(capítulo fora do "normal": 2570 palavras + nota da autora)
...
Maven
Cá estava eu, trabalhando nas lavanderias, quando sinto uma vibração em meu bolso. Era Jasper ligando.
Na verdade, era uma mensagem, percebi, quando peguei meu celular, no banheiro.
"É ela, e está viva".
Então é verdade. A garota enlouquecida que deixou aquele celular na calçada e que olhou diretamente em meus olhos, é ela.
A garota que brinquei e que tenho boas lembranças, ela.
Foi a primeira garota na qual eu amei. E amei no sentido amigável, de irmãos, de melhores amigos.
Eu amava muito todos eles. O conforto que eu não encontrava em casa, eu e meu irmão achávamos na rua.
E por isso, eu devo a eles. A todas aquelas crianças que nem devem lembrar de meu nome.
E agora, Gwen di Fiori, eu irei retribuir o favor a você e a seu irmão.
Pois ainda devo algo a aquela família.
E, se ela for a culpada pela morte de Michel, eu já sei em quem devo recompensar o favor em primeiro lugar....
No último ano em que morei naquele bairro, começando a ver marcas nos braços de minha mãe, e estava começando a perceber que meu pai era diferente quando minha mãe se reunia a família e que ela quase sempre tinha medo.
Ao mesmo tempo, na escola, meu irmão era agredido com palavras e violência. Ele era cativante, amigável e legal. Também um pouco distraído (dislexia ainda não era tão conhecida e tratada) e era uma criança pequena, como eu, como todos os meus amigos de bairro. Em exceção a Michel di Fiori.
Em algum momento daquele ano, meu irmão ficou com um olho roxo, na hora de se explicar aos nossos pais, ele disse que foi no basquete, um acidente.
Mas eu sabia que essa desculpa era tão inventiva quando as de minha mãe.
Então, no outro dia, pedi ajuda.
Não a um adulto, como é o certo pedir, mas para o irmão di Fiori.Entre nosso grupinho, era ele quem mais tinha um coração bom, calmo, empático. Mas, quando eu contei a ele o que se passava em minha casa e com meu irmão, seus olhos castanhos que pareciam a calmaria em pessoa transformam-se em um puro ódio.
Michel bateu tanto nos garotos que eles, com medo, mudaram de escola. E logo depois, denunciou meu pai anonimamente.
Só com oito anos, e conseguiu fazer algo que muitas pessoas adultas e muito mais velhas não tem coragem de fazer.
Mas, ao momento em que meu pai foi intimado na polícia por agressão a mulher, ficou meio óbvio que alguém tinha denunciado. E então sobrou para mim, o único que sabia a verdade sobre meu irmão e minha mãe e que não tinha medo de apanhar, porque nunca apanhou, ao contrário dos dois.
Somente quando eu senti o primeiro soco é que eu tive certeza que meu pai batia e abusava de minha mãe. E isso doeu mais do que qualquer agressão.
Foi nesse dia que eu percebi que o mais forte sempre vence. Mesmo que o mais forte esteja errado.E aquele dia tornou-me um ser que utiliza da força para sobreviver. Um guarda, um soldado, sempre protegendo, nunca protegido.
Michel di Fiori me ajudou, claro, mas não da forma que eu imaginei (muito menos ele), eu me tornei um soldado independente, no qual não precisa olhar para a cara do seu pai que está livre e nunca pagou pelos crimes que cometeu.
Então, depois daquele dia (e de muitas ameaças por parte de meu pai) nunca pude conversar novamente com nenhum dos meus amigos de rua.
Muito menos com um di Fiori. Eu nunca pude retribuira ajuda que ele ofereceu.
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Save Yourself
General FictionGwen está presa em seu quarto há semanas. Tudo começou com a morte de seu irmão, Michel, notícia na qual ela desconhece. Marine é uma garota Amish. Entre os dezesseis e dezoito anos, ela pode fazer o que quiser e seus pais não podem julgá-la, muito...