JOY
-- Bom e agora? – Jonathan pergunta, fazendo carinho no braço de Scarlet que está agarrada na sua cintura. Eles fazem um casal fofo, mas não tenho certeza se ela é capaz de fazer durar.
-- Já vai escurecer. E seria melhor a gente passar a noite em algum lugar antes de sair andando por aí. Não sabemos o que tem aqui. – Kyle fala. Sua sugestão me lembra Peter, mas não digo nada.
-- Verdade. Onde nós estamos? – Kendra pergunta pra Liz. Ela franze a testa e depois .
-- Abram a parte do mapa de vocês e vamos ver o que conseguimos descobrir. – ela fala. Faz uma careta quando pressiona seu colar no pescoço e faço careta para ela. Devia ter me mostrado isso antes, mas já não sinto raiva.
Clico em toda a extensão do colar. O de Kyle e Liz abrem primeiro, depois Jonathan, Scarlet e Kendra. Ela me mostra onde está o botão e ligo o meu. Nós fazemos uma espécie de círculo e mudamos de lugar algumas vezes até que o mapa quase completo faça sentido.
O meu mostra estações mais a frente, o de Liz completa o de Kyle, como ela falou. Há algumas lacunas que seriam preenchidas por Luca e Peter, mas o mais importante pertence a Scarlet.
-- O que significa os azuis? – ela pergunta.
-- Não sei. – Liz fala – Aperte mais uma vez.
Quando ela pressiona, podemos ver o que restou da antiga ponte do Brooklyn. Ótimo. New York, Manhattan, já sabemos onde estamos. Letras aparecem no ar e dizem: Governo Americano.
-- É pra lá que temos que ir. – concluo.
-- Pelo menos não estamos no Antigo Texas. – Kendra comenta – O calor de lá é insuportável agora.
-- Tem razão.
-- Melhor a gente ir andando. – Jonathan pressiona o colar e a parte de seu mapa some. Fazemos o mesmo.
O importante agora é achar um prédio que tenha pelo menos cobertura, para nos esconder e nos proteger das coisas que vivem lá fora ou de uma possível chuva. As tempestades depois da guerra se tornaram quase todas de chuva ácida.
Nós descemos na direção oposta que Victoria e os meninos seguiram. Imagino como seria brilhante a Antiga New York. Os prédios eram altos e a cidade vivia cheia, isso vi nos livros. Mas agora, tão deserta, só consigo imaginar quantas e como as pessoas se sentiam ao andar pelas ruas movimentadas. O pensamento também passa pela mente de Kendra.
-- Já imaginou como seria trabalhar ali? – ela aponta para um prédio onde só uma parede e um balcão resistiram às bombas e ao tempo.
-- Como você sabe que é um lugar pra trabalhar? Poderia ser uma casa. – digo.
-- Acho que era uma lanchonete.
-- É tão triste andar aqui. – Liz comenta, ouvindo nossa conversa.
-- Mas sabe que isso é de propósito, não sabe?
-- Como assim?
-- Eles querem que a gente veja a região pobre do continente Joy. Os vencedores precisam ver o que acontece quando se tem uma guerra, e assim vão fazer de tudo pra evitar, proteger seu país, sua casa. – faz sentido o que ela diz.
-- Agora entendi. – falo.
Nós caminhamos em silêncio por um tempo e depois Kendra e eu começamos a cantarolar e dançar. Kyle puxou conversa com Liz e eles também começaram a conversar. Parecia, se alguém nos visse por fora, que éramos um grupo de jovens voltando da escola. E eu queria muito que isso fosse realidade.
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Raciocínio Americano - Vol. 1
Ficción GeneralApós a Terceira Guerra Mundial, o mundo se dividiu em continentes. Na América, o governo é rígido e obriga os jovens a participarem dos Jogos de Raciocínio Americano, selecionando somente os que conseguem passar por todas as fases, os vitoriosos. Aq...