A R I A
As coisas conseguiram ficar ainda mais estranhas a luz do dia. Julie veio prontamente me ajudar a colocar a minha roupa as oito da manhã, o que pra mim era um horário absurdo, mas parecia ser rotina na casa, já todos estavam acordados. Porém, obedientemente, segui cada instrução e apenas minutos depois estava de pé em frente a um grande espelho, quase nua.
Eu sempre achei essa coisa de empregados para te ajudar a se vestir desnecessário, até eu precisar entrar em um desses corpetes. A Outra, como passarei a chamar meu clone desse século, tinha um bom gosto, no entanto...
O que diabos eu estava pensando? Divagando sobre vestidos? Eu deveria estar surtando. Se bem que eu estou, por dentro, mas acho que deveria tentar manter a sanidade mental, então volto a passar as mãos pelos vestidos. Era o quarto que Julie me mostrava, como todos os outros, dois quilos de pano, mas mesmo assim, esse tinha prendido a minha atenção.
- Gosta, senhora? - Eu estava me sentindo horrível com todas essas pessoas me chamando de senhora. (E quantas pessoas! O marido da Outra, pelo visto, era alguém muito rico.)
- Sim, são todos lindos. - Sorrio e ela retribui.
Escolho o azul clarinho, cumprido e com muito pano, como todas as roupas desse local, e fico sem saber o que fazer. Eu já estava usando um corpete, que cá entre nós, era uma desgraça. Eu estava me sentindo apertada e sufocada, como aquelas cintas moduladoras. Com mais pano por cima, eu passaria mal.
Isso, como eu pude ver, não era problema para Julie, que revestiu meu corpo com outra camada.
- Costumava ser o seu vestido preferido. - Oh, deus. Sorrio e espero que não tenha parecido forçado. Julie indica a cadeira na minha penteadeira e eu me sento.
Estava me sentindo uma inválida. Fiquei em dúvida se faziam isso com todo mundo ou se achavam que eu estava com algum problema a mais do que perda de memória.
Julie penteou minhas mechas castanhas com a delicadeza que eu pentearia um filho, depois disso começou a fazer um coque encorpado, vez ou outra acrescentando um broxe prateado. Eu estava uma digna camponesa. É camponesa a palavra? Não, pera, acho que é dama.
Eu estava uma digna dama.
Pronto.
- Linda, senhora. - Agradeço e ela avisa que o café está pronto, caso eu quisesse.
- Já estou indo, obrigada. - Ela falta fazer uma reverência quando sai do quarto. Assim que acho que a barra está segura, vou pra frente do espelho e começo a surtar.
Passo a mão exasperada no vestido e no cabelo. Eu usaria isso para ir numa festa temática, não para passar o dia. Como eu vim parar aqui?
Como? Como? Como?
Ando em volta do quarto umas quatro vezes, tentando me acalmar, e na quinta eu já conseguia parecer uma pessoa normal. Eu descobria um jeito, porém agora não tinha nada a se fazer. Resolvo descer e aproveitar o máximo possível da comida, assim me distrairia.
*
Quando estou no meu segundo pedaço de bolo, escuto uma movimentação estranha na casa. Olho confusa pros empregados e escuto o murmurio.
"O senhor chegou."
Deus estava vindo?
Não, pera, eles me chamam de senhora, senhor deve ser o Malik.
Por que a aflição? Mas se bem, que notando agora, nenhum parecia estar com medo. Só queriam lhe agradar, deixando tudo no lugar. Por um momento, fico com receio de uma empregada passar o que ela estava usando para lustrar móveis em mim.
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Beyond Time - Zayn Malik
Ngẫu nhiênCom uma das piores tragédias do ano de 2025, muitas pessoas ficaram desaparecidas e raramente foram encontradas. Uma dessas pessoas foi Aria Moroe, uma estudante de medicina de 22 anos, que foi arrastada pela água como muitos outros. Naquela manhã...
