XVIII

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JOY

Não consigo acreditar que mais um de nós ficou. Mesmo que esse grupo não me pertença, é difícil ver a dor nos olhos de Liz toda vez que vê um de seus amigos partindo. Não consigo entender como o governo pode ser cruel com as pessoas. Deve ser fácil matar família e amigos quando esses não são os seus.

-- Vai ficar tudo bem Liz. – falo, quando ela me abraça forte. Sei que está pensando em Peter. Ele era uma pessoa alegre e fazia as horas passarem menos tediosas na última sala dos jogos – Vai passar.

-- Não me deixe Joy. Nunca. – sua voz é chorosa e sinto um pouco de tristeza.

-- Vou estar aqui sempre. – falo.

Somos cortadas por um som agudo e as cabines começam a descer lentamente, levando consigo todos os estudantes perdedores desesperados.

-- O que vai acontecer com eles? – Scarlet pergunta, quando o grupo se aproxima de nós.

-- Espero que fiquem bem. – Kendra segura o ombro da amiga, também um pouco chocada.

-- Peter... – é Jonathan quem fala. Ninguém tem coragem de dizer nada por alguns minutos, fitando os próprios pés.

-- Como vou dizer isso pra namorada dele? – Liz sussurra – Meu Deus, Clare vai ficar arrasada.

-- Nós podemos lidar com isso se sairmos daqui. – Kyle fala – É melhor irmos, é o que Peter diria.

Por algum motivo, sei que Kyle tem razão. Nós saímos da sala sem olhar para trás, suspirando por perder mais uma pessoa. Sinto um frio em pensar quando será minha vez ou a de Liz, se vamos conseguir sair dos JRA sem cair em uma de suas armadilhas psicológicas. Por não ter o que fazer no hall de entrada e também por não querer ficar muito tempo parados pensando, decidimos iniciar outra sala em seguida.

Jonathan esmurra a parede quando tem que digitar sobre a perda de Peter na máquina e vejo seus olhos marejarem. Retiramos o cartão e ele lê em voz alta, ainda nervoso:

"De três em três se chega na porta 606"

-- Ah pelo amor de Deus. – Kendra solta a mochila no chão, emburrada – Quando vocês vão parar com essa palhaçada rimada hein? Seus idiotas.

-- Kendra, ninguém pode te ouvir além de nós. – Liz fala. Minha amiga parece extremamente cansada. Sinto o colar pulsar um pouquinho mais rápido e tento não pensar que foi uma resposta muda a Liz.

-- Só... vamos acabar logo com isso. – Jonathan se espreguiça antes de abrir a porta da sala. Ele ajeita a mochila nas costas e entra, fazendo com que o seguimos.

Estamos em uma sala ampla. É bem maior que as salas de enigmas normais. Além disso, todas as outras paredes possuem portas. Do teto, cordas vermelhas, marrons e amarelas saem. Em cada uma delas há uma sequência de nós diferente. Na mais próxima, conto 5 nós em cima, 3 no meio e 2 embaixo.

-- Parece um sistema numérico desconhecido. – falo.

-- Não é assim que as pessoas contavam antes da guerra, era? – Scarlet toca em uma das cordas.

-- Não puxa isso. – Liz fala. Ela olha para mim e entendo o que quer dizer.

-- Vamos ter que somar até dar 606.

-- Sim. Mas algo me diz que não é tão simples.

-- De três em três. – Jonathan olha as várias cordas que saem do teto – Provavelmente só podemos puxar três cordas de cada cor.

Raciocínio Americano - Vol. 1Onde histórias criam vida. Descubra agora