*aqui está o novo capítulo. emocionem-se*
Esse foi o momento em que morri.
Senti os segundos a passarem lentamente, senti o meu coração a ser esmagado e torturado a cada segundo que passava. A dor aumentava não deixando espaço para nenhum outro sentimento, não sentia nada sem ser aquela dor e perda que me destruíam por dentro.
Normalmente, as pessoas choram ou gritam consoante a dor que sentem, porém, a minha dor era tão grande que nem chorar nem gritar era suficiente para me aliviar, nenhum dos dois era adequado àquilo que sentia. A única coisa que consegui fazer foi ficar parada de pé a olhar para o vazio até perder as forças e cair de joelhos no chão. As lágrimas escorriam pelo meu rosto como se de uma cascata se tratasse, gritos de agonia e lamentos acumulavam-se na minha garganta tornando a respiração difícil. O meu coração dilacerado implorava a todas as entidades sagradas existentes e inexistentes que aquilo fosse mentira, era demasiada dor para que eu a pudesse enfrentar.
Apesar de saber que era verdade, recusei-me a acreditar. Sentia que, quando reconhecesse que Taylor tinha morrido, o meu corpo morreria também. Afinal, de que servia a minha vida depois de ele ter partido?
Por acaso, naquele momento, a morte parecia uma boa opção, mas eu sabia que não me iam deixar morrer, primeiro tinha de sofrer e só depois poderia descansar. Bem, eu já estava a sofrer, talvez aquele sofrimento fosse suficiente, mas ainda tinha de passar algum tempo até a Morte ter pena de mim. Imaginei o quanto ela se estava a deleitar ao ver o meu sofrimento, eu devia ser a coisa mais divertida que ela tinha visto em séculos de existência.
Apesar da insistência da realidade em ser aceite Taylor prometera que ficaria comigo e eu recusava-me a acreditar que fosse mentira. Reuni todas as forças que ainda me restavam e levantei-me.
- Posso vê-lo? – perguntei, ainda com as lágrimas a escorrerem pelo rosto abaixo.
- Sim, claro. Siga-me! – disse.
Parecia surpreendido, tal como eu. Todos sabiam que vê-lo morto era mais do que podia aguentar, por isso agarrei-me à ideia de que Taylor estava vivo, mas a dormir, à espera que eu o acordasse.
Segui o médico e, já a meio do corredor, parámos em frente a uma porta; nesse momento, o médico hesitou, parecia estar a reflectir sobre se me devia deixar entrar ou não. Passado algo tempo acabou por abri-la. Entrei e ele fechou a porta, deixando-me sozinha com o vulto que se encontrava por debaixo do lençol branco da cama que estava à minha frente. Dirigi-me até à cama, puxei delicadamente o lençol para baixo até deixar o corpo de Taylor descoberto até aos ombros e comecei a chorar outra vez, ainda mais violentamente, quando vi o cadáver duro, branco e frio que estava diante de mim. Nesse momento a esperança desapareceu e no seu lugar ficou uma rejeição obstinada da realidade. A minha mente e o meu coração apenas me diziam: “Ele prometeu e deves acreditar!” Sem dúvida que era isso que me mantinha viva naquele momento. Supliquei-lhe, vezes sem conta, que acordasse, mas ele mantinha-se imóvel. Sentia-me como se estivesse dentro do Romeu e Julieta, só que numa versão ainda pior, pois esta Julieta não tinha veneno nem espada nem nada que pudesse acabar com o seu sofrimento.
Pensei numa maneira de acreditar e lembrei-me que talvez Taylor gostasse de acordar em casa. Claro! Era um bom plano e fez-me acreditar um bocadinho. Tinha de acreditar que ele estava a esforçar-se para acordar e que precisava da minha ajuda.
Já estava lá dentro há vinte minutos, preparava-me para sair e fazer as minhas exigências, quando o médico entrou no quarto. Pela sua expressão, percebi que já tinha pensado na possibilidade de eu ter desmaiado ou de ter tido uma paragem cardíaca com o choque. Exibia uma expressão preocupada, que logo se descontraiu ao perceber que eu estava de pé e, infelizmente para mim, de boa saúde. O médico ia começar a falar, mas interrompi-o antes da primeira palavra.
- Tenho de lhe pedir um favor. – comecei. Reparei na expressão desconfiada dele mas não deixei que isso me incomodasse. – Gostaria de levar Taylor para casa, enquanto preparamos o…funeral. – hesitei na última palavra. – Não queria deixá-lo aqui, nem levá-lo já para a morgue. Acho que ele gostaria de se despedir dos seus pertences primeiro.
- Não sei se deva, menina. – disse, cauteloso. – O corpo deve manter-se a uma certa temperatura, para que não sofra nenhum tipo de alteração, até ser enterrado.
