A viagem para Florianópolis poderia ser considerada tranquila se eu não estivesse tão ansiosa para ver Alice. Era uma misto de querer estar em sua presença, com uma pitada de medo do desconhecido. Afinal, era outra cidade e outro estado que eu sequer imaginava visitar. Ainda mais nessas circunstâncias.
Eu podia sentir o avião pousando e a minha ansiedade passou a aumentar significativamente. Quando me dei conta, já estava na hora de desembarcar. Minha primeira reação foi tirar o celular do modo avião e checar se Alice havia recebido a minha mensagem. Não apenas recebeu, como havia respondido.
Meu coração tá batendo forte por você.
Te esperando, floquinho 🖤
Não era somente o coração dela havia resolvido bater. Naquele instante, o meu batia completamente descompassado em resposta a sua mensagem.
Quando ela queria, Alice sabia ser mais doce do que implicante. E de todas as suas qualidades, o misto dessas duas coisas fazia eu me apaixonar mais por ela. A leveza que ela transmitia era o seu maior diferencial
Apertei em seu nome e esperei chamar alguns instantes. Não demorou muito e Alice atendeu.
— Floquinho! – sua voz era animada.
Sorri.
— Não vai parar de me chamar assim?
— Em breve.
— É? – perguntei curiosa. O que será que ela tinha em mente?
— Sim – pude escutar um sorriso – Não seja apressada!
— Ok.
— Onde você tá, Júlia?
— Saindo do avião.
— Certo – ela fez uma pausa – Vou te esperar no desembarque.
— Tudo bem.
— Até já, floquinho.
— Até.
Respirei fundo e recobrei a razão. Era extremamente difícil me manter calma quando o assunto era Alice. Extremamente complicado deixar de fazer as coisas que eu gostaria de fazer. Seria muito fácil me libertar e expressar o que eu sentia de verdade por ela. Viver por completo o que quer que a gente tivesse. Mas eu não conseguia. Parte pela nossa despedida horrível – que por sinal foi minha culpa – e parte por não ter uma definição exata disso tudo.
Era difícil definir estando tão longe. Mesmo que eu soubesse que sentia algo forte e verdadeiro por Alice – e que esse sentimento era recíproco – as coisas estavam estranhas. Parecia que pulamos uma fase que deveria ser importante. Talvez o que faltasse fosse vivência, não apenas provocações e indiretas.
Faltava dar nome, forma e gosto para o que tínhamos. E eu realmente esperava que esses dias pudessem dar pelo menos um norte nisso tudo.
Para a minha sorte, os principais locais do aeroporto eram bem intuitivos, então não tive grandes problemas para pegar a minha bagagem e encontrar o portão de desembarque.
Cada passo em direção da saída fazia meu corpo inteiro entrar em colapso. Estava chegando a hora. Assim que cruzei o portão de desembarque, pude ver Alice com um largo sorriso me esperando.
Ela vestia uma jaqueta jeans por cima de uma camisa xadrez, um jeans rasgado e um boné com o dizer "don't fuck" em letras garrafais. Isso com certeza era a cara da Alice, nada havia mudado.
Sem pensar duas vezes, caminhei em sua direção e nos abraçamos.
O mundo parecia ter parado naquele instante e nada mais importava. Não existiam mais dúvidas, não existiam mais questionamentos, não existia absolutamente mais nada. Apenas nós. E me sentir assim de novo era como estar no paraíso.
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Sete Luas
RomanceApós uma tragédia familiar, Júlia se fechou para o mundo e tudo o que envolvesse sentir. Ela se encontra em uma fase turbulenta da adolescência e no meio de milhões de questionamentos: escola, família, vestibular, amizades e o que escolher para o se...
