*um capitulo algo dramático, mas nunca ninguém disse que os efeitos do desespero não o eram*
Encontrei os bombeiros quando estavam a sair de casa, agradeci-lhes e despedi-me. Entrei em casa, fechei a porta e fui directamente para o quarto de Tay. Ele estava deitado por cima duma coisa qualquer que os bombeiros tinham posto a meio da cama e Stephanie, que já tinha ligado o ar condicionado, estava a fechar as janelas. Quando olhou para mim tinha um olhar interrogador ao qual não demorei a responder.
- Vou ficar com ele, - disse. - não te preocupes, ele acorda. – a expressão dela mudou para um sorriso de pena.
- Menina… - tentou dizer mas eu interrompi-a.
- Não digas nada, eu sei que parece tolice…mas ele prometeu. – argumentei eu. – Eu tenho de acreditar, preciso acreditar.
- Ni, sabes que não acreditas nisso. – disse ela, aquela apanhou-me – Querida, és muito mais realista que isso, aceita as coisas como são. – aconselhou-me, mas eu não queria ouvir.
- Por favor, Stephanie, vai-te embora, – pretendia que fosse um pedido, mas soou mais a uma ordem. – e não voltes cá, a não ser que te chame, não quero ser incomodada.
- Muito bem, como desejar. - disse. – Mas lembre-se de que um dia vai ter de aceitar que o perdeu e aí vai ser pior para si.
Isso não era novidade, tudo o que ela me disse já eu sabia, mas ainda era muito cedo para me deixarem morrer e eu já sentia mais dor que aquela que podia suportar, por isso, preferia agarrar-me ao único bocadinho de esperança que sentia a ser realista naquele momento.
Ela saiu e eu pus em acção o meu plano de reanimação. Iria fazer tudo o que pudesse para o fazer acordar, eu precisava que ele acordasse. Fui até à cama e tentei.
- Taylor, já estamos em casa. Podes acordar. – tentei, mas nada, não funcionou.
Continuei a implorar até que, quando anoiteceu, Stephanie veio ao quarto e tentou convencer-me a ir jantar, ignorando totalmente as minhas tentativas de reanimação. Ela devia achar que eu estava louca mas, até para mim, isso já era uma possibilidade. Disse-lhe que não tinha fome e que não queria comer e, depois de três ou quatro tentativas, acabou por desistir e foi-se embora.
Não dormi a noite toda, continuei a falar, a chorar, a cantar, até lhe fiz cócegas para ver se acordava e continuou sem se mexer. Quando amanheceu, olhei para o relógio da mesa-de-cabeceira, eram seis da manhã do dia oito de Agosto. Estava exausta, quase não me conseguia mexer por causa do sono e da fome que tinha e estava quase sem voz. Levantei-me a custo, contornei a cama e dirigi-me à janela. Pelo caminho passei pelo espelho, parecia mais um cadáver que Taylor, mas não me importei, numa altura daquelas o que menos importava era o meu aspecto, o que me chamou a atenção foi o facto de ainda estar a chorar. Lembrava-me de ter começado na noite passada, depois de Stephanie se ter ido embora, mas por acaso, não me lembrava de ter parado, mas nem tinha prestado muita atenção a isso. Na realidade não tinha importância.
Virei a cara ao meu reflexo e segui para a janela. Quando a abri veio uma brisa lá de fora bastante agradável. Estava um bonito dia no exterior da casa, céu azul, sol brilhante, calor reconfortante e os pássaros cantavam uma melodia desconhecida. Estava tão bem ali que me sentei no parapeito da janela e fechei os olhos. Comecei a pensar em coisas que fizessem Tay acordar que eu ainda não tivesse experimentado, o que era uma tarefa difícil pois já tinha tentado tudo, mas tinha de haver algo que pudesse fazer. Não me lembrei de nada, por isso recorri à repetição. Nas próximas 24 horas iria suplicar, outra vez, cantar, outra vez, falar sobre as nossas memórias, outra vez e talvez ameaçá-lo. Na noite anterior tinha subido para cima da janela e dissera-lhe que se não acordasse me atirava, esperei, fui-me aproximando mais e mais da borda, mas ele continuou sem se mexer, por isso, desisti, desci calmamente da janela e tentei suplicar outra vez. “Pode ser que hoje tenha compaixão de mim e acorde”, pensei eu, tinha de tentar tudo. E assim passou o dia, Stephanie veio três vezes ao quarto para me convencer a comer alguma coisa mas não quis.
Ao fim do dia estava completamente desesperada, já não sabia o que poderia fazer mais, sentia que se não conseguisse algum resultado satisfatório durante a noite iria enlouquecer. Passei mais uma noite sem dormir, por volta das quatro da manhã desisti, sentei-me no chão aos pés da cama e descansei a cabeça nos joelhos.
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Para sempre
RomanceEste foi o primeiro livro que escrevi e tem um grande valor sentimental para mim.. é uma história de amor com drama pelo meio e partes engraçadas também. espero que gostem e comentem para eu poder saber