capitulo 15 - Os mistérios das minhas alucinações

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*espero que gostem.. se alguém tiver alguma coisa a dizer comente, ou pode contactar-me no facebook, tumblr...*

            Taylor encontrava-se a descer as escadas tranquilamente. Olhou para mim e parou a meio, a sorrir. Via-o claramente, como se ele estivesse mesmo lá, mas não me deixei enganar, apesar de a tentação para o fazer ser enorme. Não era o verdadeiro Taylor, esse nunca mais voltaria, mas era suficientemente parecido com ele para eu conseguir matar as saudades. Soube-me bem olhar para ele, vê-lo resplandecente e feliz, embora ligeiramente transparente, mas isso não tinha importância. Aproveitei bem aquele momento, provavelmente seria a última vez que o veria assim tão feliz, e deixei que a minha mente gravasse aquela imagem magnífica: os olhos castanhos com o brilho que eu prometera proteger, o sorriso sincero e profundo… Naquele momento, Tay irradiava felicidade.

          Enquanto eu o admirava ele desceu o resto das escadas, e ficou mesmo à minha frente. Comecei a chorar violentamente, de seguida começaram a sair soluços da minha garganta. Nesse momento a minha mãe pôs-se à minha frente e agarrou-me nos ombros, perguntou alguma coisa mas eu não a conseguia ouvir. Mesmo com ela à minha frente não a olhei, continuava com o olhar fixo em Taylor, com medo que ao desviar o olhar ele pudesse desaparecer. Ele veio para o meu lado, inclinou-se para mim até conseguir fitar o mais profundo dos meus olhos, sorriu outra vez e, antes de desaparecer disse, “ Para sempre.”, com a sua voz melodiosa. Depois de ele ter desaparecido continuei a olhar para o mesmo lugar, não me conseguia mexer, e então comecei a ouvir duas vozes que chamavam por mim e que pareciam vir de muito longe. Começaram a aproximar-se, até soarem mesmo à minha frente, então virei a cara para ver quem era. A minha mãe e Stephanie chamavam-me com os rostos e as vozes inflamadas de preocupação.

            - Inês estás a ouvir-me? Sentes-te bem? – perguntou a minha mãe aflita.

            - Sim, estou bem. – afirmei. “ Pelo menos no sentido em que perguntaram” acrescentei em pensamento. Estava bem fisicamente, e era com isso que elas estavam preocupadas naquele momento, mas psicologicamente não tinha a certeza, porque uma pessoa que tem alucinações não pode estar completamente bem. 

            Ambas soltaram um suspiro de alívio ao ouvir-me responder, e quando tiveram a certeza de que eu não ia cair soltaram-me.

            - É melhor irmos embora ou perdemos o avião. – avisou Stephanie. Aquelas foram as palavras mágicas, logo que as ouvi voltei ao normal, apanhei na minha mala e dirigi-me à porta.

            Por causa do meu delírio estávamos atrasadas, mas a minha mãe acelerou o mais que pôde durante a viagem e conseguimos chegar a tempo ao aeroporto. Mal chegámos, fomos a correr fazer o check in, por sorte o avião ainda não tinha descolado. Entrámos no avião e ocupámos os nossos lugares, a viagem ia demorar pelo menos sete horas, por isso a minha mãe e Stephanie decidiram dormir um pouco. Ainda me tentaram convencer a fazer o mesmo mas disse-lhes que por enquanto não tinha sono. Depois de adormecerem comecei a reflectir sobre a minha alucinação. “E se não foi uma alucinação? E se era mesmo o Taylor, quer dizer, o espírito dele? Se calhar era mesmo ele, ou então enlouqueci de vez. Mas aquele brilho que ele tinha, parecia o brilho de um anjo. E, aliás, ele era meio transparente, eu nunca o imaginaria transparente.” Continuei a fazer-me perguntas e a tentar responder, mas não conseguia esclarecer nada, pelo contrário, cada vez estava mais confusa. Cheguei à conclusão de que assim não conseguiria chegar a lado nenhum, faltavam-me demasiadas pistas. A minha mente ficou em silêncio, até que me apercebi de que deixara escapar uma pista importante: as palavras de Taylor. Durante a alucinação, ou lá o que tinha sido, ele só tinha dito “Para Sempre.”, e não sabia bem porquê, mas eu via isso como algo importante. “Pode ter sido uma pista. Se calhar o que ele disse tem um significado oculto, ou então está ligado a alguma coisa.” Mais um mistério para eu resolver. Porque é que as pessoas não podiam ser claras no que diziam? Já estava pelos cabelos com mistérios, até já estava com dor de cabeça de ouvir os meus próprios pensamentos, e isso não era normal.

