Capítulo 14: Castidade.

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A R I A

Conforme andávamos, Zayn colocou meu braço sobre o seu e percebi que parecia quase algo obrigatório em público. Todos os casais que passavam pela gente tinha essa distinção.

Eu não iria reclamar. Zayn com certeza não era o cara mais musculoso do mundo, mas eu estava resistindo a tentação de apertar seu braço mais que o necessário. Além disso, seu calor era agradável junto ao meu corpo, ainda não era inverno, porém eu percebi que ali também não era o lugar mais quente da Europa para se viver.

- Estamos muito longe? - Ele riu após eu perguntar isso pela quarta vez, no mínimo.

- Da próxima vez, viremos de carruagem. - Concordo, porém repasso a frase na minha cabeça.

"Viremos de carruagem". Meu deus, isso era tão estranho. Não só a fala, mas como não ver nenhum carro na rua, apenas cavalos.

- Vamos conversando enquanto isso. - Zayn propõe, provável que para passar o tempo, e eu dou de ombros. Ideia melhor não tínhamos.

- Certo... como você conheceu o Liam? - Pergunto a primeira coisa que me vêm a cabeça, porém eu confesso estar levemente curiosa. Eles pareciam ter uma relação quase de irmãos.

- Mesmo que pareça que não, eu e o Liam nos odiávamos na escola. - Tinha escola. Eu sei que deveria ter escola, mas mesmo assim ele falando algo tão "normal" para mim era estranho.

- Por que?

- Porque ele achava que eu gostava da menina que ele gostava. - Ah, claro. Meninos.

- Mas, espera, você não disse que já nascemos basicamente noivos?

- Sim, mas eu tinha amigas. - Sorrio de forma maliciosa e ele ri, negando com a cabeça. - Mas meu deus, que desconfiança é essa comigo? Eram realmente apenas amigas.

- Desde os oito anos. Mas era o garanhão mesmo.

- Eu não sei nem como que você pôde gostar de mim antes de eu começar a ter barba. Qualquer um que consiga lembrar, lembra o infortunado que eu era. - Isso eu duvidava.

- Duvido. Você deveria ser lindo até com o bigodinho de sujeira.

- Obrigado, porém você apenas não lembra. - Ele murmurou divertido, como se a lembrança da sua época "feia" o divertisse.

- Qual é, é só olhar pro Eddie. O menino vai ser lindo, já é, e ele é sua cópia.

- Sobre isso, teremos que concordar. Meu filho é lindo. - Rio da sua confiança e com grande alívio percebo que finalmente chegamos.

*

- Oh, meu Deus. - Rio quando a... atende? ( Garçonete? Tinha outro nome nesse tempo? Eu não sei, já achei um milagre terem mulheres trabalhado.) se afasta. - Ela não ligou nem um pouco para a minha presença.

- Eu deveria tentar entender o motivo de você achar tão engraçado a perseguição feminina sobre mim? - Rio.

- É engraçado porque você não dá atenção. - Que homem não daria atenção a, literalmente, metade da população feminina lhe dando mole? Exatamente, só o Zayn. - Não que eu esteja reclamando, por favor, continue assim. - Acrescento rapidamente e agora é sua vez de rir.

- Oh, certo. Eu estava quase achando que você queria que eu deixasse ou fizesse alguma coisa. -Nego automaticamente.

- Estou protegendo a sua castidade, apenas. - Dou de ombros e olho em volta.

O lugar deveria ser considerado caro e moderno para a época. Era bonitinho, mas como tudo que eu olhava, parecia... velho. Antigo. Algo que você veria em fotos preto e branco só que uns 100 anos mais antiga. Não estava mal acabado ou caindo aos pedaços, não, estava em perfeitas condições, porém, parecia velho. A culpa não era minha por achar isso.

- Você nunca pareceu muito preocupada com a minha castidade... - Paro de olhar para uma coluna de mármore e encaro Zayn depois desse murmurio. Acho que ele esperava que saísse mais baixo.

- Sua castidade... - Ele parecia levemente incomodado por estarmos discutindo isso em público, o que só me fez sorrir. - Permaneceu intacta até o casamento? - Se ele respondesse que sim, eu iria começar a considerar esse homem um santo.

Sorte dele, uma nova moça voltou, trazendo com ela nossas bebidas. Tinha algo que parecia refrigerante nas opções, mas se o do nosso tempo causava câncer, eu imaginava que o daqui causaria morte instantânea. Preferi não arriscar.

O bom e velho e, aparentemente, inofensivo, suco de laranja foi posto a minha frente, porém eu mal tive tempo de agradecer, já que ela apenas pôs e se virou rapidamente para o Zayn.

- Já decidiram o que vão comer? - Ele suspira, acho que percebendo que seria mais uma coisa que eu usaria contra ele e indica com a cabeça para mim. A moça, a contragosto, se vira e me dá o segundo sorriso mais falso do mundo. O primeiro foi o que eu dei pra ela.

- Qual seria o prato do dia? - Existia isso? Pelo amor de Deus, diz que sim, se não eu passaria vergonha.

- Fish and chips. - Por algum motivo bizarro, eu lembro de já ter pesquisado comidas típicas da Inglaterra e essa aparecer entre uma das primeiras. Falava que era antigo, mas eu não imaginava o quanto. (Principalmente por parecer algo "moderno" e "comível".)

- Isso está bom, obrigada. - Ela se vira esperançosa pro Zayn, que apenas murmura algo como "o mesmo".

Até eu senti a decepção da bichinha ao se afastar.

- Você é mal. Continue assim. - Bebo um pouco do meu suco e noto seu sorrisinho. - Agora, continuo interessada na sua castidade. Anda.

- Mas, meu deus... - Ele ri, mas parece desistir, resolvendo responder. - Antes.

- Ah, há! Eu sabia. - A Outra tinha olhos. Ninguém com olhos deixava esse pedaço de mal caminho intacto por tanto tempo ou ao menos espera um casamento. Eu não esperaria, não importaria a época.

- O que mais me "envergonha"... - Ele deixou claro as aspas, como se não estivesse realmente envergonhado. - Foi que eu fui quem mais resistiu. Liam me zoa com isso até hoje. - Rio, imaginando a Outra tentando seduzi-lo e ele negando. Se as técnicas dela fossem as mesmas das minhas, então eu riria mais ainda.

- Eu também te zoaria, Malik. Sem dúvidas.

Beyond Time - Zayn MalikHistórias para pegar e não largar. Descubra agora