Onde diabos eu estava?
A pergunta martelava na minha cabeça quando eu levanto da água que corria sobre mim, me ignorando completamente e seguindo seu curso. Não era o suficiente para me arrastar ou me afogar, era apenas um pequeno córrego.
Eu estava de férias. Como alguém pode ter tanta sorte de a primeira vez que pisa na Califórnia acontecer um tsunami?
Percebendo isso agora, eu deveria estar muito grata de estar viva. Fico feliz com isso, porém olhando em volta, a felicidade se esgota. Eu estava numa floresta. Como eu poderia estar numa floresta? Não tinha lógica, eu estava na praia. Na praia. Não perto de uma floresta e convenhamos que na Califórnia tinham mais prédios que árvores.
- Aria! - Eu escuto gritos do meu nome ecoando e percebo que além do eco, tem mais de um grito.
Estavam me procurando? Na floresta? Depois de um tsunami? Caralho, deveria ter varrido a costa dos Estados Unidos para as vítimas terem chegado aqui.
- Estou aqui! - "Pessoa desconhecida ou bombeiro. Me ache!" Quis acrescentar, porém não achei que era assim que uma vítima de uma catástrofe agiria.
Escuto os passos se aproximando, porém o que eu vejo definitivamente não era um bombeiro. Não, nem de longe. Na verdade, esse se parecia muito com um dos carinhas dos posteres do quarto da minha irmã, a única diferença era que ele estava se vestindo como um homem importante vitoriano. Ou então um camponês. Eu deveria ter prestado atenção na aula de história.
- Nós achamos! - Hã... obrigada? Mas o grito não foi para mim, foi para não sei mais quem que estava se dando o trabalho de me procurar numa floresta depois de um tsunami. Eu gostava de ficar repetindo isso para todo mundo ver a falta de lógica. Todo mundo, no caso, eu mesma.
- Graças a Deus! - Okay, agora estava ficando estranho. O loiro que apareceu também estava vestido do mesmo jeito.
Era alguma convenção? Se essa carinha também fosse da banda, então eles estavam fazendo um show com roupas antigas? E se sim, seria ainda mais estranho eles estarem me procurando.
Pela primeira vez eles olham para mim e o de cabelo castanho se aproxima.
- Aria, você está bem? - Ele soou como se me conhecesse. Eu não o conhecia. Pelo menos, nunca pessoalmente.
- Estou... - Minha voz saiu estranha até para mim. Acho que ele notou.
- Certo, você consegue andar? Ou você quer que eu te leve? - Eu conseguia andar? Boa pergunta.
Eu sentia as minhas pernas, o que era um alívio, mas elas estavam frias como pedra por causa da frequente corrente de água fria passando por elas.
- Eu não tenho certeza... - Essa era a verdade.
Ele se aproxima e me pega, o que acaba molhando também já que meu vestido longo estava encharcado.
Espera.
O que?
Meu vestido longo? Eu estava de biquíni, de onde surgiu esse vestido mais rodado que o meu de quinze anos?
- Eu acho que você não vai me aguenta por tanto tempo. - Ele me olha quase que desdenhando. Oh, okay. Pegar num microfone realmente deveria dar muita força ao corpo, porque eu não sei quantos quilos de pano molhado ficava fácil de carregar.
O loiro que nós seguia não dizia nada, apenas iluminava o caminho com um lampião. Tá legal. Onde eu estava?
- Você conseguiu falar com o Malik? - O que seguia carreira solo?
- Claro, Liam, eu usei meus poderes de telepatia e avisei ele. - Eu vejo que Liam, agora eu sei o nome de quem me carregava, considerou atirar a primeira coisa na cabeça dele. O que no caso, seria eu.
- Estamos perto da casa de vocês... - Ele estava falando isso para mim? Eu tinha uma casa na floresta? Que? - Ele deve estar dormindo.
