Outra sexta-feira, esses últimos 2 dias depois das atividades do dia das crianças, parecerem intermináveis. O dia de hoje parece que nunca mais vai ter fim. Estamos na sexta aula, e tudo o que eu mais queria, era que Ross aparecesse pela porta, dizendo que é uma emergência, e que precisa de nossa ajuda. Mas não acontece, até mesmo porque não temos notícias dele desde que ele se encontrou com Kaori, me pergunto o que eles estariam fazendo.
Já tentei de tudo para fazer o tempo passar mais depressa: conversar, desenhar, escrever e até prestar atenção na aula, mas parecia que a professora não falava nada que fizesse sentido por muito tempo. Também tentei dormir, mas por algum motivo, não consigo dormir na escola.
Esse dia pareceu demorar muito mais do que só 9 horas. Acho que o clima pode ter influenciado, diferente dos dias anteriores, hoje estava mais ameno, nublado e com uma leve garoa durante o dia inteiro, aquele dia perfeito para sentar a bunda no sofá, e assistir filmes ou séries o dia inteiro debaixo de uma coberta.
O dia finalmente acaba, e eu não estou me aguentando de cansaço e sono. Quando chego em casa, faço tudo o que preciso, tomo um banho, como alguma coisa e passo um tempo no celular, antes de desmaiar em minha cama.
Durmo tão profundamente, que não me lembro de ter sonhado com nada. Acordo às 10 da manhã, me levanto cambaleando, parecia que eu havia sido chacoalhado antes de acordar, demorou um tempo até conseguir andar certo. Paro em frente à um espelho, parecia que um caminhão havia passado por cima da minha cabeça, meu cabelo estava uma bagunça e meu rosto com marcas, mas o importante é que é sábado, e amanhã completariam 7 dias desde que visitamos o instituto.
Me dirijo a cozinha, onde o cheiro de café reinava, cai nos braços de minha mãe enquanto a abraçava, eu ainda estava morrendo de sono. Me sento em um banquinho, e começo a fazer meu café da manhã, um leite com chocolate e um pão com manteiga.
Após tomar café, me deito no sofá da sala, comecei a pensar no meu plano para o dia, que consistia em ficar no sofá mesmo, enrolado em cobertas e maratonar alguma série, anime ou filme, estava pensando até em começar Tokyo Ghoul, ou assistir novamente todos os filmes da saga de Harry Potter. Provavelmente essa seria minha única dúvida do dia, já que meus pais não tinham nada programado para fazer nesse dia.
Eu já estava na metade do 2° filme, muito bem acomodado em meio às cobertas por sinal, quando recebo uma mensagem de um número desconhecido, nela dizia para encontrar o remetente em um endereço estranho. Não ouso responder a mensagem, apenas pergunto no meu grupo de amizades se alguém conhecia o autor da mensagem. E para minha surpresa todos disseram receber a mesma mensagem, menos Laura, que nem mesmo visualizou a mensagem.
Ficamos com medo do que poderia ser, se um número estranho te manda uma mensagem dizendo para encontrá-lo em um endereço mais estranho ainda, você obviamente não obedece.
Minutos depois recebo outra mensagem, era o mesmo número novamente, ele dizia que nos conhecia, e precisávamos conversar. Pergunto no grupo novamente, e todos confirmaram terem recebido a mesma mensagem, e novamente Laura não visualizou a mensagem. Resolvemos que era melhor ignorar novamente, para o nosso bem.
Se passaram 30 minutos, e recebi outra mensagem do mesmo número, aquilo já estava me irritando, eu estava quase no final do 2° filme, e esse cara ficava me perturbando. Leio a mensagem e fico em choque, dessa vez dizia que se não fosse até o lugar indicado, ele iria nos caçar, um por um, e bem no final da mensagem havia uma lista de endereços, e o meu estava incluído.
Quando vejo, o grupo já estava discutindo sobre o assunto, todos em pânico. Após alguns minutos conversando, chegamos a conclusão de que era melhor ir até ele, do que ele vir até nós.
Combinamos de nos encontrar na rua de trás do local marcado pelo número estranho, assim chegaríamos todos juntos. Foi ainda mais difícil convencer meus pais a sair em outro final de semana, mas com um pouco de persistência, consigo convencê-los, minha vontade era dizer: " Eu prefiro ficar em casa, mas tenho que salvar minha vida, beijos."
