O tempo passa. Casamento. E um olhar sanguinário.

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A confusão da briga entre Hauser e King resultou em uma suspensão desagradável para ambos. Ban – que não deveria ter aparecido de forma alguma ali – pegou um serviço comunitário e quase apanhou do inspetor. King ficou com alguns arranhões e o olho um pouco inchado. Diane estava furiosa e queria ir atrás do Hauser pra chutar a bunda dele. Elaine estava aliviada por tudo ter se acertado, e estava um tanto feliz pelo serviço comunitário do seu namorado. Com isso, ela poderia vê-lo no colégio.

Eu estava confusa com a ligação de Meliodas, e não entendi o motivo dele dizer que iria demorar voltar, sendo que a doença de Liz era uma desprezível mentira.

“Eu não me encontrei com a Liz.”

 Essa simples frase estava vagando na minha cabeça como uma melodia infernal. Não sei por que, mas não acreditei, não mesmo. Sei que eu devia confiar nele e depositar toda a minha esperança e fé de que logo ele voltará, mas, ainda assim, é difícil.

– Ele disse isso? – perguntou Diane, incrédula, enquanto entrávamos na biblioteca.

– Disse. – respondi num fio de voz.

– Se ele disse, deve ser verdade. – interveio Elaine. – Vamos dar um desconto pra ele, andou acontecendo tantas coisas.

– É. – me encolhi. – Você deve ter razão.

O tempo passava de um jeito absurdo, assim que arranquei uma folha do calendário percebi que o mês havia acabado e que faltava apenas dois dias para o grande casamento de Margaret. Eu conseguia me ocupar muito bem com os preparativos da festa, outras vezes me ocupava com o grupo de estudo, onde só eu, Diane e King participava. Ban cumpriu todo o serviço comunitário e teve que jurar que nunca mais entraria no colégio para arrumar confusão, Elaine achou tudo isso engraçado.

O pai de Arthur estava aceitando Merlin como se fosse sua filha. Ela conseguiu unir coragem para terminar com o seu namorado traficante, e não apenas isso, ele acabou sendo preso em uma tarde de quinta-feira, Arthur não perdeu essa cena por nada e até registrou em seu celular.

Verônica assumiu compromisso com Griamor, e meu pai ficou feliz por finalmente ter conhecido o famoso “Vou Dar Na Sua Cara.”

As coisas estavam acontecendo extraordinariamente bem. Exceto pelo fato de Meliodas não ter mais me ligado. Eu encarava meu celular, querendo ligar para ele, mas o orgulho não me deixava discar o seu número. Se ele quisesse realmente falar comigo, creio que ele ligaria.

Eu não quero jamais me sentir vazia por dentro, quero apenas viver, viver intensamente o meu dia a dia, mesmo me encontrando só com os meus pensamentos. Desde aquele dia que Meliodas me ligara, eu me encontrava procurando respostas no meu subconsciente. Porque eu tenho medo e duvidas e sei que sou frágil. Quero adormecer no silêncio das minhas duvidas até as estrelas e encontrar uma resposta. Ele me abandonou para ficar com ela? Mesmo tendo prometido que voltaria, mesmo que demorasse? Eu definitivamente não sei, mas sei que sempre irei esperar por ele. Não importa o quão distante ele esteja, nem o quanto nos magoamos, meu coração sempre vai ser dele, e aonde quer que ele esteja agora, nunca será tão longe de mim.

– Pare de pensar nele! – reclamou Margaret, empurrando para mim um copo de vitamina de morango.

– Não estou pensando. – peguei o copo e bebi um pouco. Margaret era uma ótima cozinheira, e fazia uma vitamina surpreendente. – Só estou com saudades dele. Chega a doer... um pouco.

– Eu sei. – Margaret se juntou comigo no sofá e sorriu. Eu estava na casa dela, gostava de seus conselhos e ouvi-la me fazia muito bem. – A dor pode fazer duas coisas a nosso favor. Pode nos revelar, como nenhuma outra experiência da vida, e pode nos ajudar a compreender, como nenhuma outra circunstância.

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