Antes dessa história realmente começar você precisa se ambientar, não é mesmo?
Bem, meu nome é Henrique, moro em uma cidade pequena, estou no primeiro ano do ensino médio, estudo em período integral (das 7 às 16) e tenho meu grupinho na escola, não é o grupo dos populares da escola, nem dos nerds, apesar de parecer um pouco.Nosso grupo é bem unido, apesar de alguns brigas internas, mas é nisso que dá deixar adolescentes juntos por 9 horas. Nosso grupo está mais para o grupo dos esquisitos quase problemáticos, porque ele é composto por: Uma doida sem papas na língua mas com um coração enorme, que se chama Natasha; uma depressiva, com nome de Leticia; um projeto de patricinha que deu errado, pois ela é tudo, menos patricinha, nossa loira Laura; uma baixinha dramática que gosta de drama, chamada Suellem; uma quase nerd doida mas bondosa, com nome de Ana; um cara na dele mas que se irrita fácil, que é Samuel e eu, um nerd que se importa demais com as pessoas. Agora que já sabe mais ou menos quem somos, que tal irmos logo para história?
Existem dias que você sabe que não vão melhorar já nas primeiras aulas, no nosso caso, ainda era o primeiro intervalo do dia e já estávamos quase morrendo de tédio. O clima mais ameno também não ajuda em nada.
Estamos em uma mesa perto do final do pátio, ainda faltam sete aulas, mas parece que já se passaram umas vinte. As falsianes acabaram se sentando por perto, lançando olhares de desgosto para nós.
Como já estamos acostumados com esse tipo de tratamento, apenas as ignoramos por completo, além disso, nosso assunto sobre séries e coisas estranhas acontecendo pela cidade é mais interessante.
Ultimamente alguns fenômenos estranhos acabaram se tornando mais comuns na cidade. Chuvas inesperadas, quedas e picos de energia elétrica e de temperatura, além de tempestades de vento que começam e terminam rapidamente.
Eu: - Eu só queria poder dormir cara.
Lê: - Dorme ué.
Eu: - Pra você é fácil, tu dorme em quase todas as aulas.
Lê: - É só abaixar a cabeça e dormir.
Eu: - Eu não consigo dormir na escola.
Lê: - Aí já não é problema meu - Ela diz gesticulando.
Suh: - Se você não prestar atenção na aula ajuda.
Eu: - Você é de outra sala, nem sabe se eu presto atenção.
Ela lança um olhar desacreditado para mim, como se dissesse "Você? Não prestar atenção?", sem usar palavras.
Um vento mais forte corre o ambiente, fazendo um arrepio escalar minha espinha.
Samuel: - Será que o tempo vai fechar, tipo de novo?
Nat: - Se fechar é capaz de parecer verão logo em seguida.
E era verdade, as vezes esse tipo de coisa acontecia, já faz uma semana que temos que levar blusas, guarda-chuvas e protetor solar na mochila, pois de uma chuva torrencial, o tempo poderia virar um calor infernal, tudo isso em pleno setembro.
O vento frio e aleatório já foi estranho por si só, mas ele insisti em piorar, fazendo aqueles rodamoinhos de folhas secas. Sempre achei aquilo legal, e como estava se formando perto de nós, fiquei o observando sem prestar atenção na conversa ao meu redor.
Logo o rodamoinho ganha uma proporção exagerada, ganhando o tamanho suficiente para nos engolir se avançasse quase um metro. A luz do pátio varia um pouco, coisa que já estamos nos acostumando que aconteça, mas o chiado na rádio da escola, isso era novo.
Ao mesmo tempo que a luz ficou inconstante, a música que tocava na rádio da escola foi tomada por um chiado infernal e irritante, ficando pior e pior.
Laura: - O que tá acontecendo? - Ela diz colocando as mãos sobre os ouvidos.
Eu: - Microfonia?
Laura: - Micro o que?
Uma fagulha pisca rapidamente no centro do rodamoinho, poucos centímetros do chão.
Ana: - Vocês viram isso?
Nat: - Isso o que?
Ana: - A luz!
Laura: - Que luz?
A centelha volta a piscar, ficando acesa por alguns milissegundos a mais, quase imperceptível.
