Quando mamãe e papai desceram do quarto nós todos fomos pro carro em direção à casa da vovó. Eu não sei pra quê mas me poupei de perguntar porque Flink já fez isso pra mim.
"Porquê mesmo que nós vamos pra casa dela, mamãe?"
"Preciso conversar com ela sobre uns assuntos. Vocês podem ficar brincando com o tio de vocês."
"Ah, ok."
Fiquei sentada no sofazão macio da vovó e Flink e Papyrus foram treinar/brincar de ataques mágicos.
Mamãe foi falar com a vovó na cozinha e papai olhava umas fotos em cima da lareira, na sala onde eu estava.
"Pensei que você ia lá também..."
"Prefiro não me meter nesses assuntos..."
"Que assuntos são?"
"Coisas do trabalho..."
"Tipo quais?"
"Problemas. Você não precisa se preocupar com isso..."
"Mas e se vocês..."
"Não, Helv, tá tudo bem. Você não precisa se preocupar..."
Ele repetiu me olhando sério.
Eu me calei mas fiz uma cara emburrada, virando o rosto pra janela. Dava pra ver o mano e o tio brincando.
Ele sentou do meu lado, suspirando. Eu não olhei pra ele.
"Porque você é assim?"
"Assim como? Cabeça dura?"
"Não... Curiosa..."
Eu ri forçado.
"Sei lá. Você que me criou."
"Você fala como se fosse um robô que eu fiz..."
As vezes eu me sinto assim...
"Você ligaria pra mim se eu fosse um robô..."
Ele ficou calado surpreso. Tinha um pouco de tristeza no seu olhar. Eu evitei encará-lo.
O que eu disse?? Caramba porquê eu fico assim, cheia de raiva dele do nada!? Com certeza ele acha que eu não o amo... Por ser tão grosseira...
Me arrependi de ter dito isso...
"Desculpa, pai... Eu não quis dizer isso... Eu..."
"Não, tudo bem filha... Eu sei que você acha que não te dou atenção o suficiente..."
Eu engoli seco e a culpa me consumiu.
"N-não! Não é isso!"
"Sim, é sim... Eu sei disso. Você tem raiva de mim não é?" Ele sorria da maneira mais dolorosa que já tinha visto.
"Papai, não! Eu não te odeio! Eu só... Não queria que vocês ficassem nisso que estão!! É doloroso ver... Eu sinto que tem algo errado!"
Ele suspirou e pôs a mão na minha cabeça, passando meu cabelo pra trás.
"Eu realmente não queria dizer isso... Mas você está mais do que certa."
Ele sorriu e me deixou um beijo na testa, levantando e indo pra cozinha.
Fiquei parada olhando-o ir com algumas lágrimas no rosto. O que isso significa??
Me afundei no sofá e olhei pro teto.
Tinha uma linha brilhante lá.
Estiquei a minha mão e peguei.
Estava tudo escuro. Olhei pro chão e vi muitas flores Echo, muitas mesmo. Ao longe tinha alguém... Escuro e branco...
Virou rapidamente.
Era... O Gaster!? Vovô Gaster??
"Gaster!" Eu gritei pensando que ele iria me escutar.
De repente ele vira pra mim e eu levanto ficando de pé.
Uma coisa muito estranha aconteceu. Eu vi o meu pai... Mais novo. Mas era como se ele saísse de mim, ou viesse de trás de mim, sei lá. Ele foi até a frente do vô e ficou lá.
Eu andei mais perto, ou senti que andei, já que minhas pernas não se mexiam.
Os dois se encaravam assustados.
E era como se ouvissem algo ao longe...
Um grito, pedido de ajuda...
Os foram se aproximando e o papai... Digo... O Sans... Queria ir atrás do som desesperadamente.
Gaster o segurava pelo braço.
Ele estava com raiva do pai e começou a discutir.
"Ela precisa de ajuda!!"
"É o destino dela! Ela é humana!"
"Eu não ligo!! Ela está em perigo!"
"Volte pro laboratório. Agora!"
"NÃO! EU TE ODEIO! Me deixa ir!!"
"Volte... Ela vai ficar bem. Ela tem a Determinação."
"Mas se a alma dela for roubada!? Me deixa ir!!"
Ele segurava o filho pelo capuz da jaqueta azul.
"Não temos mais tempo!"
Então, de repente, a escuridão cobriu Gaster e começou a subir o esqueleto.
Os dois ficaram grudados de uma maneira estranha.
Até que pareceram fazer uma outra forma com seus corpos... Se fundiram!
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Legacytale
FanfictionQuando sua mãe Frisk e seu pai começam a se hiperatarefar com o trabalho, Helvética percebe que suas visões ficam cada vez mais cheias de sentido, Asriel e Gaster só parecem mais e mais misteriosamente certos em suas previsões, e Sans cada vez mais...