Chego no lugar marcado e espero por todos chegarem, pela primeira vez eu havia chego primeiro. Quando finalmente todos chegam, começamos a caminhada até a outra rua, e para nossa surpresa, o endereço nos levou até um grande espaço vazio, cheio de grama baixa e um morro de pedras, e para ver todo o terreno, deveríamos passar pelo morro.
Passamos por ele sem muitas dificuldades, do outro lado o campo irregular continuava, e bem no centro dele, estava uma figura encapuzada, nos fitando com o olhar frio.
Meus pés travaram na hora, ele me dava calafrios, era como se sua simples presença nos apresentasse perigo. Falamos bem baixo entre nós, para que ele não nos ouvisse.
Nat: - Foi ele quem nos chamou aqui?
Suh: - Tô com medo gentin.
Nat: - Parece que ele tem uma aura negra, quer dizer, olha pra cara dele.
Olho novamente pera ele, dessa vez percebo uma cicatriz em seu olho, mas aquilo não parecia bloquear sua visão.
Lê: - O jeito é a gente falar com ele.
Samuel: - Mas a gente não conhece ele.
Eu: - Mas ele nos conhece, e inclusive, sabe nossos endereços.
Lê: - Então eu vou falar com ele.
Ana: - Não!
Ana tenta segurar Leticia pelo braço, mas ela pega impulso ao descer o moro, ela fica alguns metros dele, o encarando de volta.
Lê: - Foi você quem mandou as mensagens?
- Eu mesmo, só quero conversar.
Fico com medo do que ele possa fazer a Leticia, desço correndo e paro ao seu lado, tentando fazer a expressão mais séria que consigo, tentando esconder meu medo.
- Que tal uma apresentação mais direta?
Ele fecha os olhos, e quando os abre, um deles é vermelho sangue, e o olho onde a cicatriz estava, era preto. Não consigo evitar, e dou dois passos para trás, mas continuo o encarando.
- Quero os poderes de vocês, mas pelo jeito não vão entregar tão facilmente, então vamos fazer do jeito difícil logo de uma vez.
Ele começa a vir em nossa direção, as tatuagens de Leticia aparecem, e seus olhos começam a brilhar. Ela avança em direção ao rosto do demônio, mas ele segura seus pulsos, e lança a para longe.
Ele vira o rosto lentamente em minha direção, com um sorriso doentio me fitando. Ele prepara um soco muito rápido, mas consigo colocar uma asa na frente, o soco foi realmente forte. Com uma mão ele afasta a asa, e com a outra, acerta minha barriga.
Caio no chão, com o mundo girando ao meu redor, consigo ouvir os outros chegando ao fundo, o demônio corre na direção deles. Me viro para ver a luta, o demônio era muito rápido e forte, muito mais que um simples monstro de poeira. Ele consegue derrubar todos, e conforme eles se levantavam, ele os atingia novamente, eu conseguia ver o sorriso em seu rosto, aumentando cada vez mais.
Me levanto e tento correr até ele, minhas garras já em chamas, pronto para acertá-lo em cheio nas costas, mas ele desvia muito rápido, me fazendo ir para o chão, abro as asas antes que ele me alcance e tento levantar voo, me levanto alguns centímetros do chão, mas o demônio pega minha perna e me puxa para o solo novamente, e depois me lança em um desnível, fico lá, esperando a morte vir até mim, eu não tinha forças para lutar. Eu esperei, mas nada aconteceu.
Depois de um tempo, escuto ele gritando para Ana:
- Passa o celular! Já destravado!
Rastejo com cuidado para a borda do que pensei que seria minha cova, consigo ver ele pegando o celular das mãos de Ana e falando para ouvirmos:
- Agora veremos quem é a raça inferior!
Ele digita algo no celular, do ângulo que estou, não consigo ver o que ele estava fazendo. Ele apenas para no local onde estava quando chegamos, e volta para a posição original, ele parecia estar esperando alguém.
Minha visão começa a ficar turva, e então volto para mais "fundo" no desnível, eu ainda estava mal. Fico parado ali, tentando recuperar o fôlego.
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Uma vida Super-Natural
ФэнтезиEm um mundo onde todas as lendas e mitos de fato existem, um grupo de jovens que está no ensino médio descobre que suas séries, livros e histórias fazem parte de sua vida de um jeito diferente agora. Eles terão de lutar com seus demônios internos, l...