Nat: - Agora eu vi!
Agora o ponto de luz está piscando mais vezes, e aos poucos aumentando de tamanho. Aí que uma batalha interna se inicia dentro de minha cabeça, a curiosidade exerce grande influência sobre mim, mas eu estava com medo, sentia uma sensação estranha se revirando dentro de mim, quase como se eu ansiasse por algo, uma agitação que eu sentia antes de falar em público.
Em questão de segundos, a tímida luz que piscava como um enfeite de natal, se tornou uma esfera luminosa de tamanho ameaçador. Antes que eu pudesse me levantar, a luminosidade toma conta da minha visão, ouço o estrondo alto, e o vento passando por mim.
A explosão me joga para longe, mas ainda não consigo ver nada, está tudo claro, parece até que a luz ficou gravada em minhas retinas.
Parece que ainda estou vivendo aquele momento de novo e de novo. A sensação de ser atingido por aquela explosão percorria pelo meu corpo, como uma outra camada de pele sobre mim.
Queima, tudo queima. Parece que estou queimando em febre. As dores excruciantes me fazem remexer no chão, provavelmente deve parecer que estou tendo convulsões.
Como se esse misto de agonia não fosse o bastante, dois pontos nas minhas costas começam a doer na região da escapula, a dor é lancinante, como se duas facas fossem romper de minhas costas e sair rasgando tudo.
A dor vai se tornando insuportável, cada vez mais intensamente. Eu não consigo mais suportar, o branco cegante em meus olhos muda para um cinza mais claro, até ficar tudo preto, e eu finalmente ceder à dor.
~~~~
Aos poucos a luz invade meus olhos. Demoro algum tempo até conseguir distinguir as imagens em frente aos meus olhos, as coisas ficam menos imbassadas com o tempo.
Meu corpo ainda dói, mas não é a mesma dor de antes, meu corpo parece todo dolorido, como se tivesse sido espancado. A febre continua, com menos intensidade, mas ainda está queimando.
De longe eu vejo alguns corpos, logo raciocínio que são os corpos de meus amigos, e eles não pareciam muito bem. Natasha estava mais perto de mim, deitada no chão e segurando os braços com as mãos e fitando o infinito, em estado de choque.
Tento chamar por seu nome, mas apenas um grunhido sai de minha boca, e o esforço me deixa mais cansado ainda.
Vejo os outros mais distantes, por baixo de mesas ou do palco grande que há no pátio da escola para apresentações. Ana está com um luz nos olhos, mas não consigo ver direito, ela está os tapando com as mãos.
Laura não está muito longe de Ana, encostada em na parede, com a cabeça baixa, mas algo parece estranho, seus olhos parecem estar... negros?! Não consigo ver direito, mas todo seu globo ocular parece estar preto.
Continuo olhando ao redor, até que meus olhos parem em Leticia, ela sempre usa blusas de ganga cumprida, mas pelo que sobra de pele amostra, ela parece estar com tatuagens tribais, que parecem ficar mais claras e voltam a ficar mais escuras, ela geralmente faz desenhos em seus pulsos ou pelo braço, mas não lembro de tê-la visto fazendo esses hoje.
Continuo olhando ao redor, e vejo Suellem por baixo do palco, suas mãos a poucos centímetros do rosto, que balançava, dando a impressão de que seu rosto se desfazia e refazia a cada balançada como se estivesse borrado.
Samuel era quem parecia melhor, apenas encostado no palco, se apoiando com o braço, por sua cabeça estar baixa, não consigo ver ser rosto, mas há uma peculiaridade nele também, a ponta de seus dedos parecia preta, não, aquilo devem ser suas unhas, mas não estão numa cor natural.
Minha cabeça começa a doer também, ela lateja pela dor, e isso começa a minar ainda mais minhas forças, até que eu ceda a dor, novamente.
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Uma vida Super-Natural
פנטזיהEm um mundo onde todas as lendas e mitos de fato existem, um grupo de jovens que está no ensino médio descobre que suas séries, livros e histórias fazem parte de sua vida de um jeito diferente agora. Eles terão de lutar com seus demônios internos, l...