Capítulo 20: Sonhos.

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A R I A

- Eddie, por favor, não ande tão na frente. - Repreendo quando ele quase atravessa a rua na frente de um cavalo.

- Tá bom, mamãe. - Jesus. Ignoro a estranhamento de sempre com o nome e finalmente chegamos em frente a casa de Louis.

- Você bate. - Mando e Ed rola os olhos pra mim, mas obedece. Que criança rebelde.

- Olá, Edward. Senhora Malik. - A empregada dos Tomlinson nos cumprimenta, antes de dar espaço e nos deixar entrar. - Freddie está lá em cima. - O aviso não foi pra mim. Sem nem um tchauzinho, Ed some escada a fora. - E a senhora, Sra. Malik? Quem deseja? - Haha. Perguntar assim era estranho. Já imaginou eu falar "ah, eu desejo o sr. Tomlinson."

- O Louis está? - Ela concorda com a cabeça e me guia até a sala.

- Irei chama-lo. - Agradeço e fico só na imensa sala. Olho em volta, nas estantes. Nenhuma literatura de fantasia, apenas ciência e mais ciência.

- Mas outra visita, assim tão cedo? - Me afasto dos livros e viro para a voz divertida. - Vou começar a desconfiar, Aria. - Suspiro pra sua provocação e sorrio.

- Quem me dera o que eu vir tratar aqui fosse algo tão agradável. - Espero que ele não leve isso como um flerte. Pela sua expressão, não levou. Que bom.

- Então, o que devo a visita? - Ele indica com a cabeça o sofá a frente e me acomodo.

- Bem... como eu posso explicar? Eu tenho dito... sonhos. - Observo o rosto do Louis perder a cor gradualmente, até ele ficar pálido.

- Hum, sonhos, é? - Ele perguntou com uma falsa indiferença.

- Sim e eu acho que você sabe sobre o que eles se tratam. - Pelo comportamento dele, poderia quase afirmar isso.

- O que você se lembra? - Ele frisa e percebo que não foi perguntando sobre o sonho.

- Louis, eu não posso ser totalmente sincera com você, mas posso te falar isso. - Faço uma pausa para poder organizar os pensamentos. - O sonho que eu tive foi uma lembrança que você e a Aria tem, mas eu não. Não foi algo que eu vivi, para que eu possa lembrar. Porém, é algo muito real para o meu cérebro ter apenas inventado. - Ele concorda com a cabeça, parecendo bem menos confuso do que eu esperaria.

- Eu entendi. Você não é ela. - Eita porra. Ele entendeu até demais. - Mas se lembra, ou sonha com isso, de eu falando que sonhava que ela ia morrer, certo? E em um dos sonhos eu olhei pra você e não pra ela, não foi? - Bem, o que é um peido para quem já está cagado?

- Bem, sim. Você resumiu bem. - Ele sorri.

- Aria, estamos ambos ficando loucos. Malucos. Qualquer um que falarmos isso, seremos presos, você sabe né? - Concordo com a cabeça.

- Por isso que não vamos falar para ninguém. Eu apenas quero saber como eu vim parar aqui, ou o que eu sou, ou o que você é, e o mais importante... como eu volto pra casa. - Ele me olha curioso.

- Casa? Eu estava chutando que você apenas apareceu aqui para substituir ela, não que você tivesse uma vida antes. - O olho indignada.

- Você estava achando que eu era, sei lá, uma reserva da Aria que estava apenas esperando ela morrer para vim aqui e opa, substituir? - Ele ri.

- Sim, minhas teorias estavam indo por ai. Agora me diz, de onde você vem? - Era tão bom poder falar aqui em voz alta.

- Do futuro. - Louis arregala os olhos e fica me encarando por uns cinco segundos.

- Do... futuro? Tipo 1950? - Eu rio.

- Do tipo 2025, para ser mais exata. - Eu acho que era informação demais para ele aguentar.

- Puta. Que. Pariu. Você precisa me contar tudo. - Rio.

- Louis, foco. Eu preciso voltar. - Ele concorda. Mas antes...

- Sim, sim, eu sei. Mas você tem que me responder.

- Se eu começar a te falar metade das coisas que tem em 2025 você não vai acreditar e ai sim vai me chamar de louca. - Ele faz um sinal de descaso.

- Aria, se eu te contar metade do que eu sonho, você vai me chamar de maluco. Você morrendo? É o de menos. Eu sonho com guerras, guerras a nível mundial. Pandemias nunca vistas antes. Objetos estranhos que voam. Carruagens estranhas que não precisam de cavalos. Pequenas coisinhas de metal que acendem e... - O interrompo.

- Louis, você sonha com o futuro. - Ele me olha confuso.

- Como?

- Tudo o que você falou, vai acontecer. Duas guerras. Pandemias. Aviões, carros, celulares. É com isso que você sonha, com o futuro. - Explico e de novo, acho que foi muita informação.

- Jesus. O que eu sou?

- Uma mãe Diná? - Brinco, mas esqueço que ele não pegaria a referência. - Não sei.

- Okay. E agora, o que a gente faz? - Eu não sabia.

- Boa pergunta. Você vai me ajudar? A voltar pra casa? - Ele concorda.

- Se é o que você quer, sim. O que você lembra antes de acordar aqui?

- Eu estava numa praia, nos EUA e aconteceu um tsunami... - Era tão estranho falar isso. - A próxima coisa que eu lembro, foi de acordar aqui, com outras roupas, mesmo nome e com um marido.

- Nossa, agora que eu estou pensando, deve ter sido difícil... - Murmuro um "nem me fala" e ele continua. - Você quer saber a verdade? Eu nunca tive uma conversa tão estranha na minha vida, eu preciso beber e ter certeza que isso não é um sonho.

- Louis, foca aqui - Falo quando ele levanta para pegar uma bebida. Porém aceito quando ele me oferece um copo - Nós precisamos saber o que você é, o que eu sou, como eu faço pra voltar e cadê a outra Aria. - Ele ri.

- Mas eu achei que a reposta da última estava obvia. - A olho confusa. Estava?

- Como assim? - Louis sorri.

- Aria, se você está aqui, no passado, vivendo a vida dela... Quem você acha que está no futuro, vivendo a sua?

Beyond Time - Zayn MalikHistórias para pegar e não largar. Descubra agora