Depois que deixaram Southampton, Lexa e Anya partiram em busca da cabine cujo lugar ficariam hospedadas durante toda a viagem. Caminharam pelos intermináveis corredores do Deck G, localizado na extremidade da proa do navio, sendo esta a área destinada a homens solteiros ou que viajariam sozinhos. Olhando cada porta, as jovens procuravam pelo número do quarto que teriam que dividir com dois rapazes. Já que ganharam as passagem dos dois homens no jogo, foram direcionadas à cabine destinada a eles. A área para as mulheres localizava-se na popa, mas já era tarde demais para que as duas conseguissem mudar de lugar, de modo que precisariam permanecer por ali mesmo.
– Será que os nossos colegas de quarto são bonitos? – Anya questionou com certa curiosidade, um sorriso maroto brincando em seus lábios. Era típico dela tirar proveito de todo e qualquer tipo de situação, mas a sua intenção mesmo era perturbar a mais nova.
– Será que você pode, por favor, sossegar esse seu facho? – Lexa retrucou. — A gente mal entrou no navio.
– E o que é que tem? É preciso aproveitar, oras!
— Tá ok, mas primeiro respire. Há tanta coisa interessante para se ver aqui e você quer saber logo sobre a beleza dos nossos companheiros de quarto? Pelo amor, Anya!
Walsh revirou os olhos.
— Você é uma estraga prazer, sabia? – disse, cruzando os braços sobre o peito enquanto caminhava ao lado da mais nova.
– E você é pervertida.
– Não sou, não. Eu sou a pessoa mais íntegra deste mundo! – protestou, fingindo estar ofendida.
– E desde quando mudaram o significado desta palavra? – Lexa franziu o cenho ao questionar para parecer intrigada, mas o fez mesmo para caçoar de Anya, a qual deu um tapa em seu braço, fazendo-a rir. – Aquieta esse seu fogo, por favor.
– Eu sou um anjo, já disse.
– Claro que é. E eu sou a Mary Pickford. – replicou, usando o mesmo sarcasmo.
– "A queridinha da América". – Anya disse, caindo na pilha. – Ei, Lexa, olha, eu acho que é ali. – animada, apontou para uma porta no fim daquele corredor com o número 60 pregado na porta. – Vem, vamos. – segurou o pulso dela e a arrastou em direção à cabine.
Como era de se esperar, depararam-se com dois homens já instalados no quarto. Um tinha os cabelos um pouco grandes demais presos atrás da orelha, barba feita e grandes olhos negros que notaram assim que ele as encarou. Este estava sentado na cama de baixo do beliche escolhido pelos dois, localizado ao lado esquerdo da cabine. O outro tinha o cabelo mais curto, com bonitos olhos castanhos e um corpo atlético. Estava de pé, encostado na cama. Eram bonitos e claramente pertenciam à casa dos 20.
Anya, sem demora, tratou de se apresentar, apertando a mão dos dois em um cumprimento simpático e um pouco entusiasmado demais. Lexa revirou os olhos diante daquilo, sabia que a amiga jamais tomaria jeito. Logo, apresentou-se também, mas foi bem mais formal, acrescentando somente um acenar de cabeça. Eles cumprimentaram de volta, todavia, estavam extremamente confusos e atônitos com toda aquela situação. Evidentemente, esperavam dois latinos e não duas garotas que, agora, brigavam entre si pela posse da beliche de cima, localizada à direita. Quanto a isso, as duas mantiveram-se irredutíveis. Mas foi no momento em que Lexa tentou subir pelas escadas que Anya lhe deu um empurrão, o que a fez cambalear para trás e, agilmente, apressou-se em subir, fazendo a mais nova perder a cama superior.
– Ah, não, foi jogo sujo! – Fairchild apontou com o indicador para a loira, mas acabou dando-se por vencida. Jogou a mochila que estava em seu ombro no beliche de baixo e o fez de travesseiro, acomodando-se no colchão macio.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Bitanic
RomanceNum jogo de mesa, Lexa Fairchild e sua melhor amiga, Anya Walsh, ganham duas passagens de 3ª Classe para a primeira viagem do transatlântico Titanic. O "Navio dos Sonhos", como assim é chamado, é um luxuoso, colossal e imponente navio que parte para...