            Com todos os pensamentos que tinha na cabeça em conflito uns com os outros acabei por ficar cansada e adormeci, mas nem durante o sono me deixaram em paz. Sonhei que estava com Taylor no jardim de casa, em frente às roseiras, e a andar de baloiço. No sonho falávamos animadamente dos progressos do concerto e da casa para onde iríamos quando chegássemos a Nova Iorque. Estava calor, os cães dele tinham estado na piscina a nadar e vieram sacudir-se para cima de nós, interrompendo a nossa conversa a meio. Começámos por ficar zangados, mas depois começamos a rir às gargalhadas. Pouco tempo depois apareceu Stephanie com o lanche. Sentámo-nos os dois na mesa do jardim a comer, e ele, subitamente, perguntou o que é que eu queria de prenda de aniversário. Depois de pensar por uns instantes, respondi que queria que ele me dedicasse uma música. Ele sorriu ao ouvir a minha resposta e, nesse momento, o sonho acabou.

            Quando acordei e vi a minha mãe de pé, olhei pela janela e vi que estávamos parados, o que queria dizer que a viagem tinha acabado.

            Descemos, apanhámos as malas e saímos do aeroporto. Fomos até à paragem dos táxis e esperámos pela nossa vez. Stephanie e a minha mãe conversavam enquanto eu pensava no sonho, afinal não era só um sonho, era uma memória, aquilo tinha acontecido mesmo. Mas não conseguia perceber o porquê de ter sonhado precisamente com aquele dia, porque aquele tinha sido um dia normal, sem nada de especial. “Talvez seja mais uma pista.”, pensei, mas decidi deixar os mistérios para outra altura, naquele momento estava demasiado sonolenta para pensar no que quer que fosse.

            - O funeral já começou há vinte minutos. – comentou Stephanie olhando para o relógio. – Se não nos despacharmos, fecham o caixão.

            Ao ouvir aquilo despertei automaticamente do estado de sonolência, e passei ao estado de impaciência. Bati com o pé no chão até chegar a nossa vez de apanhar o táxi.

            Na viagem até à morgue ninguém falou, o que fez com que o tempo demorasse a passar, o que me deixou mais tensa do que já estava inicialmente. Stephanie tentou telefonar para dizer que não trancassem o caixão até chegarmos, mas ninguém atendia. Isso deixou-me ainda mais tensa, pois tinha medo de não chegar a tempo de fazer o que tinha de ser feito. Eu e Taylor tínhamos de estar unidos de qualquer maneira, e eu sabia perfeitamente o que tinha de fazer para que isso acontecesse. Mas, se fechassem o caixão, já não seria possível. Foi uma viagem muito tensa, mas depois do que já tinha aguentado, não era qualquer coisa que me deixava fora de controlo.

            Quando chegámos, saltei para fora do carro e comecei a correr, tinha de chegar a tempo. Entrei no edifício e perguntei à recepcionista onde era o funeral de Taylor Linton, e ela disse-me que era na sala 8. Agradeci e corri outra vez. Era a última do corredor. Fui contra a porta com as mãos e abri-a. Todos se viraram para mim, mas eram todos pessoas que conhecia e que, dadas as circunstâncias, não ficaram chocadas com a minha entrada repentina, pelo contrário, todos sorriram ao ver-me chegar. De certeza que tinham estado à minha espera. 

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