? Ele nem descansa direito e volta pro trabalho..."
"Helvética, você deveria conversar com ele. Puxe-o pelo braço se for preciso. Tenha Determinação."
"Mas... Determinação não é perigosa?"
"Você tem alma não tem? Qual seu LV? Um não é? Não há o que temer."
"LV?"
"Pergunte pro seu pai o que é. Ele sabe muito bem explicar."
E eu acordei do Void. Caindo de sono, dormi de uma vez. Que droga. Parece que eu vou ter que arrancar respostas do papai mesmo... E possivelmente não vou conseguir muita coisa...
Mas eu não ligo. Só quero saber da máquina! Porque Chara se interessou? Porque ela o ajudou?
Mas que saco.
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Legacytale
أدب الهواةQuando sua mãe Frisk e seu pai começam a se hiperatarefar com o trabalho, Helvética percebe que suas visões ficam cada vez mais cheias de sentido, Asriel e Gaster só parecem mais e mais misteriosamente certos em suas previsões, e Sans cada vez mais...