- Eu duvido muito que se estiver foi porque ele quis. Deve ter desmaiado. Ele esta a quantos dias sem dormir? - Pobre Malik da carreira solo. Ele deve estar com problemas do album... Mas de novo, o que isso teria a ver comigo?
- A quantos dias foi aquela chuva? Cinco? Quatro? Eu não sei, Niall. - Oh, Niall. Era esse mesmo o nome do loirinho.
- Por ai. - Continuo em silêncio e passamos pela floresta até chegar numa estrada. Essa estrada dava direto para... Uma "cidade" que parecia ter saído de um ou dois séculos atrás. Mano, isso era o que? O dia de se lembrar do passado? Isso era um ponto turístico?
- Onde estamos? - Pergunto pela primeira vez e Liam e Niall se encaram. Pareciam que estavam tendo uma conversa silenciosa entre si.
- Perto da sua casa. - É a única coisa que Liam fale, porém percebo algo na sua expressão.
Quando entramos numa rua onde as casas pareciam uns casarão, mais ainda assim, antigos, eu tive certeza que alguma coisa estava errada. Muito errada.
Paramos em frente a casa que eu com certeza teria escolhido, se fosse para ser minha. Liam abre o portão, gingante por sinal, e passamos pelo jardim, quando chegamos na porta eu peço para descer.
- Tem certeza? - Eu concordo. Ainda estava congelando, mas dava para sentir o sangue correndo. Fico em pé e percebo estar descalça. E eu estava certa, esse vestido molhado pesava muito.
- Agora vocês dormem e eu procuro. - E a primeira coisa que a pessoa que abre a porta fala. Ele mal olha para a gente e já volta a entrar dentro da casa iluminada por velas.
Velas.
Vão tomar no cu.
Eu morri e isso aqui era o meu purgatório. Pronto. Era isso.
- Hã, Malik... - Liam chama, mas ele continua pegando o lampião e seja lá mais o que que era aquilo.
- Liam, eu não estou com tempo. Eu já dormir. Três horas. Foi o suficiente.
Dentro da casa era quentinho. Eu quase o aconselhei a continuar ali.
- Certo, vocês resolvem isso depois, eu gostaria de ir para casa agora. - Aviso e fico me perguntando se eles me emprestariam dinheiro para tentar sair dessa cidade fictícia e voltar para casa.
Um par de olhos castanhos, ou mel, se viram para mim tão rápido quanto Liam aparece na minha frente, o impedindo de chegar perto.
- Liam? Me solta. - Percebo sua cabeça negar então ele fala alguma coisa no ouvido do Malik, o que os fazem sair da sala. Não sem antes o carinha da carreira solo me olhar como se eu fosse um milagre de Deus.
- Onde eu posso chegar numa rodoviária? Ou então aeroporto? Aeroporto realmente seria ótimo. - Murmuro pro loiro, Niall, e ele me olha como se eu estivesse falando alemão. Certo, eu não tinha o sotaque britânico forte deles, mas não era como se o americano fosse impossível de entender.
- Eu não acho que eu deveria ter essa conversa com você, já que eu nem sei o que seria uma rodo, rodovi, rovido, não sei mesmo, então não seria muito útil. - Suspiro e fecho meus olhos.
Isso era um sonho. Pronto. Ou eu tinha morrido. Ou...
- Niall. - Ele levanta os olhos de uma pintura da parede que encarava tão intensamente, provável para não me deixar desconfortável e eu faço a pergunta. - Em que ano estamos?
Não era possível. Não era. Ele me falaria 2025 e eu acharia uma rodoviária. Eles deveriam ser uma daquelas tribos isoladas, só que de gente antiga.
- 1850.
Oh, porra.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Beyond Time - Zayn Malik
RandomCom uma das piores tragédias do ano de 2025, muitas pessoas ficaram desaparecidas e raramente foram encontradas. Uma dessas pessoas foi Aria Moroe, uma estudante de medicina de 22 anos, que foi arrastada pela água como muitos outros. Naquela manhã...
