capitulo 20 - A minha festa de aniversário perfeita

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*novo capitulo, espero que gostem* 

            Na manhã seguinte acordei a chorar mais do que era normal. Aquele sonho tinha sido muito mais realista e intenso que os outros, e não fazia ideia porquê, mas tinha o pressentimento de que ia ser o último.

            Olhei para o relógio, que marcava as nove horas. Tinha de me levantar e preparar para sair e organizar tudo para a festa, que começava ao meio-dia. Levantei-me da cama com um salto, tentando anular a preguiça, e vesti a roupa mais bonita que tinha, que tinha a certeza, iria agradar a toda a gente. Depois fui até à casa de banho, e arranjei o cabelo. Estava decidida a agradar toda a gente naquele dia, essa seria a minha maneira de lhes agradecer por estarem dispostos a ir à minha festa e, principalmente, por me aturarem todos os dias.

            Quando fui para a sala a minha mãe estava à procura do relógio, e o meu pai estava a ver televisão com o meu irmão. Quando me viram desejaram-me os parabéns, e arregalaram os olhos ao ver a minha indumentária. Também me sentei no sofá, à espera que a minha mãe encontrasse o relógio desaparecido. Como era costume, quando não tinha nada para fazer, comecei a pensar em detalhes que me tinham escapado nos últimos tempos. A primeira coisa em que pensei foi no facto dos meus pais nunca me acordarem de manhã, desde que regressara de Los Angeles. “Se calhar ficam à espera que eu me sinta preparada para sair do quarto, ou então sabem dos sonhos e não querem acordar-me, mas isso não é provável, porque eu não contei a ninguém.”

            Ainda fiquei a reflectir sobre aquilo até a minha mãe aparecer com o relógio posto. O meu último pensamento sobre aquilo foi que não tinha importância. Saímos de casa todos juntos, e Jonathan apareceu à porta do prédio para me levar até ao carro. Já dentro do carro esticou a mão para trás para apertar a minha e desejou-me os parabéns. Naquela semana a nossa relação evoluíra muito, pois tinha passado de obrigação por parte dele e necessidade pela minha, e passara a amizade por parte dos dois, e eu gostava disso.

            Quando cheguei a casa da minha avó recebi mais quatro abraços e, pelo menos, vinte beijos de cada um.

            O meu pai foi jogar futebol com o meu irmão, o meu avô ficou a apanhar sol, a minha avó e as minhas tias ficaram a tratar da comida na cozinha, e eu e a minha mãe fizemos as decorações.

            Os convidados começaram a chegar a partir do meio-dia e dez, sendo a Luísa a primeira.

            À medida que chegavam, o jardim ia ficando cheio, todos conversavam descontraidamente uns com os outros, e eu ia falando um pouco com cada um. Claro que depois havia as pessoas que me seguiam, como a Luísa e o Jonathan. A minha família estava sentada na mesa do jardim, a ver fotografias antigas e a rir-se das boas memórias que havia construído ao longo dos anos.

            Estavam ali reunidas todas as pessoas de quem gostava, como raramente estavam. Não importava para onde olhasse, pois via sempre pessoas que adorava, mesmo que continuasse com aquela sensação de que algo estava incompleto. Faltava o mais importante, que infelizmente não iria aparecer, por isso devia conformar-me com o que tinha, que já era muito mais do que merecia.

             Às quatro horas comemos o bolo de aniversário. E como era de esperar, toda a gente adorou, era impossível resistir ao bolo de chocolate da minha mãe.

            Às seis horas já todos os convidados se tinham ido embora, excepto a Luísa que ia ficar a dormir na minha casa.

            Ficámos a jantar na casa da minha avó, já que havia muita comida, e quando acabámos pedi à minha mãe para irmos para casa porque estava cansada, mas ela respondeu que ainda não podíamos ir, e quando lhe perguntei porquê, simplesmente ignorou-me.

            Fiquei a ver televisão até que, às nove e meia da noite, ouvi alguém a bater à porta.

            - Mãe, quem é? – perguntei surpreendida. Que eu soubesse, não estávamos à espera de mais visitas, e muito menos àquela hora.

            - Deve ser a tua convidada especial. – disse ela sorrindo-me. – Porque não vais abrir a porta? Assim ficas a saber quem é.

            - Pronto, já estou a ir. – resmunguei eu. - Não custava nada dizer quem é. – queixei-me num murmúrio.

            Enquanto me aproximava da porta uma voz começava a soar lá fora. Era uma voz linda, aguda e melodiosa, e que eu reconhecia. Parei em frente à porta sem a abrir, e prestei atenção à voz que falava, tentando descobrir de quem era. Depois ouvi uma outra voz, desta vez suave, amável e tranquilizadora. Eu sabia de quem eram aquelas vozes, mas não podiam ser elas. Uns segundos depois decidi abrir a porta, pois era a maneira mais fácil de averiguar se elas estavam mesmo ali ou se era só imaginação minha.

            Não era a minha imaginação, ao abrir a porta lá estavam elas.

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