A R I A
Conforme andávamos, Zayn colocou meu braço sobre o seu e percebi que parecia quase algo obrigatório em público. Todos os casais que passavam pela gente tinha essa distinção.
Eu não iria reclamar. Zayn com certeza não era o cara mais musculoso do mundo, mas eu estava resistindo a tentação de apertar seu braço mais que o necessário. Além disso, seu calor era agradável junto ao meu corpo, ainda não era inverno, porém eu percebi que ali também não era o lugar mais quente da Europa para se viver.
- Estamos muito longe? - Ele riu após eu perguntar isso pela quarta vez, no mínimo.
- Da próxima vez, viremos de carruagem. - Concordo, porém repasso a frase na minha cabeça.
"Viremos de carruagem". Meu deus, isso era tão estranho. Não só a fala, mas como não ver nenhum carro na rua, apenas cavalos.
- Vamos conversando enquanto isso. - Zayn propõe, provável que para passar o tempo, e eu dou de ombros. Ideia melhor não tínhamos.
- Certo... como você conheceu o Liam? - Pergunto a primeira coisa que me vêm a cabeça, porém eu confesso estar levemente curiosa. Eles pareciam ter uma relação quase de irmãos.
- Mesmo que pareça que não, eu e o Liam nos odiávamos na escola. - Tinha escola. Eu sei que deveria ter escola, mas mesmo assim ele falando algo tão "normal" para mim era estranho.
- Por que?
- Porque ele achava que eu gostava da menina que ele gostava. - Ah, claro. Meninos.
- Mas, espera, você não disse que já nascemos basicamente noivos?
- Sim, mas eu tinha amigas. - Sorrio de forma maliciosa e ele ri, negando com a cabeça. - Mas meu deus, que desconfiança é essa comigo? Eram realmente apenas amigas.
- Desde os oito anos. Mas era o garanhão mesmo.
- Eu não sei nem como que você pôde gostar de mim antes de eu começar a ter barba. Qualquer um que consiga lembrar, lembra o infortunado que eu era. - Isso eu duvidava.
- Duvido. Você deveria ser lindo até com o bigodinho de sujeira.
- Obrigado, porém você apenas não lembra. - Ele murmurou divertido, como se a lembrança da sua época "feia" o divertisse.
- Qual é, é só olhar pro Eddie. O menino vai ser lindo, já é, e ele é sua cópia.
- Sobre isso, teremos que concordar. Meu filho é lindo. - Rio da sua confiança e com grande alívio percebo que finalmente chegamos.
*
- Oh, meu Deus. - Rio quando a... atende? ( Garçonete? Tinha outro nome nesse tempo? Eu não sei, já achei um milagre terem mulheres trabalhado.) se afasta. - Ela não ligou nem um pouco para a minha presença.
- Eu deveria tentar entender o motivo de você achar tão engraçado a perseguição feminina sobre mim? - Rio.
- É engraçado porque você não dá atenção. - Que homem não daria atenção a, literalmente, metade da população feminina lhe dando mole? Exatamente, só o Zayn. - Não que eu esteja reclamando, por favor, continue assim. - Acrescento rapidamente e agora é sua vez de rir.
- Oh, certo. Eu estava quase achando que você queria que eu deixasse ou fizesse alguma coisa. -Nego automaticamente.
- Estou protegendo a sua castidade, apenas. - Dou de ombros e olho em volta.
O lugar deveria ser considerado caro e moderno para a época. Era bonitinho, mas como tudo que eu olhava, parecia... velho. Antigo. Algo que você veria em fotos preto e branco só que uns 100 anos mais antiga. Não estava mal acabado ou caindo aos pedaços, não, estava em perfeitas condições, porém, parecia velho. A culpa não era minha por achar isso.
- Você nunca pareceu muito preocupada com a minha castidade... - Paro de olhar para uma coluna de mármore e encaro Zayn depois desse murmurio. Acho que ele esperava que saísse mais baixo.
- Sua castidade... - Ele parecia levemente incomodado por estarmos discutindo isso em público, o que só me fez sorrir. - Permaneceu intacta até o casamento? - Se ele respondesse que sim, eu iria começar a considerar esse homem um santo.
Sorte dele, uma nova moça voltou, trazendo com ela nossas bebidas. Tinha algo que parecia refrigerante nas opções, mas se o do nosso tempo causava câncer, eu imaginava que o daqui causaria morte instantânea. Preferi não arriscar.
O bom e velho e, aparentemente, inofensivo, suco de laranja foi posto a minha frente, porém eu mal tive tempo de agradecer, já que ela apenas pôs e se virou rapidamente para o Zayn.
- Já decidiram o que vão comer? - Ele suspira, acho que percebendo que seria mais uma coisa que eu usaria contra ele e indica com a cabeça para mim. A moça, a contragosto, se vira e me dá o segundo sorriso mais falso do mundo. O primeiro foi o que eu dei pra ela.
- Qual seria o prato do dia? - Existia isso? Pelo amor de Deus, diz que sim, se não eu passaria vergonha.
- Fish and chips. - Por algum motivo bizarro, eu lembro de já ter pesquisado comidas típicas da Inglaterra e essa aparecer entre uma das primeiras. Falava que era antigo, mas eu não imaginava o quanto. (Principalmente por parecer algo "moderno" e "comível".)
- Isso está bom, obrigada. - Ela se vira esperançosa pro Zayn, que apenas murmura algo como "o mesmo".
Até eu senti a decepção da bichinha ao se afastar.
- Você é mal. Continue assim. - Bebo um pouco do meu suco e noto seu sorrisinho. - Agora, continuo interessada na sua castidade. Anda.
- Mas, meu deus... - Ele ri, mas parece desistir, resolvendo responder. - Antes.
- Ah, há! Eu sabia. - A Outra tinha olhos. Ninguém com olhos deixava esse pedaço de mal caminho intacto por tanto tempo ou ao menos espera um casamento. Eu não esperaria, não importaria a época.
- O que mais me "envergonha"... - Ele deixou claro as aspas, como se não estivesse realmente envergonhado. - Foi que eu fui quem mais resistiu. Liam me zoa com isso até hoje. - Rio, imaginando a Outra tentando seduzi-lo e ele negando. Se as técnicas dela fossem as mesmas das minhas, então eu riria mais ainda.
- Eu também te zoaria, Malik. Sem dúvidas.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Beyond Time - Zayn Malik
RandomCom uma das piores tragédias do ano de 2025, muitas pessoas ficaram desaparecidas e raramente foram encontradas. Uma dessas pessoas foi Aria Moroe, uma estudante de medicina de 22 anos, que foi arrastada pela água como muitos outros. Naquela manhã...
