Já fazia exatamente três dias desde que Meliodas partira para Londres, sem mandar nenhuma notícia depois. Arrisquei telefonar para ele – a tentativa resultara em minutos de esperas intermináveis, que eram preenchidas por dolorosos vácuos – Margaret e Arthur tentaram me distrair, levando-me para comprar vestidos para o casamento dela que estava mais próximo do que qualquer outra coisa.
– O trabalho da madrinha de casamento é imprescindível! Você terá que me dar o maior suporte, ou seja, será o meu braço direito. – advertiu Margaret, dentro de um vestido de renda, tomara que caia impecável.
Eu estava sentada ao lado de Arthur, tinha anotado algumas coisas essenciais para o meu papel de madrinha. Eu nunca fui madrinha de casamento antes e, de certa forma, eu até estava empolgada.
– O que você tanto anota aí? – murmurou Arthur. Ergui meu celular para ele. – Deveres de madrinha de casamento? – ele leu, com uma sobrancelha arqueada. – Isso dá sono, sinceramente.
– É pela minha irmã, não posso fazer feio. – olhei para Margaret, ela conversava alguma coisa com a atendente da loja número 13 que já visitamos hoje. Eu estava sentindo bolhas em meus pés e queria ir embora.
Arthur se remexeu em meu lado.
– Ele te ligou? O Meliodas, quero dizer. Ele deu notícias?
– Não. – respondi secamente. – Não deve ter tido tempo e eu não o culpo.
“Não quero desistir de nós” ele dissera “Eu irei ver Liz, mas não pretendo ficar para sempre em Londres. Eu irei voltar. Preciso voltar. Vou voltar pra você, Ellie. Lembra da minha promessa? Não pretendo quebrá-la.”
Apertei a alça da minha bolsa com tanta força que os nós de meus dedos ficaram brancos. Arthur colocou uma mão em meu ombro e sorriu genuinamente, forcei um sorriso, agradecida por ter ele comigo agora.
– Obrigada. – murmurei.
Sonhei com o Meliodas noite passada, sonhei com nosso mundo. Sonhei, mas prometi pra mim que iria realizar este sonho com ele. Estávamos muito ocupados esquecendo o mundo real, criando o nosso próprio mundo. Um mundo onde eu e ele seriamos apenas um ser, perfeito, amoroso, vivo! Conversando sobre coisas completamente aleatórias, o desejo de ficarmos ali, estagnados no tempo era avassalador. Imaginávamos como seria uma vida toda para nós curtirmos sem preocupações, apenas aproveitando todos os momentos inesquecíveis que a vida nos dava de presente. Nosso sonho era esperar, esperar o dia em que tudo a nossa volta sumisse, sem explicações, apenas desaparecesse para que nós tivéssemos a oportunidade de começar do zero. A natureza rodeava-nos com suas formas belas e abstratas, fazendo com o que nós tomássemos o apreço da vida. Eu o olhei nos olhos e fiquei impressionada como eles contrastavam com todo aquele ambiente, que era virgem da maldade humana, desabitado por pessoas ruins. Enquanto ele me olhava, dizia que era necessário me proteger daquele mundo tão ofensivo. Que eu era inocente demais para sofrer sem necessidade, perder algo que amava. Ele sabia que não poderia me proteger de tudo, então a única coisa que ele pôde fazer era me abraçar fortemente, por um longo período eu fiquei ali, junto a ele, esperando que todo aquele sentimento de proteção acabasse. Quando ele me soltou, ele me olhou sem entender minha reação tão espontânea, então eu expliquei tudo o que eu tinha pensado, ele abaixou a cabeça e começou a chorar baixinho. Pouco tempo depois, ainda em lágrimas, ele levantou a cabeça, e disse: “Quanto tempo eu vivi sem você?”.
Esta foi à frase necessária para que nós pudéssemos dar um fim ao nosso mundo perfeito, aquele mundo que seria completamente reservado a nós. Mas infelizmente, acordei, como em todo sonho perfeito ele acabou, me dando a oportunidade de completá-lo à minha maneira, no meu mundo real.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Madness
RomansaPor que as coisas não vão bem entre o mentiroso, você e a chorona, eu? Amor não é sobre as lágrimas infelizes que vão junto com ele, essas lágrimas apenas machucam e deixam meus olhos secos. Eu amo esse destino. Eu quero aceitar seus sentimentos que...
