POV Sam
Por mais que todos falassem para eu não perder as esperanças, eu não tinha tanta certeza se conseguiria um doador compatível, as chances eram pequenas e a cada não que recebia, eu perdia mais um pouco da pouca esperança que tinha. Sabia que Cait queria me ajudar, ela queria ser compatível e achava lindo ela pensar que aquele poderia ser o mais romântico dos gestos. Mas nunca iria imaginar que o gesto romântico não viria dela e sim da Marina.
Ela não tinha falado nada sobre fazer o teste e eu também não havia pedido, ela já fazia muito mais do que sua função como assistente, desde que descobri minha doença, ela foi tudo e mais um pouco. Não sabia como definir nossa relação, mas não precisava de um rótulo, ela era importante para mim e isso bastava. Apenas seu apoio em todo o período que eu e Cait ficamos afastados já foi mais do que poderia pedir e agora ela estava aqui na minha frente com um sorriso estampado no rosto e lágrimas nos olhos falando que era compatível comigo!
Não tinha palavras para demonstrar o que estava sentindo, mas ela aceitou meu abraço como agradecimento. Até aquele momento estava segurando minhas lágrimas, minhas emoções, estava tentando ser firme e otimista, mas ao ouvir que a esperança que parecia distante, estava ali na minha frente, não consegui guardar nada dentro de mim e ver Cait feliz era a melhor sensação que tinha sentido até o momento, ver que as lágrimas que ela estava derramando não eram por tristeza que eu havia causado e sim alivio.
Mas nada seria tão simples assim, o transplante não era garantia que tudo ficaria bem, que o câncer iria sumir da noite para o dia. Antes de tudo teria que fazer sessões intensas de quimioterapia para poder destruir as células malignas e assim poder receber as células da medula óssea saudáveis para que pudessem multiplicar-se e ocupar o lugar das células malignas e produzir as células sanguíneas. E o transplante também trazia riscos, meu organismo poderia rejeitar, poderia ter infecções e lesões em alguns órgãos, resumindo, nada seria fácil e minha luta estava apenas começando.
Só que agora estava mais determinado do que nunca, o mais difícil havia conseguido, tinha um doador compatível e agora tudo dependia da minha força, do meu corpo responder a tudo, mas sabia que tinha o apoio que precisava e ela nunca iria me deixar desistir. O médico explicou como tudo seria feito, minha pneumonia atrasou um pouco todo o inicio do processo, mas depois de uma semana no hospital estava pronto para começar as minhas sessões de quimio.
- Você tem certeza disso? – Cait falou segurando a máquina de cortar cabelo na mão.
- Não quero que nenhuma enfermeira faça isso, Cait e além do mais fico aliviado que vou ter que raspar tudo mesmo porque sei que você deixaria um caminho de rato na minha cabeça se fosse pra deixar algum fio de cabelo restante. – ri e ela me olhou séria.
Sabia que pra ela aquilo não era piada, ela já tinha chorado diversas vezes por causa do meu cabelo. Não era simplesmente por vaidade, era tudo o que aquilo simbolizava, mas estava levando a perda do meu cabelo como um passo para a minha cura.
- Cait. – falei fazendo ela me olhar. – Isso é só mais uma coisa pela qual temos que passar pra eu ficar bem, estamos juntos nessa, não estamos? – peguei sua mão livre e apertei.
Ela respirou fundo e começou a raspar minha cabeça, mas em momento algum soltou minha mão da dela, ao contrário, conforme meu cabelo caía, sentia minha mão sendo mais apertada e entre o barulho da máquina, conseguia ouvir seu soluço, sabia que era difícil pra ela, assim como era pra mim que sem ao menos notar, senti lágrimas quentes escorrer pelo meu rosto enquanto alguns fios de cabelo ficavam presos entre nossas mãos entrelaçadas.
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Only You
FanfictionSam e Cait tinham um relacionamento firme. Mas será que essa união que começou nos bastidores de Outlander irá resistir aos avanços de suas carreiras pós-série?