- Há ar condicionado no quarto dele. – insisti. – Por favor, tente compreender a minha posição.
- Claro, eu compreendo. – reflectiu por uns minutos, até que finalmente disse – Tudo bem, creio que com jeitinho conseguirei resolver isto. – disse ele deixando-me satisfeita com a resposta, no entanto, não o suficiente para conseguir sorrir. – Logo que chegue a casa, deite-o na cama e ligue o ar condicionado para -10º C, com a porta e janelas bem fechadas. Isso deve ser suficiente. – aconselhou.
- Muito obrigado! – agradeci. Contornei-o e saí do quarto, esperava que ele tivesse percebido o que tinha de fazer a seguir.
Fui ter com Stephanie à sala de espera e algo na minha expressão a assustou. Tentei sentir o que expressava o meu rosto, mas só o sentia sem vida. Talvez fosse isso, eu era das pessoas mais felizes do mundo desde há muito tempo, mas só porque tinha Taylor ao meu lado. Agora que ele se tinha ido embora, o que restava de mim era um corpo sem vida. Pelo menos, isso era o que afirmava o meu subconsciente, enquanto o meu consciente, que ainda se recusava a acreditar, insistia em que eu estava apenas em estado de choque e que iria ficar bem, assim que Taylor melhorasse. Dirigi-me a ela e abracei-a, queria acalmá-la, apesar de nem conseguir acalmar-me a mim.
Quinze minutos depois, vieram anunciar-me que Taylor estava na ambulância e que podíamos ir embora. Fomos no carro à frente e a ambulância com Tay seguia atrás de nós. Quando chegámos a casa, questionei-me se estávamos no sítio certo. A rua, especialmente à frente de casa, estava cheia de carrinhas. Mas não eram carrinhas normais, tinham satélites. “Que estranhas”, pensei.
Só quando saíram delas uns homens com câmaras e apareceram os helicópteros é que me apercebi do que se tratava. Era tão óbvio que se tornava embaraçoso não ter percebido desde o princípio. “Malditos paparazzi”, pensei, corando de pura raiva.
Aquele não era o melhor momento para entrevistas mas, se Taylor não podia fazê-lo, teria de ser eu a anunciar que os concertos não se iam realizar. Sabia que a Vida não me ia dispensar do sofrimento que seria assumir perante todo o Mundo que Tay morrera. Claro que não ia, eu ainda tinha de sofrer mais, muito mais.
“Quando é que o sofrimento será suficiente?”, pensei.
O portão da garagem abriu-se à nossa frente e fechou-se atrás da ambulância. Saí do carro, disse aos bombeiros que levassem o Taylor para o seu quarto e pedi a Stephanie que também fosse; eu tinha de fazer uma coisa antes de me esconder dentro de casa. Saí pelo portão pequeno e os repórteres vieram imediatamente ao meu encontro. Começaram a fazer perguntas umas por cima das outras. Nem tentei perceber o que diziam, interrompi-os e comecei a falar.
- Por favor, deixem-me falar. – disse e, por incrível que pareça, calaram-se todos. – Não responderei a nenhuma das vossas perguntas, estou aqui apenas para dizer o que o Mundo tem de saber. – disse, respirei fundo e depois continuei. - Taylor Linton morreu hoje, devido a uma paragem cardíaca; por isso, como já devem te percebido, não serão realizados os concertos que estavam marcados para o próximo dia quinze. A todos os fãs que me estão a ver agora agradeço todo o amor e apoio que lhe deram ao longo da sua carreira, e quero que saibam que ele vos amava muito e também estava muito agradecido por tudo o que fizeram por ele. Ele sempre se questionou se um simples humano era realmente merecedor de tanto amor. Vocês são o motivo pelo qual Taylor quis realizar estes concertos, para vos fazer tão felizes como vocês o fizeram a ele e, principalmente, para vos agradecer. – continuei, já com as lágrimas nos olhos, tinha decidido guardar aquela estúpida esperança só para mim – Todos nós perdemos muito hoje: um ídolo, um amigo, uma vida. Muito obrigado por toda a felicidade que o fizeram sentir, muito obrigado pelo carinho que tinham por ele, porque para ele isso era importante, sentir o vosso apoio fez com que ele quisesse enfrentar cada dia, fez com que ele sentisse que valia realmente a pena lutar pela vida. Nunca conseguirei agradecer, por completo, tudo o que fizeram por ele. Mas, mesmo assim, obrigado. – e acabei assim. Virei as costas e entrei pelo portão. Atrás de mim continuaram todos calados.
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Para sempre
RomanceEste foi o primeiro livro que escrevi e tem um grande valor sentimental para mim.. é uma história de amor com drama pelo meio e partes engraçadas também. espero que gostem e comentem para eu poder saber