Quando sai de casa me senti mais leve, não tinha nada que me impedisse de ser livre agora. Fui ate meu carro e dirigi para meu serviço, reuniões noturnas são tão horríveis.
Quando a reunião terminou já estava dando 23 horas e resolvi ver amigos antigos que Samanta odiava.
Me encontrei com Júlio em uma chopperia, onde ficamos para beber e botar os assuntos em dia.
Julio era meu amigo mais diferente, ele gostava de bebidas leves como drinks de frutas e comidas gordurosas, adorava sair a noite mas não atende a porta durante o dia, sua casa era escura e na época da escola apelidamos de toca. Seu estilo era mais quieto, calado; preferia observar do que falar algo, mas quando necessário conversava e dava ótimos conselhos. Neste dia fatídico estava frio e ele vestia 2 camisas e um casaco de couro, quando entramos na chopperia ele tirou o casaco e deixou em um cabide de clientes, sentamos no fundo escondidos de qualquer conhecido que não tenha sido convidado.
-Como esta a vida? Quando vem os filhos?
-É sobre isso que vim falar com você.
Ele sorriu um sorriso de rasgar o rosto.
-Vou ser tio? Ate que enfim.
Me abraçou.
-Na verdade não.
Ele deu uns passos para trás.
-Você sabe que odeio contato físico.
-Terminei com a Samanta, ela não quer ser mãe de forma alguma.
Ele balançou a cabeça em negação, mas não disse nada. Prossegui.
- Eu quero ser pai, meu pai quer um neto, minha mãe quer ser avó antes de morrer, e meus amigos - apontei para Júlio - querem ver meus filhos.
-Cara, sete anos para decidir isso e ela ainda não quer? Que tipo de doença ela tem?
Falo ele passando a mão nos cabelos cacheados. Sorri.
-Você fez a mesma pergunta quando a pedi em namoro e depois quando a pedi em casamento - ele gargalhou - só que ela era destinada a mim e bem gritada com um ar de susto.
Nossas bebidas chegam e ele dá a primeira golada e cobra ao garçom suas batatas fritas com cheddar duplo e bacon, o garçom sorri.
- Estou indo buscar, Júlio.
Ele já era bem conhecido ali. Quando o garçom sai conseguimos avistar mais um de nossos amigos, mas ele estava acompanhado.
-James!
Me levanto e lhe abraço forte.
-Quanto tempo Tedy
ele me aperta e em seguida me apresenta seu amigo
- Este é Will, um amigo da faculdade. Estava com ele quando me ligou e achei feio ter de dispensa-lo.
-Tudo bem, bem vindo a turma.
digo sorrindo e cumprimento Will
-Muito obrigado.
Sua voz é grave e alta, olho para Julio e ele sorri cumprimentado Will logo depois.
-Então esta fazendo faculdade?
Pergunto a James quando todos se sentam.
- Sim, de gastronomia.
Ele diz sorrindo e bate na mesa, nós comemoramos. O Sonho de James o mostro (apelido de escola) sempre foi a gastronomia que ele achava que nunca ia conseguir por não ter condições, mas ai esta ele fazendo de seu sonho realidade.
James era grande, forte, barbudo e cabeludo, quem via de longe achava que era lutador, mas ele era da cozinha. Seu amigo era o contrario, parecia comigo, mas se vestia de modo totalmente largado, os olhos claros dele refletiam a luz fraca do bar e eu não conseguia parar de olhar. Ele estava totalmente desligado do assunto e eu também. Sua boca, com o frio, estava roxa e seu nariz vermelho, mantinha o cabelo envolto por uma touca e era impossível de imaginar o estado.
-Conta a novidade.
Julio me deu um soco, voltei a mim.
-Novidade? Ha, sim. Terminei com Samanta.
arrumei o cabelo e olhei para James que ficou sem ar.
-Respira.
Will falou o empurrando. Ele soltou o fôlego e disparou com um sorriso no rosto:
-Por que?
-Ela não queria ser mãe...- disse Julio - Maravilha - agradeceu ao garçom as batatas.
-Como assim?
Indagou James sem entender, dei um gole em minha bebida.
-Ela disse que não queria ser mãe de criança nenhuma.
-Falando em criança - Will se levantou da mesa - eu vou indo.
-O que tem a ver cara, senta ai.
Júlio falou de boca cheia.
-Ele tem de ir, seu filho acabou de fazer 4 meses e ele está sozinho nessa. - James se levantou e cumprimentou Will lhe dando um forte abraço - qualquer coisa me liga.
-Sabe que vou - Will respondeu.
James se sentou novamente a mesa e Will acenou em despedida, quando ele saiu pela porta eu queria ter sua vida.
O foco voltou a minha pessoa, e eu expliquei toda a Historia a Julio e James. não era somente não ser mãe, mas todos os anos de tortura que ela me fez aguentar. Meus amigos me apoiaram bastante e quando saímos do bar por volta de 1 hora da madrugada Julio me acolheu em sua casa até a manhã seguinte.
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Amor para dois... ou mais.
RomansaTedy, um cara solitario que entre varios erros resolveu fazer a coisa que mais valeu a pena, terminar com a pessoa que sugava sua alma. Depois de anos de tristeza e frustrações decide se aventurar de diveros modos e acaba por achar o amor em coisas...
