– Paixão não é amor, né? – sussurrei, eu queria saber algo tão obvio, mas queria ouvir Meliodas dizer. Ele me olhou por mais ou menos 12 segundos, antes de responder.
– Paixão é diferente de amor. – afirmou ele com a voz rouca. – Dependência é diferente de amar. Paixão é algo avassalador, cheio de desejo. Paixão é fogo, é intenso, cheio de posse e chega muito perto do amor, porém acaba rápido demais. – eu uni os lábios, tentando conter um suspiro de decepção. – Quando só existe paixão, a pessoa vê no outro apenas um rosto bonito, corpo e andar atraentes. Isso não é amor. Amor não tem razão, nem motivos. Isso é paixão. É fantasia. Isso é besteira. É burrice. Está longe de ser amor. É psicose, loucura. Vício. Não dos bons, mas dos piores. – ele respirou fundo e pegou em minhas mãos, elas estavam trêmulas e suadas, Meliodas percebeu isso. – Agora, o que é amor? – ele esperou, querendo que eu respondesse. A única coisa que eu fiz foi torcer o canto do lábio. Meliodas sorriu e tocou no anel em meu dedo anular. – Claramente, o amor é um sentimento que não nasce sozinho. Algumas vezes ele se desenvolve a partir de uma paixão. Descobrimos que começamos a amar quando os defeitos começam a surgir, frustrando a pessoa apaixonada e fantasiosa e mesmo assim o sentimento não morre, ou, melhor dizendo, não se altera. O amor é algo mais amadurecido. Leva tempo até se afirmar. O amor é como uma plantinha que vem crescendo em terra fértil e com o passar do tempo vai criando raízes cada vez mais profundas. – ele acariciou os nós de meus dedos lentamente. – Paixão não é amor, Ellie. Mas... pode se tornar.
Eu assenti, satisfeita com a resposta bem detalhada dele. Meliodas já amou um dia, e com certeza ainda ama, ele sabe melhor do que ninguém como é expressar esse sentimento. Encolhi-me nos braços dele e comecei a inalar aquele perfume, ele já se tornara comum para mim.
– Está com fome? – ele perguntou. – Eu posso...
– Cozinhar?
– Não. Eu ia dizer que eu posso ligar para a pizzaria. Se você comer da minha comida, vai ter imediatamente uma intoxicação alimentar.
– O quê? – eu me afastei dele, rindo. – Como assim? O que quer dizer com isso?
– Quero dizer que eu não sei cozinhar, e quando tento, é um desastre completo. – ele riu de si mesmo.
– E como você vive aqui sozinho tendo de lidar com isso? Come miojo?
– Não. – ele me encarou como se quisesse rir de mim. – Eu não sei fazer miojo.
– Não sabe?
– Não. Como eu disse, desastre completo.
– Quem, por Deus, não sabe fazer um miojo? Três minutos e pronto. É tão simples, e fácil. Não é complicado. – encarei seus olhos brilhantes e aquele sorriso impactante, e percebi que nada disso importava. Porque com ele, eu poderia ser feliz, mesmo vivendo de pizza. – Tudo bem. – me espreguicei. – Você liga pra pizzaria ou eu ligo?
Voltei para casa antes que anoitecesse, Margaret e Gilthunder já tinham ido embora, tenho certeza que eles passaram na casa de Arthur para convidá-lo para ser padrinho. Isso me fez lembrar que eu me esqueci de dizer ao Meliodas que eu seria madrinha de casamento junto com o Arthur. Eu fiquei tão entretida na pizza e no sorriso dele que acabei me esquecendo de contar. Bem, eu ainda tenho tempo.
Verônica não estava em casa, o que era estranho. Ela raramente saía quando era final de semana, ela aproveitava essa folga para jogar vídeo game e ler livros ou até mesmo para estudar, mas ela não estava em casa. Procurei pelo meu pai, mas ele também não estava. Cruzei os braços e sentei no sofá com o cenho franzido. Se eu soubesse que iria ficar sozinha quando voltasse, eu teria ficado um pouco mais no apartamento de Meliodas.
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Madness
RomancePor que as coisas não vão bem entre o mentiroso, você e a chorona, eu? Amor não é sobre as lágrimas infelizes que vão junto com ele, essas lágrimas apenas machucam e deixam meus olhos secos. Eu amo esse destino. Eu quero aceitar seus sentimentos que...
