Capítulo 90

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Yahanna se adiantou e entrou no castelo deixando a grande porta aberta, suspirei ao ver Caio penteando o cavalo.

Olhei para as minhas mãos e depois voltei a olhar para Caio que estava a ponto de entrar no estábulo.

- "Caio!" - eu falei caminhando até ele.

Ele parou e se virou o suficiente para olhar pra mim e sorri ainda segurando o cavalo pelas rédeas.

- "Senhorita Bexter... o que aconteceu?"

- "Eu..." - parei de andar e acariciei a cabeça do cavalo malhado. - "Sei que da última vez eu disse algo e te tratei como eu não devia." - eu mordi o meu lábio inferior. - "E sinceramente te peço desculpas...não foi minha intenção, eu nunca deveria ter falado daquele jeito com você e muito menos te ofender. Me perdoa Caio."

Seu sorriso se ampliou.

- "Não tem com que se preocupar, eu entendo." - ele declarou. - "No passado...eu te disse que era uma pobre e iludida plebeia, que não podia esperar por Vlad te corresponder e outras coisas, além de que...eu frustrei um plano..."

- "Um plano?" - perguntei confusa. - "Que tipo de plano?"

- "Já não importa." - ele agitou a cabeça. - "Eu não tinha razão, agora você está com Vlad...já ficou no passado, não tem sentido remexer no passado."

Eu sorri um pouco e dei meia volta para agora sim para entrar no castelo.

Azlin, Vlad, Camilla, Alec e Stephany se encontravam sentados na sala principal. Os olhos verdes de Azlin se pousaram em Yahanna que estava parada com os braços cruzados e depois em mim.

- "Responderei todas as suas perguntas, Gabriele." - Azlin murmurou. - "É o momento."

- "Ótimo, já era hora."

- "Mas." - ela levantou a voz. - "Só penso em falar com você em particular. Com ninguém mais."

Eu levantei a sobrancelha e olhei para Vlad que assentiu com a cabeça, ele se levantou e caminhou para a biblioteca.

- "Venha." - murmurei seguindo Vlad, escutei seus passos atrás de mim.

A mesa grande da biblioteca estava repleta de livros abertos e alguns fechados. Me sentei em um sofá individual e Azlin em outro que ficava na minha frente.

- "Estaremos lá fora. Em dez minutos virei só para ver se estão bem." - disse Vlad para depois fechar a porta da biblioteca.

Olhei para Azlin; sem nenhuma feição em seu rosto, ela estava com as mãos em seus joelhos e um livro grande com a capa cor púrpura ao seu lado.

- "Primeiro quero..."

- "Antes de começarmos quero te dar isso." - ela pegou o livro e o estendeu para mim. Eu o peguei um pouco duvidosa. - "Esse é o diário de Lucy; eu o traduzi para o inglês. Acrescentei uma nota e conselhos que pode precisar no futuro."

- "Obrigada..." - fui mais rápida do que pretendia, não tinha nada escrito em ambas as capas do livro. O folheei sem lê-lo realmente.

- "Agora pode começar."

- "Porque você acrescentou conselhos que "podem servir para o futuro." quando você..." - eu deixei a pergunta no ar. - "Por acaso você pensa que vai morrer?"

- "Eu não penso, Gabriele. Eu sei." - ela afirmou com seriedade; não havia medo ou desespero em seus olhos, tão pouco as suas mãos tremiam como no passado.

- "Nós podemos evitar que isso aconteça." - eu disse puxando minhas pernas para cima do sofá.

- "Não."

- "Já fizemos isso no passado, só teremos que planejar bem." - ignorei a sua negatividade. - "Podemos..."

- "Você não vai fazer nada!" - ela gritou me interrompendo. - "Você já fez isso no passado e por isso você morreu; houve consequências e talvez tudo seria diferente agora. Não me mal interprete; tudo estará bem como tudo vai acontecer. As coisas vão se solucionar e tentar evitar isso pode piorar tudo."

- "Azlin..." - eu disse com os meus olhos marejados.

- "Eu já vivi muitos anos." - ela se levantou para me dar as costas. - "Só há uma coisa que lamentarei não presenciar."

- "Você não tem que se lamentar, deve haver uma forma..." - um nó se formou em minha garganta.

- "Faça as suas perguntas." - ela agitou a cabeça, voltou a se sentar e sorri um pouco; seus olhos estavam levemente irritados.

Me sentia incômoda ao vê-la assim e eu tinha coisas para perguntar menos importantes, do que saber que Azlin morreria.

Podia evitar...se eu soubesse uma maneira ou quando. Duvidava que ela me dissesse sabendo que posso tentar evitar como no passado.

- "Azlin podemos deixar isso para depois..."

- "Não!" - ela se apressou em dizer. - "Bem, não pergunte e só escute." - eu assenti com a cabeça lentamente. - "O Caído é um bom aliado...mas não confie totalmente nele, tente recolher o máximo de informação; não facilite pra ele. Ele é um demônio, não está na sua natureza pensar nos outros, se lembre disso." - ela cruzou os braços. - "Não posso ver mais além da morte dos Petrov." - ela sorriu com malícia. - "Antes eu sentia tristeza por vê-los sofrer pela morte de Ezra, depois eles fizeram tanto mal...mas o que haveriam feito cedo ou tarde. Talvez eles teriam matado o próprio irmão para obter mais poder."

- "Todas as traições dói." - eu murmurei. - "Jeremiah, Maxwell e até Selena..."

- "Sim, mas eles decidiram...ter poder os cegou; exceto por Selena." - ela suspirou. - "De verdade, eu realmente lamento ter ignorado as minhas visões durante tantos anos; talvez pudesse ter mudado tantas coisas apenas modificando pequenos detalhes...tudo por ser uma covarde; era doloroso pra mim saber o final de todos. Desde que me vi sendo queimada...me prometi evitar ver as coisas. Consultei tantos livros e feiticeiros até que consegui."

- "Agora você sabe de sua morte, é algo que se supõe que ninguém deveria saber."

- "Exato, se supõe. Tudo pode acontecer nesse mundo, Gabriele." - ela sorri olhando para o chão. - "Absolutamente tudo."

A porta se abriu e Vlad apareceu, sorriu de lado ao me ver e fechou uma porta ao receber um sorriso meu como uma resposta muda de que estava tudo bem.

Esperei por uns curtos segundos.

- "Me diz qual é o pacto com O Caído?"

- "Esse trato não vai te afetar..." - ela sorriu de lado. - "Você jamais se arrependerá, estou completamente segura."

- "O que ele quer de mim?"

- "É simples, Vida..." - ela sorriu mostrando os seus dentes. - "O primeiro é único vampiro nascido, descendente do primeiro vampiro. Ele será mais forte graças aos genes de seus pais. Você e Vlad."

Senti a minha temperatura abaixar até ter as minhas mais frias.

Um filho...De Vlad e meu?

Coloquei lentamente as minhas mãos em meu ventre repetindo mentalmente que era impossível...Vlad e eu havíamos conversado sobre isso, chegamos a pensar que poderíamos adotar daqui a uns anos.

Um filho de nós dois...talvez com a cor dos olhos de Vlad e com a cor do meu cabelo, com um lindo sorriso. Uma enorme vontade de conhecer, tocar e segura-lo em meus braços nasceu em mim.

Eu já havia imaginado algumas vezes. Podia ser real... não só um sonho é sim uma realidade.

- "Um filho..." - eu sussurrei.

Um filho de Vlad e meu...

Reencarnada (Completa)Onde histórias criam vida. Descubra agora