36. Fuga

3.8K 511 9
                                        

O resto do trajeto foi feito em um silêncio aterrador e desconfortável. Eu não consigo olhar para ele.

Sei que pode parecer que estou fazendo tempestade em copo d'água, mas é da minha vida que estamos falando. Mentir para a família dele antes de saber quem eram já me reservava um lugarzinho no inferno, mas mentir para a família real pode me fazer chegar nesse lugar muito antes do esperado.

Eles não farão nada com ele, afinal ele é o príncipe herdeiro, já eu, não passo de uma pessoa facilmente descartável. Definitivamente eu estou muito ferrada.

O carro para em frente a grandes portões dourados que se abrem logo em seguida.

Adentramos pelos portões e eu me impressiono com a imensidão verde que nos cerca. Milhares de arvores, flores e cercas vivas se estendem ao nosso lado até onde a vista alcança e eu me pego sorrindo verdadeiramente com tanta beleza.

O carro continua pela estrada por mais uns dez minutos antes de finalmente poder ser visto o enorme castelo a nossa frente. Sua estrutura majestosa conservava a aparência de um castelo medieval, o que não diminuía em nada a beleza dele a luz do sol.

Ainda estou hipnotizada com tanto luxo quando minha porta é aberta e Alfred da espaço para que eu passe.

Saio do carro e espero ao lado da porta até que Philip fique ao meu lado. Sinto o olhar dele sobre mim, mas me recuso a olha-lo de volta. Vejo Alfred passar com nossas malas e o sigo sentindo a presença de Philip em meu encalço. Serão semanas bem longas.

Entramos pelas portas enormes do palacio e mais uma vez me vejo impressionada com tanta riqueza. Quem o vê por fora jamais poderia dizer que existe tanta modernidade e beleza do lado de dentro. Cores claras e tons pasteis ocupam todo o ambiente, assim como dois lustres de cristal imensos. A nossa frente duas escadas laterais dão acesso ao segundo andar enquanto no centro posso ver atravéz de portas abertas, um imenso salão.

Tento me controlar para que minha boca mão se abra em choque ou eu pareça uma caipira pobretona que nunca esteve em um lugar assim, o que é verdade eu admito, mas ninguém precisa saber.

Um homem já de certa idade, muito bem vestido e com uma postura invejável vem em nossa direção e eu sinto a mão de Philip se unir a minha o que me faz olhar feio para ele na mesma hora, mas eu não soltei sua mão, afinal para todos os efeitos eu ainda sou a noiva dele.

_ Príncipe Philip, é muito bom revê-lo. Sua mãe o aguarda no salão da rainha.- ele fala de maneira pomposa, o que me faz segurar o riso.

_ James é bom revê-lo também.- Philip sorri.- Avise minha mãe que irei vê-la mais tarde, antes minha noiva e eu gostaríamos de tomar um banho e descansar, a viagem foi bastante cansativa. Não é meu amor.- ele olha para mim com um sorriso sugestivo e eu quase não consigo responder tamanho o meu constrangimento com essa situação.- nossos aposentos já estão prontos?- pergunta olhando novamente para James.

_ desculpe senhor, mas não fui informado de que viria acompanhado. Não há quartos disponíveis no castelo.- ele fala parecendo constrangido e eu fico com um pouco de pena dele.

_ como assim, você não foi avisado. Eu deixei bem claro para Elena e para minha mãe que minha noiva viria comigo.- Philip fala irritado.- pelo visto terei que ver a rainha antes de descansar. Vem Ami, vamos conhecer sua sogra.

Ele sai pisando duro e me puxando junto com ele, o que me faz ter que correr, já que ele anda bem rápido quando está com raiva. Definitivamente esses sapatos não foram feitos para correr.

Saimos do hall e entramos em um corredor que eu nem tinha reparado que estava ali. Quando percebo que já estamos fora do campo de visão de James eu paro de andar e solto sua mão fazendo com que ele pare também e me olhe de maneira questionadora.

