O silêncio da noite estrelada, mas sem luar, fora interrompido por gritos esganiçados e altos clamores por misericórdia daqueles cuja última parada, por mais que definitivamente não quisessem, fora o Oceano Atlântico. Em desespero, muitos apenas se debatiam e choravam, porque tinham certeza de que aquele era o fim; já outros passaram a procurar apressados por qualquer coisa flutuante que pudesse servir como um "bote". Estavam à deriva, abandonados no meio do nada, apenas aguardando a hora de partirem, já que dentre os 20 botes, nenhum ainda tinha se prontificado a voltar para ajudá-los. Além disso, a água estava extremamente gélida, tão gélida que muitos, aos poucos, começaram a perder os sentidos. A sensação era similar a mil facas perfurando o corpo de uma só vez ou até pior. Um frio insuportável.
Clarke emergiu da água quase sem fôlego e tomou uma profunda respiração para logo olhar apressada para todos os lados a procura de Lexa e Aden. Sem perder tempo, partiu em busca deles enquanto gritava alto o nome dos dois. A força imensurável da sucção fez com que os três inevitavelmente soltassem as mãos e, por consequência, tomassem caminhos diferentes. E, no meio daquele tumulto de gente em pânico, ela se tornou apenas um ponto, o que só corroborou para atrapalhar o reencontro dos três, porque, ademais, estava tudo muito escuro. Entretanto, a separação não os levou para muito longe. Aden era inteligente, apesar de ingênuo. Seguindo as instruções que recebera de Lexa, nadou imediatamente à superfície também assim que os três seguiram direções distintas e, ao emergir, procurou não entrar em desespero. Optou por esperar, mas não poupou a voz, chamou sem parar o nome de Lexa e de Clarke, ao passo que os seus dentes trincavam em constância denunciando o frio. O colete o fez boiar. Por conseguinte, decorridos consideráveis instantes de procura, em meio aos gritos e a tamanha aflição, através do breu da noite, a loira escutou a voz do pequeno e logo o avistou a alguns metros de distância. Ela nem sequer pensou, prontamente nadou em direção a ele. O alívio ao ver um ao outro foi mútuo.
— Que bom que eu te encontrei! — ela exclamou ao abraçá-lo. — Você está bem? — questionou e ele acenou com a cabeça, respondendo que sim. Ambos tremiam, seus lábios estavam igualmente roxos e suas peles tão pálidas quando um papel. — Agora precisamos achar a Lexa.
E não demoraram. Como fora dito, eles não pararam tão distantes e quando os dois gritaram pela sétima vez o nome dela conforme nadavam por entre as muitas pessoas, a morena conseguiu ouvi-los, apesar de tudo, especialmente a gritaria, e se apressou em ir na direção deles.
— Clarke, Aden! Graças a Deus! — sua fisionomia dura tornou-se mais suave ao vê-los bem e juntos. — Eu já estava ficando louca de desespero. — disse ela. — Venham, venham comigo. Eu preciso que vocês nadem.
Lexa segurou a alça do colete de Aden e o puxou, ajudando-o a nadar. Clarke os seguiu. Eles entraram por entre as muitas pessoas que se debatiam não só de frio mas também de pânico e mantiveram-se nadando até o destino. Um vapor gélido escapava da boca dos que gritavam ou se comunicavam com outro alguém, denotando o tamanho frio das águas, que estava a, mais ou menos, - 2ºC. Nisso, após alguns metros percorridos, os três finalmente chegaram onde Lexa pretendia chegar. Ali tinha uma porta de madeira escura grande e bastante espaçosa flutuando, porém só tinha espaço para duas pessoas.
— Subam aí. — Fairchild pediu, sem muitas delongas, e eles acenaram com a cabeça em concordância.
Clarke fora a primeira, Lexa a ajudou para que o objeto não virasse durante o processo e, após ela estar estável sobre a porta, as duas auxiliaram Aden a subir também. Os dois ficaram de bruços, um ao lado do outro.
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Bitanic
RomantizmNum jogo de mesa, Lexa Fairchild e sua melhor amiga, Anya Walsh, ganham duas passagens de 3ª Classe para a primeira viagem do transatlântico Titanic. O "Navio dos Sonhos", como assim é chamado, é um luxuoso, colossal e imponente navio que parte para...
