Capítulo 2

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Harry's Point Of View

     Mais um dia igual aos outros começou. Levanto-me da cama e visto a já minha habitual roupa. Caminho até à casa de banho e lavo a cara fixando o meu olhar no espelho, que refletia o meu horrivel reflexo.

     Porque será que sou tão feio? Tão horrível?

     Pequenas lágrimas já se formavam nos meus olhos, mas não as deixo cair. Não adiantava nada chorar, isso não iria mudar nada.

     Desço até à cozinha e cumprimento a minha mãe com um beijo na testa, fazendo o mesmo à minha irmã.

     Sento-me na cadeira em frente á mesa e espero que o pequeno almoço seja lá colocado.

- Como têm corrido as aulas, filho? –perguntou a minha mãe atenciosamente.

     Na verdade ela sabia de tudo. Sim, ela sabia que eu era vitima de bullying na escola. Ela própria o ano passado foi à escola falar com o diretor e confrontá-lo com as minhas nódoas negras e arranhões que haviam sido feitos pelas pessoas que me atacaram. O diretor, por sua vez, disse que os alunos que o fizeram iriam ser punidos. Coisa que não aconteceu.

     Nesse mesmo dia, fui apanhado numa esquina de uma rua por alguns rapazes que me bateram e espancaram até eu não conseguir abrir os olhos. Desde aì tudo tem vindo a piorar. As agressões são mais frequentes e mais violentas.

- Têm corrido bem! – murmuro.

- O Liam disse exactamente o contrário, Hazz! - disse Gemma.

     Liam é o namorado dela e ele também anda na minha escola. Ele anda no 12º e já varias vezes me defendeu. Infelizmente, ele e o Louis, o meu melhor e único amigo, andam ambos no 12º e não tem aulas perto de mim, o que faz com que eu esteja sempre sozinho e isso é uma vantagem para quem me quer bater ou gozar.

    -Então ele mentiu-te! - falei e levantei me da cadeira, indo até ao sofá da sala buscar a mochila. Não queria falar sobre aquilo.

     Volto à cozinha, despeço-me das 'mulheres da minha vida' e saio pela porta principal em rumo ao pesadelo: a escola.

     Entro no portão da escola, vendo já muitas pessoas, algumas a conversar, outras a contar "fofocas" e outras simplesmente disconectadas do mundo exterior. 

     Entro dentro do estabelecimento e aí o meu pesadelo começa, novamente.

     Várias pessoas vão contra mim, como habitualmente, dizendo coisas do tipo: 'sai da frente estúpido', 'que horrivel', e várias outras palavras que quando estou pronto para adormecer perturbam a minha mente.

     Se magoa? A resposta é óbvia. Mas se não posso acabar com a dor, ao menos posso aprender a viver com ela. É sempre nisso que tento pensar.

     Observo Louis ao lado dos cacifos  e encaminho-me para lá, sendo derrubado segundos depois, ficando de seguida no chão de tijoleira fria com metade da escola a rir-se de mim.

     Olho para trás e vejo Zayn Malik a rir-se. Odeio-o. Odeio-o a ele e a todo o seu grupo. São simplesmente detestáveis e más pessoas. Sem sentimentos, principalmente Zayn e Holly, os que são considerados os lideres do grupo.

     Levanto-me rapidamente e vou para junto de Louis. Quando ia começar a falar somos interrompidos por um som de um cacifo a abrir-se e rapidamente a fechar-se quase de imediato. 

     Sinto algo contra o meu peito e reparo que Holly tinha vindo contra mim.

- TU NÃO VENS POR ONDE ANDAS, NERD DO CARALHO?! - gritou perto dos meus ouvidos.

-Desculpa! - gaguejei enquanto olhava para o chão. Ela ficava cada vez mais irritada.

- FAZ UM FAVOR À SOCIEDADE E MATA-TE! - gritou ela novamente.

     Eu tentei controlar, mas não consegui. As lágrimas simplesmente começaram a cair e eu não pude fazer nada para evitar isso. Chorei muito, sem me importar com o que os outros iam pensar.

- MAS TU AINDA ESTÁS AQUI, SEU MONTE DE MERDA? VAI-TE EMBORA DE UMA VEZ!- exclamou e eu comecei a correr desesperado na direção contrária à dela.

     Assim que vejo a casa de banho, entro nela e enfio-me num dos cubiculos.

     Aquilo tinha doído. Aquilo estava a doer. Eu sentia-me tão, mas tão mal.

     Farto de tudo aquilo, pego na minha mochila preta, cor igual ao meu estado de espírito, e abro o bolso pequeno tirando de lá uma lâmina, a minha melhor amiga, e começando-me a cortar.

      Ela tem toda a razão. Eu devia morrer!

[√] - Editado

Sixteen. ✔ (a ser editada) Histórias para pegar e não largar. Descubra agora