_ eu ainda estou com raiva de você.- falo como se me explicasse.- eu serei sua noiva enquanto tiver que ser, mas vamos deixar uma coisa bem clara, você não é meu dono e não pode sair por ai me levando para onde bem entender.- bato o pé indignada.

_ me desculpe. Você está certa eu não sou seu dono e nem quero ser. Assim que eu resolver esse pequeno problema com minha mãe nós vamos conversar e eu prometo que serei 100% sincero com você e responderei o que  quiser. Agora, você quer vir comigo ou prefere esperar no hall?- ele parece sinceramente arrependido e terrivelmente cansado, e mesmo que eu tenha certeza que estou sendo uma idiota decido dar mais um voto de confiança para ele.

_ tudo bem, eu vou com você.

Ele sorri e abre espaço para que eu passe em sua frente o que me faz gargalhar, mas cubro a boca logo em seguida quando percebo o eco se espalhar pelo imenso corredor.

_ vamos.- ele segura novamente minha mão e me guia pelos corredores.

Já estamos andando a uns cinco minutos e viramos tantas vezes em tantos corredores diferentes que se eu tiver que voltar sozinha, com certeza me perderei.

Acabamos de virar em mais um corredor quando vejo um objeto vir em nossa direção em alta velocidade. Me jogo em cima de Philip o empurrando para o chão bem a tempo de evitar que ele levasse uma bolada no rosto.

Escuto o som de algo se quebrando e olho para um vaso quebrado que com certeza vale bem mais que minha casa. Mas de onde veio essa bola.

_ ai.- escuto um gemido vindo de baixo de mim, e é então que percebo que estou em cima de Philip, que provavelmente teria sofrido bem menos com a bolada do que com a queda.

Me levanto, ajeito-me e estendo a mão para ajuda-lo a se levantar também. O que não foi uma boa ideia, porque ele é bem pesado e eu acabei caído em cima dele de novo.

Ai.- ele geme mais uma vez- acho que quebrei uma costela.

_ me desculpa. Acho melhor eu chamar alguém para te ajudar.- me levanto rapidamente.

_ não precisa chamar ninguém, eu já estou bem.- vejo ele se levantar e ajeitar seus terno impecável em seu corpo e eu respiro aliviada por não ter quebrado nada.-de onde veio isso.- ele pega a bola rosa com coroas douradas desenhadas nela e logo um grande sorriso ocupa seus rosto.

_ o que foi?- pergunto curiosa.

_ eu sei muito bem de onde isso veio. Vem comigo.- ele segura minha mão e mais uma vez estou forçadamente correndo atrás dele.

Paramos em frete a uma porta enorme como todas as outras, mas na placa dourada ao lado dizia " salão da Rainha" o que me deixou apavorada e me fez travar no lugar. Philip abre a porta e espera que eu entre, mas não consigo me mexer.

_ Ami, esta tudo bem?- ele pergunta colocando a mão em meu ombro.

_ eu não consigo fazer isso.

Entro em pânico e saio correndo sem direção. Escuto Philip me chamar mas, meus instintos me impedem de parar.

Viro varias vezes entre os corredores e tenho certeza que jamais vou conseguir voltar. Vejo uma porta em minha frente e a abro rapidamente, saindo para a área externa do castelo. Continuo correndo pela grama, e em dado momento eu devo ter perdido meus sapatos porque começo a sentir a grama por debaixo dos meus pés. Eu não escuto mais a voz de Philip e isso faz com que a adrenalina do meu corpo diminuía e eu vá parando de correr aos poucos.

Paro e me recosto em uma arvore, sentindo meus pulmões doerem por falta de ar. Respiro com dificuldade e começo a ver pontos pretos cobrirem meus olhos. Tento me sentar, mas é tarde a escuridão já tomou conta e eu posso sentir meu corpo indo ao chão.

Uma princesa GG Onde histórias criam vida. Descubra agora