Acordo com o som de uma porta batendo. Olho ao redor ainda confuso, procurando pistas de onde eu estou. O ambiente é calmo e bem iluminado, até demais.
A cama onde eu estou não é desconfortável, mas ainda sim prefiro a minha. Existem algumas coisas ao lado da cama, não sei o que são, se parecem com equipamentos hospitalares?
- Ai ai, esses anjos ficam abrindo essas janelas pra entrar.
Só percebo a presença da moça agora, ela é alta, morena e de cabelos cacheados, vestida do mesmo verde dos pés a cabeça, provavelmente uma enfermeira, ou seja, vim parar num hospital.
Eu: - Desculpe, o que disse?
- Parece que está melhor.
A enfermeira fecha a janela e vem para mais perto de mim, sentando em um banco perto da cama que eu não havia reparado. Pelo vidro consigo enxergar o céu noturno, pelo visto eu apaguei até anoitecer.
- Aqui no hospital falamos que quando as janelas se abrem, é porque um anjo veio te visitar e te ajudar.
"As janelas desse lugar se abrem sozinhas e ela diz isso nesse tom de normalidade?"
A enfermeira sorri para mim, seu sorriso cativante é difícil de ser ignorado, então retribuo com outro sorriso também.
- Você precisa descansar antes de qualquer coisa.
Eu: - Mas o que aconteceu?
- Segundo o homem que veio aqui, uma explosão na parte elétrica da escola causou isso.
Faço cara de espanto involuntariamente, aquilo não pareceu nada natural, os chiados, as folhas e as luzes, o que aconteceu de verdade?
- Fica tranquilo, a recuperação de todos vocês foi rápida, ficamos até assustados com isso. Pelo visto o anjo fez um bom trabalho.
Ela sorri de canto e se levanta, indo em direção a porta.
- Se me der licença, tenho que ver seus amigos, uma outra enfermeira vai trazer seu jantar.
Eu: - Obrigado.
- Ah, não seria nada mau agradecer o anjo.
Ela dá uma risadinha e se retira de vez, fechando a porta atrás de si. Se um anjo me curou, acho que pelo menos um "obrigado" eu deveria dizer, além disso, não custa nada fazer isso.
"Ann... olá anjo maluco que me salvou, acho que te devo um obrigado né? Então... Obrigado"
Nada acontece. Por que eu ainda tinha esperanças de que algo pudesse acontecer?
Alguns minutos depois, uma enfermeira diferente vem, trazendo uma bandeja com algo que deveria ser comida.
Normalmente eu teria dificuldade para comer aquilo, mas eu não comi nada o dia inteiro, então apenas comer sem saborear não foi um problema.
Depois de simplesmente jogar a comida para dentro, eu não tinha mais nada para fazer, eu me sentia bem, mas ainda sim indisposto para fazer qualquer coisa, só me resta dormir, o que acaba acontecendo um tanto quanto tarde.
Apenas acordo na manhã seguinte. Com meus pais ao meu lado, me chamando. Eles estavam bem preocupados comigo e sobre o que aconteceu na escola, me perguntando diversas vezes se eu estava bem, mesmo após dizer que realmente estava.
- Mas você não lembra de nada mesmo? - Diz minha mãe, pela terceira vez.
Eu: - Já disse que não mãe, só do vento forte, o chiado e então o clarão.
Meus pais ainda não haviam aceitado o que acontecera, talvez nem mesmo eu, até mesmo porque, não obtivemos nenhuma explicação até agora.
Desde que aconteceu a explosão e eu acordei aqui, as dores haviam amenizado. Restando apenas uma sensibilidade na pele, e uma dor de cabeça persistente, como resquícios de tudo, o que me intrigava ainda mais.
Enfim tento explicar o que vi antes de apagar ontem na escola, eu havia apenas falado dos olhos de Ana, o rosto de Suellem e os olhos pretos de Laura, quando uma voz me interrompe.
- Olá?
Um homem usando apenas roupas pretas bate na porta, buscando alguma coisa com o olhar, até ele finalmente entrar no quarto, sentando em uma cadeira perto da cama.
- Eu estou aqui para explicar o que houve na escola.
"Enfim alguém para explicar melhor as coisas."
- Foi tudo parte de um problema na parte elétrica, fico feliz que todos estejam bem, não precisam se preocupar com mais nada, logo tudo estará resolvido.
"O quê?! Só isso?!"
Eu: - Não pode ser!
Minha mãe me puxa, mas eu já havia arrumado a postura para falar.
- Como não?
- Ouvi você falar sobre tatuagens tribais e olhos pretos, tudo deve ter sido parte de sua imaginação, a dor as vezes faz isso - Ele se levanta antes que eu possa responder - Tenham um bom dia.
Ele se retira da sala, me deixando cheio de dúvidas.
"Quem era ele?"
Raciocínio um pouco até me dar conta de que eu não havia falado nada sobre as tatuagens de Leticia ainda, algo está muito errado aí. Mas antes que eu pudesse protestar, meus pais direcionam o assunto para outra coisa, como dizerem que eu não deveria ter dito aquilo para o cara de preto.
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Uma vida Super-Natural
FantasyEm um mundo onde todas as lendas e mitos de fato existem, um grupo de jovens que está no ensino médio descobre que suas séries, livros e histórias fazem parte de sua vida de um jeito diferente agora. Eles terão de lutar com seus demônios internos, l...