Capítulo 95

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- "Logo voltaremos nos ver. Desculpe Senhora Bexter por ter matado o seu esposo; minha pontaria falhou." - meu irmão amassou e jogou no chão o pedaço de papel que ele havia encontrado em um dos bancos do pátio.

Fechei os olhos tentando conter as lágrimas.

Doía até a alma. Me sentia tão culpada como se eu mesma tivesse assassinado o meu pai. Ele não era o seu objetivo; e não podia deixar de pensar então quem era realmente o alvo. Vlad? Minha mãe? Ele saberia que posso...estar grávida?

Alec havia chegado junto com Stephany, a última me abraçou com força murmurando que sentia muito, eu chorava em seus ombros enquanto escutava os lamentos do meu irmão e os soluços da minha mãe que ecoavam em meus ouvidos e torturavam o meu coração.

Tivemos que entrar no Castelo contra a nossa vontade, nenhum dos três queria soltar o meu pai. Me negava a acreditar que ele estava morto. Por muito louco ou estúpido que pareça pensar, tinha a esperança de que ele abrisse os olhos e me abraçasse dizendo que havia sido uma brincadeira de mal gosto, e que ele nunca se atreveria deixar minha mãe, meu irmão e eu.

- "Não posso fazer nada..."-  o rosto de Vlad mostrava dor. - "Delphine se encarregou dele, mesmo que eu o morda e obrigue a beber o meu sangue. Eu..." - ele fechou os olhos. - "Você não sabe...o quando sinto muito, amor..."

- "Sim, você pode." - eu falei em um tom suplicante e beijei as suas mãos. - "Você é o Drácula, o rei dos vampiros...Você foi o Príncipe da Transilvânia, faça algo, eu te imploro, por favor..."

- "Eu sinto muito, de verdade, eu sinto tanto..." - não pude fazer nada além de chorar e gritar no momento em que me abraçou com força, repetindo uma ou outra vez em meu ouvido o quanto sentia muito.

Abri os olhos deixando de me torturar lembrando dos últimos momentos de vida do meu pai sabendo que me machuca, segurei a mão da minha mãe com um pouco mais de força. Ela havia limpado o meu pai, o vestido, entre outras coisas enquanto falava ou chorava sobre o corpo de meu pai em um quarto; nós o enterrariamos no nascer do crepúsculo; que era o momento do dia em que meu pai mais gostava.

A esperança havia se evaporado, não sei como reagirei se mais alguém morrer, ainda mais por causa...de vingança e poder.

O sangue de Vlad e Stephany não fizeram nenhuma mudança, não sabíamos exatamente a razão por não ter funcionado...foi muito tarde? O que Delphine fez em meus pais? Vai me afetar? Ela é uma bruxa velha e boa no que faz.

Senti um nó em minha garganta.

- "Eu os quero mortos..." - a voz da minha mãe se quebrou. -  "Seu pai só...ele só me abraçou e..."

Abracei a minha mãe no momento que ela se calou. Ela chorou e soluçou enquanto algumas lágrimas escorriam por minhas bochechas já que era inevitável, mesmo quando eu queria ser forte para ela, beijei a sua testa e olhei para Liam que caminhava de um lado para o outro no quarto.

- "Eu já volto." - Liam murmurou abrindo a porta.

- "Disseram para não sair até que tivessem certeza de que eles não estariam aqui, Liam." - murmurei rapidamente. - "Liam!"

- "Eu não me importo!" - ele saiu batendo a porta com força.

- "Vai atrás dele, Gaby."-  minha mãe disse com a voz rouca. - "Ele é capaz de fazer alguma estupidez neste momento."

- "Em qualquer momento ele é capaz de fazer estupidez, mamãe."-  eu sussurrei sorrindo um pouco fazendo os meus lábios tremerem. - "Vou atrás dele, fica aqui."

Saí do quarto, desci as escadas lentamente inspecionando se Liam continuava dentro do Castelo. Me detive ao ver a porta principal entreaberta e comecei a descer os degraus que faltavam rapidamente, abri um pouco mais a porta e saí.

Reencarnada (Completa)Onde histórias criam vida. Descubra agora