Estava escuro, muito escuro. O cheiro era ruim, onde eu estava? Eu não sei. Estava frio, molhado, quieto. E por um segundo, algo passou por mim deixando um rastro de calafrio pelo meu corpo, quem era? Eu não sabia, mas tinha alguém ali.
Dei um passo à frente e algo espirrou na minha perna, talvez fosse água, mas não via o bastante para descrever, ao canto uma fresta de luz pequena, como um funil, que passa pelo buraco da cortina escura, eu a segui pensando que talvez ela me levasse para algum lugar. E levou.
Eu reconhecia aquele lugar. A poltrona, a mesa, o espelho quebrado. A porta abriu e de imediato recuei apertando os olhos, mas no segundo depois não tinha mais nada. O que estava acontecendo?
– Caitlin? – foi como se alguém dissesse tão próximo do meu ouvido que precisou sussurrar. – Não consegue enxergar? Pisque algumas vezes.
E assim o fiz, piscando consecutivamente, mas tudo que eu enxergava era a escuridão.
– O que você quer que eu veja? – um nó impedia que o choro saísse. Eu sentia medo, frio, um arrepio circulando por cada centímetro de pele que meu corpo tinha.
– Você consegue ver agora? – era como se meu cérebro tentasse enviar um sinal recordando aquela voz, eu a reconhecia dos corredores da escola e dos telefonemas, dos gritos estéricos e dos choros abafados.
– Hanna? – disse tentando encontra-la – Eu sei que é você.
– Se você sabia, porque fez?
– Eu fiz o que? – disse ouvindo a minha voz ecoar. – O que eu fiz?
– Você. – e então tudo ficou claro. A luz atravessou a janela dando cor ao piso sujo de madeira, as manchas avermelhadas e molhadas no chão. Sangue. – Me. – olhei em volta até que meus olhos pararam sobre a sombra no canto. Escura e com apenas um fio iluminando parte do cabelo. Antes que eu pudesse continuar a caminhar, a sombra se moveu e agora ela tinha a forma de Hanna. – Matou.
– Não, não! – eu gritava incessantemente como se aquilo me fizesse se sentir melhor. Eu não a matei, é claro que não. Eu a amava, a amo! Por Deus onde eu estava?
– Acorde. – e agora ela estava parada na minha frente, uma gota vermelha escorrendo pela sua testa. – Você sabe da verdade. Precisa acordar.
– Que verdade?
– A nossa verdade. – ela disse depositando as pontas dos dedos no meu rosto. Eu queria senti-los, eu queria sentir o toque dela, mas era como seus dedos atravessassem a minha pele. – Acorde agora. Caitlin, acorde agora!
– Para, para!
Eu sentia, mas não conseguia enxergar, nem respirar, nem falar. Era como se alguém ficasse sussurrando coisas que eu não conseguia entender.
– Abra os olhos, Cat. Respira! – uma mão tocou meu rosto fazendo-me despertar. Jéssica me segurava e me olhava assustada. – Presta atenção, respira. Vamos. 1, 2, 3...
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Injeção Letal.
FanfictionNos Estados Unidos, 34 de 50 estados são a favor da pena de morte. Caitlin Blake é condenada por ser acusada de matar três pessoas: Hanna Cruz, sua melhor amiga, George Martin e Wes Montês, o filho do renomado primeiro ministro e também acusada de t...
