There's nothing that can be done

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                   Quando as badaladas do sino da Gávea ressoaram, o Primeiro Oficial William Murdoch, que estava na ponte de comando naquele momento, avistou o perigo de 18 metros de altura acima da superfície a pouco menos de 500 metros à frente. Desesperado, correu com pressa à casa do leme e gritou ao contramestre do timão, Robert Hichens, para virar completamente o navio à bombordo (esquerda). Tão logo o fez, Will seguiu de imediato ao telégrafo de ordens e, com a alavanca, decretou a parada imediata do Titanic seguida da reversão total dos motores. A partir daí, cada milésimo de segundo tornou-se crucial.

                 Na casa de máquinas, todos os trabalhadores entraram em ação imediata quando o aviso chegou a eles. Não houve um que ficou parado por ali. Corriam de um lado a outro agilmente e ocupavam-se com os seus respectivos trabalhos, cooperando em equipe. O homem responsável por aquele lugar exigiu a redução do vapor do navio, ordem esta que fora de prontidão atendida. Neste ato, um alerta vermelho começou a piscar constantemente nas caldeiras e, no mesmo momento, os trabalhadores de lá fecharam os registros, cessando o abastecimento de carvão.

                  O vapor foi reduzido ao necessário e, vagarosamente, as máquinas demasiadas pesadas pararam de funcionar, mas foi por somente um segundo, porque, logo em seguida, retumbou por ali a ordem de colocá-las a ré a todo vapor. A hélice central de quatro pás do Titanic, localizada um pouco atrás das outras duas hélices laterais dentro do oceano, começou a girar a ré e, gradativamente, aumentou a velocidade, tal como as máquinas.

                Colocar o arquitetônico Navio dos Sonhos em movimento exigia muita força, visto que ele era extremamente pesado, com um peso equivalente a 41.000 toneladas. Por isso, para que este se movesse a uma velocidade de 23 nós sobre as águas era necessário o vapor gerado por todas as 29 caldeiras alimentadas de carvão por 159 fornos. Contudo, parar o gigante ou fazê-lo mudar de direção levava muito tempo, dado que os navios não possuíam freio ou coisa semelhante e tempo era algo que o Titanic definitivamente não tinha.

                 Os tripulantes na ponte de comando e os vigias na cesta da gávea ficaram imóveis por um momento, apreensivos, enquanto observavam o perigo se aproximando cada vez mais. Suplicavam em pensamentos para que o navio curvasse logo à esquerda e contornasse o iceberg. Levou alguns segundos para a reversão dos motores surtir efeito e a proa do navio virou dois pontos à bombordo, quase 10 graus, contudo, infelizmente, não foi o bastante para evitar a colisão.

— VAI BATER! — um dos tripulantes gritou, desesperado.

                 37 segundos. Foram somente 37 segundos entre avistar a silhueta do Iceberg pela primeira vez e bater nele. A manobra à esquerda evitou uma colisão direta, porém o casco à estibordo raspou por cerca de 90 metros pela parede de gelo afiada e a 3 metros acima da quilha, causando um grandíssimo estrago. A pressão foi tão forte que os rabites nesta região saltaram e as chapas de aço se deslocaram, tornando-se inevitável impedir a entrada de água nos compartimentos.

                 Para alguns, especialmente para os da primeira classe, o choque passou praticamente despercebido, eles sentiram apenas um leve solavanco, mas isso porque estavam muito bem localizados no navio: no centro. Por outro lado, os membros da terceira classe que tinham seus alojamentos posicionados nas extremidades, sobretudo aqueles que dormiam nos decks à estibordo da proa, sentiram a colisão com toda a força, alguns até caíram da cama. Anya e os dois homens na cabine acordaram extremamente assustados com o barulho da batida somado ao tremor semelhante a um terremoto. Como a maioria dos outros passageiros, eles já estavam dormindo àquela hora da noite.

                   A água entrava em constância pelos porões de carga 1, 2 e 3 (o segundo era exatamente o lugar onde Clarke e Lexa estavam há pouco tempo), pelo porão de vante e pelas salas de caldeiras 5 e 6. O pânico entre os trabalhadores destas se alastrou quando a enxurrada de água passou a inundar tudo. Já os dois seguranças que ainda procuravam pelas duas jovens foram os primeiros a morrer, um bateu forte a cabeça na quina de uma caixa de madeira no momento em que a intensa entrada de água domou todo o porão e o outro morreu afogado logo depois. O fluxo era tão excessivo que chegou aos corredores da terceira classe em poucos minutos, inundado-os.

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