Quando cheguei ao colégio, dei de cara com Meliodas. Ele estava no corredor coçando os olhos e assentindo a alguma coisa que Christine falava para ele. Parei por um instante e fiquei encarando aquela cena. A carta de Liz estava na minha mochila e parecia pesar uma tonelada, uma tonelada que estava me puxando para baixo a cada segundo que estava se passando. Eu não iria ler a carta, não queria invadir a privacidade alheia. Mas eu não sei realmente se devo entregar a carta para Meliodas ou simplesmente rasgá-la em pedacinhos. Eu estava muito confusa. Ban prometeu que não iria tocar no assunto da carta com Meliodas, ele disse que iria agir como se não soubesse de nada e deixou tudo em minhas mãos. Estou com a corda no pescoço.
– Oi. – Elaine estava parada em meu lado, abraçada com o seu fichário. – Diane me disse que o Ban queria falar com você, era algo sério? – ela parecia muito preocupada.
– Sim, mas não tem nada haver com ele.
– Tem haver com o Meliodas? – Elaine olhou para Meliodas a poucos passos de nós.
– Completamente.
– Ellie. – Meliodas veio animado na minha direção, meu coração começou a acelerar. Grudei no pulso de Elaine e comecei a correr pelo corredor, arrastando ela comigo. – Ei, Ellie! O que foi?! – eu não parei para respondê-lo.
– O que diabos aconteceu? – ralhou Elaine quando dobramos um corredor. Parei e respirei fundo.
– Escute – eu olhei para ambos os lados antes de continuar. –, eu recebi uma carta e não tenho a menor ideia do que fazer com ela.
Elaine ergueu as sobrancelhas.
– Você lê. – ela disse, me olhando com uma cara de quem diz “isso não é obvio?” – Essa é a parte essencial de uma carta, dela ser lida. O problema todo era esse?
– A carta não é pra mim. – admiti. – É pro Meliodas.
– Ah. É só entregar para ele então.
– Elaine, você não está entendendo. – grunhi. – Quem mandou a carta foi a Liz!
Os olhos de Elaine se arregalaram.
– A Liz? Como assim Elizabeth?
– Essa carta chegou no endereço do bar de Meliodas e Ban resolveu me dar ela primeiro, ele disse que eu ia saber o que fazer, mas na verdade eu não faço a mínima ideia do que deve ser feito. Se eu entregar essa carta pra ele, posso acabar estragando tudo, e eu tive uma noite tão maravilhosa com ele ontem.
– Sim. – Elaine sorriu. – Diane me ligou ontem mesmo para contar. Sabe o que você devia fazer? Não entregue a carta, mas também não a destrua. Simplesmente a guarde.
– Guardar? Elaine, pelo amor de Cristo, eu não vou conseguir dormir sabendo que tem algo alheio na minha gaveta. Ou eu entrego ou então destruo. Não me peça para guardar.
– Quer que eu faça isso?
– Fazer o quê? – Meliodas surgiu em meu lado, brincando de ficar na ponta dos pés e me olhando com um ar de desconfiado. – Correu de mim por quê? Virei bicho agora?
– É melhor eu deixar vocês conversarem. – observou Elaine, deu um rápido sorriso e saiu pelo corredor.
Eu me neguei a olhar para o Meliodas, eu estava olhando para frente, fingindo que Elaine ainda estava ali. Meliodas me puxou pelo cotovelo me obrigando a olhar para seus olhos verdes tão impactantes.
– Vai me dizer o que está acontecendo ou eu vou ter que descobrir sozinho? – ameaçou ele com os olhos estreitos.
– Não está acontecendo nada. – eu me afastei sorrindo e ajeitei as alças da mochila. – O que poderia acontecer?
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Madness
RomancePor que as coisas não vão bem entre o mentiroso, você e a chorona, eu? Amor não é sobre as lágrimas infelizes que vão junto com ele, essas lágrimas apenas machucam e deixam meus olhos secos. Eu amo esse destino. Eu quero aceitar seus sentimentos que...
